A primeira partida do Palmeiras sem Allan mostrou que Abel Ferreira não precisará simplesmente encontrar um substituto para o jogador. A saída do jovem para o Manchester City abriu uma lacuna importante, mas também obrigou o treinador a redistribuir funções dentro da equipe.
Na vitória por 3 a 0 sobre o Santos, na quarta-feira (26), pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, Maurício apareceu mais centralizado, enquanto Jhon Arias ganhou espaço pelo lado direito. Giay também teve participação importante na construção.
Foi uma solução diferente da que o Palmeiras vinha utilizando com Allan. E, pelo menos no primeiro teste, funcionou.
Abel não tentou substituir Allan peça por peça
Allan deixou o Palmeiras como titular absoluto. Em 2026, participou de 42 dos 49 jogos da equipe, começando 36 deles, com seis gols e seis assistências. Os números ajudam a dimensionar a perda, mas não contam tudo: o meia-atacante também dava ao time intensidade, condução e capacidade de atacar pelo lado direito.
Por isso, Abel não tentou simplesmente colocar outro jogador para fazer exatamente a mesma função. Contra o Santos, Maurício ocupou uma faixa mais central do campo, aproximando-se de Andreas Pereira e dos atacantes. A ideia foi aproveitar a capacidade do camisa 18 para receber entre as linhas e participar da construção, em vez de obrigá-lo a repetir os movimentos de Allan.
A outra mudança apareceu com Arias. O colombiano ficou mais aberto pela direita e teve liberdade para participar da criação. Foi justamente desse setor que saiu boa parte das melhores jogadas do Palmeiras. Arias terminou a partida com participação direta na construção do segundo gol, dando a assistência para Andreas Pereira.
A escolha também faz sentido pelo histórico do jogador. No Fluminense, Arias passou boa parte de sua trajetória atuando pelo lado e se tornou um jogador muito acostumado a receber aberto, acelerar e depois buscar o meio.
No Palmeiras, Abel encontrou uma maneira de recuperar um pouco dessa característica.
Giay ajudou a dar equilíbrio
Giay também ganhou importância nesse novo desenho. Com uma linha de quatro defensores, o argentino participou mais da construção e deu suporte pelo lado direito. Isso permitiu que Arias tivesse liberdade para avançar sem deixar o setor completamente desprotegido.
É uma diferença importante em relação ao que acontecia com Allan. O Palmeiras não colocou um jogador para “ser Allan”. Distribuiu as tarefas.
Giay oferece equilíbrio, Maurício ajuda por dentro e Arias assume parte da criação pelo lado. Andreas também participa da organização e chega à frente, enquanto Vitor Roque e Flaco López dão profundidade ao ataque.
A equipe passa a ter uma dinâmica diferente, mas não necessariamente menos opções.
A saída de Allan muda o Palmeiras
Essa talvez seja a principal conclusão do primeiro jogo. Allan era importante justamente porque reunia características que não estão concentradas em um único jogador do elenco. Tentar reproduzir tudo o que ele fazia provavelmente faria o Palmeiras perder outras qualidades.
Abel escolheu outro caminho. A mudança para uma linha de quatro defensores também ajudou a reorganizar a equipe.
O Palmeiras começou com Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Marlon Freitas, Andreas Pereira, Jhon Arias e Maurício; Vitor Roque e Flaco López.
A formação deixou claro que a ausência de Allan não significaria apenas uma troca de nomes. O sistema também poderia mudar. E o resultado contra o Santos deu bons sinais.
O Palmeiras controlou a partida, criou diversas oportunidades e venceu por 3 a 0. Giay ainda participou diretamente do terceiro gol, dando a assistência para Flaco López.
É verdade que uma partida não é suficiente para afirmar que a saída de Allan está totalmente resolvida. O adversário teve uma atuação ruim e ofereceu pouco perigo durante boa parte do confronto. Mas o primeiro teste foi positivo.
Abel ganhou uma alternativa, mas a temporada vai exigir mais
O Palmeiras não vai encontrar um novo Allan simplesmente colocando outro jogador no lugar dele. E talvez nem seja essa a necessidade.
Arias pode oferecer profundidade pelo lado. Maurício pode assumir mais responsabilidade por dentro. Giay pode ajudar na construção e no equilíbrio. Andreas Pereira também tem capacidade para participar mais do jogo.
São características diferentes das de Allan, mas que podem ser combinadas. A própria importância do jogador que saiu torna essa adaptação necessária. Foram 42 partidas disputadas em 2026 e 36 como titular antes da transferência para o Manchester City.
O primeiro jogo mostrou que Abel tem alternativas internas. Ainda será preciso observar como elas vão funcionar contra adversários que pressionem mais e ofereçam menos espaço.
Por enquanto, a principal resposta do treinador foi clara: não tentar reproduzir Allan, mas reorganizar o Palmeiras para que a equipe continue produzindo sem depender de uma única peça. Contra o Santos, a estratégia funcionou. O desafio, daqui para frente, será fazer essa nova versão do Palmeiras funcionar também quando o jogo exigir outras respostas.
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/Divulgação


