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Futebol Copa do Brasil

Vasco continua com problemas de eficiência ofensiva, mas vitória na ida dá sinais positivos

O Vasco saiu de São Januário com uma vitória que vale mais do que o 1 a 0 sobre o Vitória, na noite de quarta-feira (26), pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. Mesmo com Barros expulso aos 18 minutos, a equipe encontrou maneiras de competir, soube sofrer e largou na frente na disputa.

O jogo de volta será na próxima quarta-feira (2), às 21h30, no Barradão. Antes disso, porém, o Vasco recuperou algo importante depois da goleada sofrida para o Palmeiras: confiança.

Pedro Emanuel encontrou soluções mesmo com um a menos

A expulsão de Barros poderia ter desmontado o planejamento do Vasco. Pedro Emanuel reagiu rápido. Aos 34 minutos, o treinador tirou o centroavante Cláudio Spinelli e colocou Paulo Henrique. A mudança deixou a equipe mais protegida e deu ao Vasco uma estrutura melhor para suportar a pressão do Vitória.

O português também abriu mão de disputar o controle do meio-campo. Em vez de tentar manter a posse, entregou a bola ao adversário e apostou nos espaços para contra-atacar. Foi uma escolha que funcionou.

O Vitória tem nos lados do campo uma de suas principais armas. Com Paulo Henrique, Andrés Gómez e Colidio como opções para acelerar, o Vasco conseguiu explorar justamente os espaços que surgiam quando recuperava a bola. Mesmo com um jogador a menos, o Vasco encontrou caminhos para chegar ao ataque. Faltou transformar essas oportunidades em uma vantagem maior.

Ramon Rique e Thiago Mendes sustentaram o meio

Ramon Rique e Thiago Mendes tiveram papel importante para que o plano funcionasse. Os dois precisaram correr ainda mais depois do cartão vermelho e fizeram isso sem deixar o Vasco totalmente dependente dos contra-ataques. Além da marcação, deram qualidade à saída de bola e ajudaram a manter o time organizado.

É um detalhe que costuma fazer diferença em mata-mata. O Vasco não precisava jogar bonito. Precisava competir. E conseguiu.

A postura também serve como resposta depois da goleada para o Palmeiras. O time mostrou concentração e disposição para correr sem a bola, algo que nem sempre aparece com a mesma intensidade no Brasileirão.

Léo Jardim e Andrés Gómez decidem

Pedro Emanuel teve participação importante na vitória, mas dois jogadores transformaram o trabalho coletivo em resultado.

Léo Jardim voltou a aparecer de forma decisiva após receber críticas nas últimas partidas. O goleiro fez uma defesa importante já nos acréscimos do segundo tempo e evitou que o Vitória levasse para casa um empate que mudaria o cenário da eliminatória.

Do outro lado, Andrés Gómez resolveu. O colombiano marcou um golaço no segundo tempo e aproveitou uma das melhores oportunidades do Vasco para colocar o time em vantagem.

No fim, foi a combinação que um time de mata-mata precisa: organização para resistir e qualidade para decidir.

O problema ofensivo continua

A vitória não apaga uma questão que acompanha o Vasco: a dificuldade para transformar chances em gols. Mesmo com um jogador a menos, o time criou oportunidades suficientes para sair de São Januário com uma vantagem maior.

Spinelli perdeu duas chances enquanto esteve em campo. Colidio acertou a trave e Puma Rodríguez também teve uma boa oportunidade. O problema apareceu novamente no último passe. O Vasco conseguiu chegar em boas condições, mas nem sempre tomou a melhor decisão na hora de concluir.

Os números reforçam o equilíbrio da partida. O Vitória finalizou mais, com 17 tentativas contra 15 do Vasco. A diferença esteve na eficiência: Andrés Gómez aproveitou a sua oportunidade, enquanto Léo Jardim apareceu quando o adversário teve a chance de empatar.

Vasco começa a ganhar a cara de Pedro Emanuel

Pedro Emanuel já parece ter conseguido dar ao Vasco algo que fazia falta: um time capaz de mudar de comportamento de acordo com o jogo. Contra o Vitória, precisou alterar completamente a estratégia depois da expulsão de Barros. E o time respondeu.

Isso ganha ainda mais importância diante do desgaste físico e de um elenco que não oferece tantas alternativas ao treinador.

A vantagem de 1 a 0 não resolve a eliminatória. O Vitória terá o apoio do Barradão e o Vasco precisará repetir a concentração demonstrada em São Januário. Na fase anterior, vale relembrar, o time baiano aplicou 4 a 0 no Athletico-PR jogando em casa após perder por 2 a 0 na ida.

Mas a atuação mostrou uma evolução importante. O Vasco conseguiu se reorganizar com 10 jogadores, encontrou espaços para atacar e teve maturidade para não se desmanchar quando passou a ser pressionado. A eficiência ofensiva ainda precisa melhorar. Só que, em uma Copa do Brasil, nem sempre é necessário criar muito para vencer.

Dessa vez, o Vasco teve um jogador a menos durante mais de 70 minutos, finalizou menos e passou boa parte da partida sem a bola. Mesmo assim, encontrou uma forma de competir. É esse tipo de resposta que pode fazer diferença quando o jogo vale uma vaga na semifinal.

Foto: Matheus Lima/Vasco/Divulgação