Futebol Premier League

Entenda por que a derrota na estreia não abala os planos do Coventry na Premier League

O retorno do Coventry City à Premier League começou com uma derrota por 3 a 0 para o Arsenal, no Emirates Stadium. O resultado mostrou rapidamente o tamanho do desafio que o clube terá pela frente, mas também deixou claro que uma partida contra um dos principais times da Inglaterra não será suficiente para definir o futuro dos Sky Blues na competição.

Depois de 25 anos, 94 dias e uma longa trajetória marcada por dificuldades, o Coventry finalmente voltou a disputar uma partida na elite do futebol inglês. A equipe havia deixado a Premier League em 2001 e passou mais de duas décadas longe do principal palco do país.

Por isso, apesar do placar negativo, o sentimento entre os torcedores que viajaram até Londres foi de orgulho. A torcida permaneceu cantando durante os 90 minutos no Emirates Stadium, mostrando que o retorno à primeira divisão representa algo muito maior do que simplesmente o resultado de uma partida.

O desafio contra o Arsenal era especialmente complicado. Além de jogar fora de casa, o Coventry enfrentou o atual campeão inglês, que também havia chegado à final da UEFA Champions League na temporada anterior. A superioridade dos donos da casa apareceu rapidamente, com os três gols sendo marcados até os 49 minutos.

O Coventry conseguiu apenas uma finalização no alvo durante toda a partida. Ainda assim, o técnico Frank Lampard preferiu enxergar o confronto como uma oportunidade de aprendizado.

Uma volta marcada por 25 anos de espera

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Foto: Lewis Storey/Getty Images

 

O Coventry não disputava uma partida de Premier League desde 19 de maio de 2001, quando empatou sem gols com o Bradford City. Aquele jogo encerrou uma permanência de 34 anos na primeira divisão e iniciou um dos períodos mais difíceis da história do clube.

Nos 11 anos seguintes, o Coventry permaneceu na Championship, até ser rebaixado para a League One na temporada 2011/12. O clube chegou a passar pela League Two antes de conseguir retornar à terceira divisão e, posteriormente, subir novamente para a Championship em 2020, como campeão da League One.

Seis anos depois, o clube finalmente voltou à Premier League.

A caminhada, entretanto, esteve longe de ser tranquila. O Coventry precisou deixar o histórico estádio Highfield Road, enfrentou disputas envolvendo a propriedade do clube e chegou a disputar partidas como mandante em Northampton e Birmingham.

Por isso, o retorno à elite possui um significado especial para os torcedores. O intervalo entre as duas participações na Premier League foi de mais de 25 anos, o maior período entre partidas na competição para qualquer equipe.

Agora, o desafio é permanecer.

Lampard sabe que a adaptação à Premier League será complicada e lembrou que até equipes que conseguiram sobreviver tiveram começos difíceis. O treinador citou o exemplo do Leeds United, que perdeu por 5 a 0 para o Arsenal no início da temporada passada, mas ainda assim conseguiu permanecer na primeira divisão.

A declaração demonstra que o treinador não pretende tirar conclusões precipitadas a partir da derrota. Para ele, o Coventry ainda precisa entender o nível da competição e se adaptar à nova realidade.

Investimento aumenta a expectativa antes de duelo decisivo

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O Coventry também não chegou à Premier League apenas para participar. Depois de conquistar o título da Championship com 11 pontos de vantagem sobre o Ipswich Town, o clube investiu aproximadamente £130 milhões em reforços.

O investimento foi acompanhado de quatro quebras do recorde de transferência do clube durante o verão. Entre as contratações estão Frank Onyeka, Aurèle Amenda, Loum Tchaouna e Carl Rushworth.

Caleb Yirenkyi foi ainda mais longe e se tornou a contratação mais cara da história do Coventry, em uma negociação de £23,1 milhões.

Todos os cinco começaram como titulares contra o Arsenal. Gustavo Hamer e Taiwo Awoniyi, outros reforços que chegaram ao clube, entraram durante a partida.

A estratégia mostra que o Coventry reconhece a necessidade de elevar o nível do elenco para enfrentar a Premier League. Os novos jogadores possuem experiência em primeira divisão ou em seleções nacionais e foram escolhidos também pela capacidade física.

Mesmo assim, a diferença de nível contra o Arsenal ficou evidente. O investimento ainda precisará de tempo para produzir resultados e transformar o Coventry em uma equipe competitiva na elite.

O próximo compromisso, por isso, ganha uma importância muito maior.

O Coventry receberá o Hull City, também recém-promovido, na Coventry Building Society Arena. De acordo com a Opta, os Sky Blues possuem a sequência inicial mais difícil entre todas as equipes da Premier League.

Além do Hull, o clube terá pela frente partidas fora de casa contra Manchester City e Nottingham Forest no próximo mês. Diante desse cenário, conquistar pontos contra adversários mais próximos na disputa pela permanência será fundamental.

O confronto com o Hull ganha ainda mais importância porque as duas equipes terminaram os dois encontros da Championship na temporada passada empatadas sem gols.

A partida pode representar uma oportunidade para o Coventry transformar a experiência adquirida contra o Arsenal em resultado. Matt Grimes, capitão da equipe, também destacou que a temporada não será definida por uma derrota diante de um adversário desse nível.

A mensagem é clara: o Coventry não pode permitir que o resultado no Emirates determine sua confiança para os próximos meses.

A equipe terá que aprender rapidamente com os erros, adaptar seus reforços à competição e aproveitar principalmente os jogos em que terá condições de disputar os três pontos.

Voltar à Premier League foi o primeiro grande objetivo alcançado depois de mais de duas décadas de espera. Agora começa uma missão ainda mais difícil: permanecer entre os melhores clubes da Inglaterra.

A derrota para o Arsenal mostrou o tamanho do desafio, mas o campeonato será decidido ao longo de 38 rodadas. Para o Coventry, a resposta começa já contra o Hull City.

(Foto de capa: HENRY NICHOLLS / AFP)

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Kaique