Futebol

‘Copeiro’, Corinthians avança com brilho de Memphis; holandês é a solução para os problemas de Diniz?

O Corinthians fez valer mais uma vez a sua fama de time copeiro e garantiu vaga nas quartas de final da Libertadores. Só que além de despachar o Rosario Central na noite de quinta-feira (20), o jogo deixou um recado clareador para Fernando Diniz: Memphis Depay reapareceu para decidir justamente quando a corda estava esticada.

Após toda a novela sobre sua permanência — que passou pelo fim de contrato anunciado e uma reviravolta no bastidor com nova proposta da diretoria —, o holandês pisou no gramado em um instante decisivo. E bastaram poucos minutos para mudar a rota do confronto.

Memphis muda o Corinthians no segundo tempo

O atacante veio do banco aos 24 minutos da etapa final para vaga de Pedro Raul. A alteração foi recebida com alívio imediato nas arquibancadas da Neo Química Arena, tanto pelo retorno do camisa 10 quanto pela atuação apagada de seu substituto.

A entrada de Memphis deu outra dinâmica ao setor. O holandês trouxe mobilidade, passe rápido e capacidade de associar pelo meio. Dez minutos em campo foram suficientes para ele clarear a jogada e deixar Breno Bidon na boa para selar a classificação.

Foi uma amostragem curta, porém contundente do que o atacante pode oferecer ao esquema de Diniz.

Retorno com assistência

Memphis não jogava desde 27 de maio, quando esteve em campo na derrota para o Platense, ainda pela fase de grupos. Ou seja, foi um retorno sem ritmo após quase três meses parado e logo em um mata-mata de Libertadores. Ele não apenas aguentou a pressão, como foi o garçom da noite.

O passe para Bidon encerrou também um incômodo jejum. O jogador não somava um gol ou assistência desde o clássico contra o Santos, em 15 de março, sua última partida de 90 minutos completa pelo clube.

Memphis pode ser a resposta para Diniz?

Essa volta abre um horizonte novo para Fernando Diniz. O treinador convive com oscilações crônicas no setor ofensivo e ainda busca um encaixe que entregue regularidade ao time.

Até poucas semanas atrás, a opção parecia fora dos planos. As características do holandês fogem ao padrão do restante do elenco: ele recua, cria entrelinhas e resolve individualmente.

Problema está na produção ofensiva

Os dados de 2026, por outro lado, escancaram a necessidade de recuperar o atleta fisicamente. No ano, são apenas 15 partidas disputadas, com um gol e duas assistências na conta. Um contraste nítido em relação a 2025, quando ele anotou 12 gols e distribuiu dez assistências ao longo de 51 jogos.

A oscilação explica a cautela da comissão técnica. O Corinthians precisa da versão mais contundente do atacante, capaz de pisar na área e definir jogos com frequência.

2025 mostrou o que Memphis pode entregar

O desempenho do ano passado baliza a expectativa em Itaquera. Foram 22 participações diretas em gol em 51 atuações no último ano, estatística que consolidou o holandês como referência técnica do plantel.

Atualmente com três participações em 15 partidas em 2026, o desafio é aproximar esses números do sarrafo antigo. Nesse contexto, a assistência contra o Rosario Central ganha peso de ponto de virada na temporada.

Diniz precisa aproveitar o retorno

Caberá a Fernando Diniz encaixar a peça sem acelerar etapas. Memphis provou que resolve vindo do banco, mas carece de minutagem para aguentar o ritmo desde o apito inicial.

A exibição na Argentina deu pistas claras: com espaço para articular, o camisa 10 eleva o patamar criativo do time. A vaga nas quartas cria o ambiente de estabilidade ideal para acelerar essa recuperação.

Corinthians pode ter ganhado um reforço decisivo

A classificação teve a cara do clube, mas o tempero veio do banco. Memphis voltou bem na hora em que Diniz buscava alternativas para o ataque. Dizer que todos os nós táticos estão resolvidos é precoce. O ritmo ainda não é o ideal e a amostragem em 2026 requer cautela. Contudo, o impacto imediato diante do Rosario Central justifica a reviravolta da diretoria ao bancar sua permanência.

Se Memphis resgatar a versão decisiva de 2025, o Corinthians ganha seu maior reforço para a reta final da Libertadores. A dúvida sobre o contrato ficou para trás; a questão agora é até onde o futebol do holandês pode levar a equipe de Diniz.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians/Divulgação