A saída de Gonzalo Plata para o Dínamo de Moscou coloca o Flamengo diante de um problema que vai além da simples reposição numérica. O equatoriano, de 25 anos, está sendo negociado por cerca de € 12 milhões e deixa um elenco que também pode perder Everton Cebolinha, aumentando a necessidade de encontrar alternativas para os lados do ataque.
O cenário atual, porém, é de busca, não de definição. O Flamengo sabe que precisa contratar um ponta-direita, mas ainda não estabeleceu publicamente um nome como substituto direto de Plata. A diretoria trabalha com cautela no mercado e tenta evitar uma contratação de impacto apenas pelo nome, sobretudo diante do volume de compromissos financeiros assumidos em janelas anteriores. O clube encerrou o primeiro semestre com R$ 614,5 milhões a pagar em transferências, o que ajuda a explicar uma postura mais seletiva.
A urgência, por outro lado, é evidente. O Flamengo tem até 4 de setembro para inscrever reforços nas quartas de final da Libertadores, o que transforma os próximos dias em uma corrida contra o relógio.
O substituto não precisa ser outro Plata
A principal questão para Leonardo Jardim e para o departamento de futebol é definir o que exatamente precisa ser reposto. Plata oferecia velocidade, capacidade de jogar aberto, condução para dentro e, principalmente, a possibilidade de atacar o espaço pelo lado direito sem obrigar o restante do sistema a mudar completamente.
Por isso, simplesmente contratar outro ponta-direita não necessariamente resolverá o problema. O Flamengo pode procurar um jogador com características semelhantes, mas também pode enxergar a saída do equatoriano como uma oportunidade para modificar a dinâmica do setor ofensivo.
Um atacante mais associativo, por exemplo, poderia permitir que o Flamengo concentrasse a criação por dentro e utilizasse a amplitude de outra maneira. Já um ponta mais agressivo no um contra um poderia reproduzir parte do impacto individual que Plata proporcionava.
Um dos nomes que começou a aparecer no radar é Anthony Valencia, do Royal Antwerp. O equatoriano de 23 anos atua preferencialmente pelo lado direito, é canhoto e tem justamente o perfil de atacante que pode receber aberto e buscar a jogada para dentro.
Valencia também representa uma alternativa alinhada à ideia de buscar um jogador mais jovem, com potencial de valorização, em vez de necessariamente investir em uma estrela estabelecida. Na atual temporada, ele já soma três gols pelo Antwerp, embora ainda tenha uma amostra relativamente pequena de partidas.
Não se trata, neste momento, de dizer que Valencia é o substituto de Plata. Ele é um nome que pode aparecer no radar, e essa diferença é importante. O Flamengo ainda não tem um negócio definido e precisa avaliar custo, adaptação e capacidade de entregar imediatamente o que o time necessita.
A solução pode estar dentro do elenco
Outra possibilidade é o Flamengo não tentar reproduzir Plata de maneira literal. Luiz Araújo continua sendo uma alternativa natural para o lado direito, enquanto o próprio desenho de Jardim pode permitir que outros jogadores ocupem aquele espaço dependendo do adversário.
O problema é que a saída de Plata acontece simultaneamente a outras movimentações ofensivas. Wallace Yan também está encaminhado para deixar o clube rumo ao Red Bull Bragantino, enquanto Cebolinha já recebeu autorização para negociar. Assim, a questão deixou de ser apenas “quem substitui Plata?” e passou a ser como manter a profundidade de um elenco que pode perder três peças ofensivas.
O Flamengo está em uma posição curiosa. Financeiramente, não pode transformar a venda de Plata em justificativa para sair gastando imediatamente. Esportivamente, entretanto, não pode simplesmente aceitar a perda de uma peça importante sem reposição, principalmente com Brasileirão e Libertadores entrando na reta decisiva.
A tendência, portanto, é que nomes ainda não especulados com força apareçam nos próximos dias. O próprio histórico recente mostra que o Flamengo tentou jogadores de maior impacto, como Luiz Henrique e Almada, mas passou a adotar uma postura mais conservadora depois das dificuldades encontradas nas negociações.
O ponto central é que o Flamengo ainda não escolheu seu novo Plata, e talvez nem queira escolher um novo Plata. A prioridade é encontrar um jogador que faça sentido dentro da estrutura de Leonardo Jardim, seja financeiramente viável e possa ser inscrito a tempo da Libertadores.
E essa última exigência pode ser justamente o fator que definirá a contratação. Com pouco mais de uma semana para resolver a situação, o Flamengo não procura apenas um nome interessante no mercado. Procura a peça certa para não transformar uma venda lucrativa em uma perda esportiva.
(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)



