Durante boa parte de sua trajetória no Palmeiras, Allan esteve à sombra de nomes que alcançaram projeção internacional antes dele, como Endrick e Estêvão. A ascensão do atacante, porém, seguiu um caminho próprio e despertou o interesse do Manchester City para a disputa da Premier League e da UEFA Champions League. Aos 22 anos, o jogador formado na Academia se prepara para dar um dos maiores saltos de sua carreira, em uma transferência que pode alcançar cerca de 34 milhões de libras, segundo a Opta Analyst. O negócio reforça a evolução do atleta e sua crescente valorização no mercado.
O crescimento de Allan ganhou força principalmente a partir de sua evolução no time profissional. Um dos momentos destacados pela análise da Opta aconteceu na semifinal da Libertadores de 2025, quando o Palmeiras precisava reverter uma derrota por 3 a 0 para a LDU Quito. Na partida de volta, vencida pelo Verdão por 4 a 0, Allan foi protagonista por sua capacidade de acelerar as jogadas, conduzir a bola e atacar os espaços. Ele participou diretamente da construção do primeiro gol e sofreu o pênalti que ajudou a definir a classificação para a final, na qual o clube paulista acabou derrotado pelo Flamengo.
Esse perfil vertical é justamente uma das características que ajudam a explicar o interesse do Manchester City no brasileiro. Allan é canhoto, atua principalmente pela direita e tem o drible como uma de suas principais armas. No Campeonato Brasileiro de 2026, registra média de 4,98 dribles tentados por 90 minutos, ficando entre os dez jogadores que mais tentam esse tipo de ação entre aqueles com pelo menos 600 minutos. Sua taxa de sucesso também chama atenção: 55,8%, a 12ª melhor marca entre 69 atletas que realizaram ao menos 30 dribles.
Ainda mais impressionante é a capacidade de Allan superar vários adversários em uma mesma condução. O atacante soma 16 ações de múltiplos dribles na temporada, quatro a mais que qualquer outro jogador no recorte analisado pela Opta. Além disso, aparece na oitava posição entre os atletas do Brasileirão em conduções progressivas de pelo menos dez metros, com 72 registros. Os números mostram um jogador capaz de transformar recuperações de bola em avanços imediatos, romper linhas defensivas com velocidade e criar espaços por meio de sua habilidade individual.
A versatilidade também pesa na avaliação do Manchester City. Embora seja mais conhecido por atuar como ponta direita, Allan já exerceu funções mais recuadas e chegou a jogar como lateral-direito pelo Palmeiras durante o Mundial de Clubes de 2025. Abel Ferreira destacou justamente sua capacidade de participar das ações ofensivas e defensivas ao longo de todo o corredor. Essa característica amplia suas possibilidades táticas e ajuda a explicar por que o jogador desperta interesse em um futebol de alto nível, cada vez mais exigente e dinâmico.
Os números defensivos reforçam essa percepção. Allan soma 57 recuperações de posse no Brasileirão de 2026, ocupando a nona posição entre atacantes e pontas no levantamento da Opta. Também registra 1,7 tentativa de desarme por 90 minutos, índice que o coloca em 13º nesse mesmo grupo. Sua participação, portanto, não se limita ao ataque. Quando o Palmeiras perde a bola, Allan demonstra intensidade para pressionar os adversários, recompor rapidamente o setor e colaborar na recuperação da posse.
Isso não significa, contudo, que Allan chegará à Inglaterra como um jogador pronto. Sua produtividade ofensiva ainda apresenta margem de evolução. A Opta aponta média de 1,27 chances criadas em bola rolando por 90 minutos no Brasileirão, fora do grupo dos 20 melhores nesse quesito. Desde o início de 2025, seus 12 envolvimentos em gols também são inferiores aos de quatro jogadores do próprio Palmeiras. Seu índice combinado de gols esperados e assistências esperadas, sem considerar pênaltis, é de 0,21 por 90 minutos no período.
É justamente nesse equilíbrio entre potencial e margem de crescimento que está parte do atrativo de Allan para o Manchester City. A saída de Savinho para o Tottenham abriu espaço no setor ofensivo, enquanto o brasileiro apresenta características diferentes, mas complementares às necessidades de um elenco que valoriza jogadores versáteis. A possível transferência também reforça a relação recente entre os clubes, marcada pela negociação de Vitor Reis. Nesse cenário, o atacante surge como uma alternativa capaz de oferecer profundidade, intensidade e novas possibilidades ao sistema ofensivo da equipe inglesa.
O desafio será levar para o futebol inglês aquilo que Allan construiu no Palmeiras: intensidade, drible, versatilidade e capacidade de condução. No Manchester City, a concorrência será maior e a exigência tática também, mas o brasileiro chega com atributos capazes de abrir portas. Mais do que uma aposta baseada apenas em números ofensivos, Allan representa um jogador de 22 anos capaz de atacar, defender e ocupar diferentes zonas do campo. Foi essa combinação que o fez deixar de ser apenas mais uma promessa da Academia para se tornar o novo talento a chamar a atenção dos Citizens.

