O Palmeiras precisou de dez minutos no segundo tempo para transformar um jogo travado em goleada. Depois de 45 minutos de pouca produção ofensiva e de ver o Vasco assustar mais no Nubank Parque, o time de Abel Ferreira voltou do intervalo em outro ritmo e construiu a vitória por 4 a 1 neste domingo (23).
A mudança passou longe de ser mero acaso. O que se viu no retorno do vestiário foi uma alteração clara na postura do Palmeiras. O time acelerou a troca de passes, passou a atacar os espaços com mais agressividade e aproximou seus setores. Abel mexeu apenas uma vez no intervalo, mas a resposta coletiva mudou completamente o cenário da partida.
Palmeiras sofre com lentidão no primeiro tempo
O primeiro tempo do Palmeiras foi de pouca inspiração. O Verdão tinha a iniciativa e conseguia manter a posse, mas sofria para transformar esse domínio territorial em chances reais de gol.
A circulação era previsível, com muitos passes laterais e pouca movimentação para desorganizar a defesa vascaína. Com tempo para recompor suas linhas, o Vasco conseguiu proteger bem a região central e ainda encontrou espaços para sair em velocidade.
Os visitantes criaram as melhores oportunidades da etapa inicial, e Carlos Miguel foi importante para evitar que o Palmeiras fosse para o intervalo em desvantagem. O diagnóstico era claro: posse de bola sem profundidade, pouca movimentação e dificuldade para acelerar as jogadas.
Abel muda a intensidade, e o Palmeiras responde
Na volta do intervalo, Abel trocou Barboza por Murilo, mas manteve a estrutura com três jogadores na saída de bola. A grande mudança, portanto, não estava necessariamente na formação, mas na maneira como o time passou a executá-la.
A bola começou a circular com muito mais velocidade. O meio-campo passou a se aproximar dos jogadores de frente e, quando surgia espaço, a equipe buscava imediatamente a progressão.
O gol que abriu o placar desenhou bem esse novo Palmeiras. Giay avançou pela direita e encontrou Allan por dentro. O meia-atacante acionou Flaco López, que dominou, limpou a marcação e acertou um belo chute.
Foi uma jogada rápida, vertical e com poucos toques — justamente o que havia faltado durante a primeira etapa. A partir daí, o Vasco precisou se expor mais e o Palmeiras encontrou ainda mais espaço para acelerar.
Atacantes passam a receber em melhores condições
A melhora coletiva também mudou a participação de Flaco López e Vitor Roque. No primeiro tempo, os dois estavam muito dependentes de jogadas individuais, já que a bola chegava pouco e em condições desfavoráveis. Com a equipe mais próxima e os meio-campistas atacando os espaços, os atacantes passaram a receber mais perto da área e diante de uma defesa menos organizada.
Flaco foi o principal beneficiado. Além de abrir o placar, voltou a aparecer dentro da área para marcar o quarto gol e completar uma grande atuação. Vitor Roque também ganhou presença ofensiva. O atacante apareceu na área, sofreu o pênalti e converteu a cobrança, encerrando um jejum de cinco meses sem marcar.
Os gols, porém, são consequência de uma mudança maior: o Palmeiras passou a construir as jogadas de forma que seus atacantes recebessem em melhores condições para decidir.
Andreas acelera transição e Palmeiras mata o jogo
Com o Vasco obrigado a buscar o resultado, os espaços aumentaram. E o Palmeiras soube explorá-los. O terceiro gol é um exemplo perfeito. Andreas Pereira conduziu a bola em velocidade por boa parte do campo e encontrou Mauricio, que completou a jogada.
Foi uma transição que não existia com a mesma frequência no primeiro tempo. O Palmeiras passou a tomar decisões mais agressivas após recuperar a bola e encontrou um Vasco mais exposto.
Isso não significa que Abel tenha transformado a equipe em um time exclusivamente reativo. A diferença esteve na capacidade de reconhecer quando acelerar. No primeiro tempo, a circulação era mais lenta e previsível. No segundo, o Palmeiras passou a alternar melhor a construção paciente com ataques verticais, aproveitando os espaços assim que eles apareciam.
Abel mantém intensidade até o fim
Mesmo com o placar em 3 a 0, Abel Ferreira não simplesmente colocou o time para administrar a vantagem. Aos 35 minutos, o treinador fez três alterações: Jhon Arias, Felipe Anderson e Emiliano Martínez entraram nas vagas de Vitor Roque, Allan e Marlon Freitas.
As mudanças mantiveram o Palmeiras com jogadores descansados e capacidade para continuar atacando. Felipe Anderson, inclusive, entrou bem e acertou a trave.
A última alteração aconteceu aos 38 minutos, com Khellven substituindo Giay.
O Palmeiras continuou buscando o ataque até o fim e ainda teve um gol anulado por impedimento. Aos 43 minutos, Jhon Arias encontrou Flaco López, que marcou novamente e fechou a goleada.
A goleada deixa um alerta para Abel
A atuação do segundo tempo mostra a força do Palmeiras, mas também deixa uma questão para Abel Ferreira. O time não pode depender de uma mudança tão grande de intensidade após o intervalo. Contra adversários mais eficientes, um primeiro tempo com pouca produção e cedendo as melhores oportunidades pode colocar o resultado em risco.
Por outro lado, a resposta demonstra que o Palmeiras tem mecanismos para mudar uma partida sem precisar abandonar sua estrutura. Abel manteve a saída com três, mas conseguiu fazer o time circular mais rápido, aproximar os setores e atacar os espaços com maior agressividade.
Por isso, a principal mudança contra o Vasco não foi uma grande invenção tática. Foi a velocidade de execução. O Palmeiras já tinha as ferramentas para criar. Quando passou a utilizá-las com mais intensidade, encontrou os espaços, potencializou seus atacantes e decidiu a partida em poucos minutos.
Agora, o desafio de Abel é fazer esse Palmeiras mais vertical e agressivo aparecer desde o início. Afinal, contra o Vasco, o intervalo foi suficiente para corrigir o rumo. Em confrontos mais equilibrados, esperar 45 minutos para encontrar esse nível de atuação pode ser caro demais.
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/Divulgação



