O interesse do Manchester City por Allan ajuda a explicar por que o Palmeiras faz jogo duro para liberar o meia-atacante. Em conversas com o clube inglês desde o fim da semana, o Verdão recebeu uma sinalização de 35 milhões de euros fixos, mas entende que o valor ainda não é suficiente. A expectativa é chegar aos 40 milhões de euros, cerca de R$ 240 milhões na cotação atual, entre valor fixo e possíveis bônus ou mecanismos futuros.
Aos 22 anos, Allan está em sua segunda temporada mais afirmado no time principal e vem mostrando evolução também nos números. Em 2025, foram 54 jogos, três gols e seis assistências. Em 2026, com 42 partidas, já são seis gols e seis assistências.
Os números ajudam a entender a valorização, embora não sejam o principal motivo. Allan não é negociado pelo Palmeiras como um jogador de lado que vive apenas de gols e assistências. O que chama atenção é a quantidade de funções que ele consegue cumprir sem comprometer a intensidade da equipe.
Abel Ferreira já falou sobre isso ao explicar por que os clubes europeus estão de olho no jogador:
“Esses europeus querem um jogador como Allan porque ele faz o que 90% dos atacantes daqui não fazem, que é atacar o corredor e defender. Quem quiser levar o Allan vai ter que pagar muito.”
Na prática, Allan consegue dar profundidade pelo lado e, quando o Palmeiras perde a bola, voltar para ajudar na marcação. Parece simples, mas encontrar um jogador ofensivo disposto e preparado para fazer os dois movimentos com a mesma intensidade não é tão fácil. E ele não fica preso ao corredor.
Allan dá opções diferentes para Abel Ferreira
O próprio treinador já citou outras possibilidades. Allan pode fazer a lateral direita, atuar por fora em uma linha de três, aparecer por dentro e trocar de posição com Giay durante a partida.
“As melhores equipes do mundo não compram meios jogadores. Compram jogadores que atacam e defendem. Ele é capaz disso, capaz de fazer a lateral direita, de jogar a linha de três por fora, de vir para dentro ou fora trocando com Giay.”
É uma característica que aumenta bastante o valor de Allan. O Palmeiras pode mudar o desenho da equipe durante o jogo sem necessariamente precisar mexer na escalação. O jogador consegue ocupar outro espaço, cobrir um companheiro e continuar sendo uma ameaça quando a equipe recupera a bola.
Isso também ajuda a explicar o interesse do Manchester City. Em um futebol cada vez mais baseado em jogadores capazes de interpretar diferentes funções, Allan tem um perfil que se encaixa bem. Há ainda a questão da idade. Aos 22 anos, ele ainda tem margem para evoluir. E sua evolução de 2025 para 2026 mostra isso.
Em 54 jogos na temporada passada, Allan marcou três gols. Agora, em 42 partidas, já fez seis. As seis assistências foram mantidas. Não é uma transformação em artilheiro, mas é um crescimento importante para um jogador que também precisa cumprir tarefas defensivas e táticas. Por isso, o Palmeiras tem argumentos para esperar os 40 milhões de euros.
O City não estaria pagando apenas pelo Allan que aparece hoje no time de Abel. Existe também a perspectiva de um jogador jovem, que já consegue atuar em diferentes funções e vem aumentando sua participação ofensiva.
Para o Palmeiras, substituir Allan não significaria simplesmente encontrar outro atacante para jogar pela direita. Seria necessário encontrar alguém capaz de entregar profundidade, recomposição, intensidade e ainda se adaptar a diferentes posições dentro do mesmo jogo.
É aí que a conta fica mais pesada. O Palmeiras sabe o jogador que tem nas mãos. E, enquanto o Manchester City não chegar ao valor considerado justo, não há motivo para facilitar a saída de um atleta jovem que vem crescendo justamente nos aspectos que fazem dele um nome tão cobiçado no mercado europeu.
Foto: Marcello Zambrana/AGIF