Como Allan decidiu rumar para o Manchester City na temporada 2026/27 para fortalecer ainda mais o elenco de Enzo Maresca
A decisão de Allan de deixar o Palmeiras e rumar ao Manchester City representa um dos movimentos mais importantes de sua jovem carreira e também se encaixa na reconstrução de um clube que inicia uma nova etapa em 2026/27. O brasileiro foi contratado por cerca de 34 milhões de libras, em uma negociação que ganhou força em agosto, e chega a Manchester como uma aposta de futuro para o elenco comandado por Enzo Maresca.
A escolha pelo Manchester City acontece justamente quando o clube precisa encontrar respostas para uma das maiores mudanças de sua história recente: a saída de Pep Guardiola. Depois de anos sob o comando do catalão, o City iniciou uma transição com Maresca, italiano que conhece profundamente a estrutura do clube e trabalhou como auxiliar do espanhol na histórica temporada da Tríplice Coroa de 2022/23. A diretoria aposta, portanto, em alguém familiarizado com a filosofia construída durante a era anterior, mas que terá a missão de adaptá-la às novas características do elenco.
A estreia na Premier League mostrou o tamanho do desafio. O Manchester City precisou buscar uma virada por 2 a 1 sobre o Bournemouth, com gols de Marc Guehi e Josko Gvardiol nos minutos finais, depois de passar mais de 80 minutos em desvantagem. O resultado deu a Maresca um começo positivo, mas também evidenciou que a equipe ainda está construindo uma nova identidade após a saída de Guardiola.
É nesse processo que Allan ganha importância. O atacante formado pelo Palmeiras chega para oferecer velocidade, drible e capacidade de atuar aberto pelo lado direito, características consideradas necessárias diante das mudanças no setor ofensivo. A saída de Savinho para o Tottenham abriu espaço para um jogador com perfil explosivo, capaz de atacar no um contra um e ampliar as alternativas ofensivas de Maresca.
A contratação de Allan também simboliza uma mudança na estratégia do Manchester City. O clube passou a combinar jogadores estabelecidos com jovens de grande potencial. Além do brasileiro, chegaram Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, contratado do Lille, e Elliot Anderson. A intenção é montar um elenco competitivo no presente, mas preparado para sustentar um novo ciclo nos próximos anos.
Para Allan, a oportunidade significa entrar em um ambiente de enorme exigência, mas também em um projeto no qual poderá crescer gradualmente. A ideia não é necessariamente transformá-lo em titular imediato, e sim ampliar as opções de Maresca com um jogador versátil, intenso e ainda em desenvolvimento. No Palmeiras, ele acumulou 96 partidas e nove gols, sendo seis deles em 2026, números que ajudaram a convencer o clube inglês de seu potencial.
O Manchester City, portanto, tenta atravessar o fim da era Guardiola não apenas preservando conceitos do passado, mas renovando seu elenco. Allan representa exatamente essa combinação: um talento jovem, vindo de uma das principais academias do futebol brasileiro, escolhido para ajudar Maresca a construir o futuro. Em uma temporada marcada por incertezas, o brasileiro chega como uma das peças que podem ajudar os Citizens a transformar a ruptura com o espanhol no início de um novo ciclo vencedor.

Será que Allan poderá se adaptar rapidamente à Premier League?
A chegada de Allan ao Manchester City coloca o jovem brasileiro diante de um dos maiores desafios de sua carreira: adaptar-se rapidamente ao futebol inglês e, ao mesmo tempo, conquistar espaço no novo projeto comandado por Enzo Maresca. O acordo entre o clube inglês e o Palmeiras, fechado em agosto por cerca de 40 milhões de euros, mostra que o City vê no jogador não apenas uma promessa, mas uma alternativa capaz de contribuir para a renovação do elenco.
A adaptação, porém, será um dos principais desafios. A Premier League exige intensidade física, rapidez nas decisões e resistência diante de um calendário pesado. Allan ainda precisará assimilar os movimentos de uma equipe em transformação após a saída de Pep Guardiola. Maresca conhece a filosofia anterior, mas busca implementar suas próprias ideias, exigindo rápida compreensão do novo modelo pelos reforços.
Por outro lado, Allan chega com características que podem facilitar esse processo. No Palmeiras, o brasileiro demonstrou capacidade para atuar pelo corredor, participar da construção ofensiva e também ajudar defensivamente. Essa versatilidade foi um dos fatores que despertaram o interesse do Manchester City. A análise sobre sua contratação destaca que ele pode oferecer ao treinador uma combinação de ponta, meio-campista e jogador de apoio defensivo, dependendo da situação da partida.
Outro ponto favorável é a possibilidade de Allan não precisar assumir a titularidade de imediato. A tendência é que seja utilizado na rotação ofensiva, ganhando minutos progressivamente enquanto se adapta ao futebol inglês e às exigências de Maresca. A reconstrução do City também pode ajudá-lo, já que o clube vem apostando em jovens talentos, como Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, para construir seu próximo elenco.
Assim, Allan tem condições de acelerar sua adaptação se conseguir transformar sua velocidade, capacidade de drible, intensidade e versatilidade em respostas dentro do campo. A Premier League será um salto de nível, mas o projeto de Maresca oferece ao brasileiro espaço para crescer sem a pressão de precisar ser protagonista desde o primeiro dia.
(Foto: Getty Images)



