Alexander Isak chegou ao Liverpool cercado por expectativas gigantescas. O atacante sueco foi contratado por £125 milhões, tornando-se o jogador mais caro da história da Premier League. Por isso, é natural que cada atuação seja acompanhada de perto, principalmente depois de uma primeira temporada em Anfield marcada por lesões e números abaixo do esperado.
Agora, sob o comando de Andoni Iraola, o desafio é diferente. O treinador precisa encontrar uma maneira de fazer com que Isak volte a ser o atacante decisivo que impressionou durante sua passagem pelo Newcastle.
Nos dois primeiros jogos da temporada, o Liverpool empatou por 2 a 2 contra Newcastle e Nottingham Forest. A equipe mostrou poder de reação, mas também apresentou problemas ofensivos e dificuldades para transformar o domínio da posse de bola em oportunidades claras.
Para Isak, a situação é ainda mais complexa. Contra o Forest, o sueco marcou, mas passou boa parte da partida praticamente isolado. No primeiro tempo, teve apenas seis toques na bola, acertou somente um passe e não conseguiu finalizar.
O gol no segundo tempo foi importante para recuperar a confiança, mas não resolveu a principal questão: como fazer o Liverpool jogar de uma maneira que favoreça seu centroavante?
Isak precisa voltar a ser o centro do ataque

A diferença entre o Isak do Newcastle e o Isak do Liverpool ajuda a explicar o problema.
Nas duas últimas temporadas pelo Newcastle, o atacante marcou 44 gols na Premier League. Em seu primeiro ano no Liverpool, porém, balançou as redes apenas três vezes em 14 partidas pela competição.
A principal explicação está nas lesões, que limitaram sua participação e impediram que tivesse uma sequência consistente.
No Newcastle, Isak era uma referência muito mais clara para os companheiros. A equipe sabia como encontrá-lo, principalmente em situações de transição rápida. O atacante tinha espaço para atacar e conseguia aproveitar sua velocidade, movimentação e capacidade de finalização.
No Liverpool, esse entrosamento ainda não apareceu.
O ex-goleiro inglês Joe Hart destacou justamente essa diferença. Segundo ele, no Newcastle existia uma relação de confiança construída ao longo do tempo entre Isak e os jogadores do meio-campo. Os companheiros sabiam onde o atacante estaria e conseguiam procurá-lo rapidamente.
Em Liverpool, essa conexão ainda está sendo construída.
O problema ficou evidente contra o Nottingham Forest. Mesmo com a equipe tendo 70% de posse de bola, Isak teve pouca participação no primeiro tempo.
Esse dado é importante porque mostra que ter a bola não significa necessariamente conseguir colocar o centroavante em boas condições para finalizar.
O gol marcado no segundo tempo, entretanto, mostrou uma das características que fizeram o Liverpool investir tanto no jogador. Isak fez uma movimentação inteligente, atacou o espaço no momento correto e apareceu para finalizar o cruzamento de Cody Gakpo.
Foi seu primeiro gol na temporada e também um momento importante para recuperar a confiança.
Para um centroavante, gols têm um peso enorme para recuperar confiança. O próprio Isak reconheceu que sua principal função é marcar e afirmou estar feliz por ter balançado as redes.
Agora, a missão de Iraola é fazer com que esse tipo de situação aconteça com muito mais frequência.
O estilo de Iraola também precisa se adaptar ao Liverpool

Existe ainda uma questão maior envolvendo a chegada de Iraola ao Liverpool.
O treinador construiu uma identidade no Bournemouth baseada em pressão, intensidade e transições rápidas. O problema é que o Liverpool provavelmente terá muito mais posse de bola do que suas equipes anteriores.
Na última temporada, o Bournemouth venceu apenas quatro dos 19 jogos em que teve a maior posse de bola. Nos outros 19 jogos, conseguiu nove vitórias.
Além disso, a equipe não venceu nenhuma partida na qual teve mais de 58,8% de posse de bola.
Isso demonstra uma característica importante do trabalho de Iraola. Seus times eram particularmente perigosos quando podiam pressionar, recuperar a bola e atacar rapidamente os espaços.
No Liverpool, essa situação muda.
A equipe de Anfield será frequentemente obrigada a enfrentar adversários fechados, com pouco espaço para contra-ataques. Nesse cenário, será necessário encontrar maneiras de construir jogadas com paciência e, principalmente, fazer a bola chegar ao centroavante.
Essa mudança de contexto pode explicar parte das dificuldades de Isak.
Contra Newcastle e Nottingham Forest, o Liverpool teve respectivamente 60% e 70% de posse de bola, mas não conseguiu transformar esse domínio territorial em controle absoluto das partidas. Nas duas ocasiões, a equipe sofreu dois gols e precisou buscar o empate.
Além disso, ainda não conseguiu terminar uma partida da Premier League desta temporada em vantagem.
Isso aumenta a pressão sobre Iraola.
O treinador precisa encontrar uma maneira de fazer o Liverpool ser mais criativo com a bola sem perder as características de intensidade que fazem parte de sua filosofia. Ao mesmo tempo, precisa fazer Isak participar mais das jogadas.
A contratação de um jogador por £125 milhões aumenta ainda mais essa responsabilidade.
O Liverpool não investiu uma quantia desse tamanho para ter Isak isolado na frente. O atacante precisa ser uma das principais referências ofensivas da equipe, principalmente depois da saída de Mohamed Salah e com Hugo Ekitike atualmente lesionado.
Desde sua primeira temporada na Inglaterra, apenas Erling Haaland, Mohamed Salah e Ollie Watkins marcaram mais gols na Premier League do que Isak. Isso mostra que existe uma capacidade comprovada de produção ofensiva.
O desafio é reproduzir esse rendimento em Anfield.
Para isso, Iraola terá que tomar uma decisão importante: construir parte do sistema ao redor das características de Isak ou buscar uma maneira diferente de utilizar o elenco.
A tendência é que o Liverpool precise fazer a primeira opção valer a pena. Afinal, não faz sentido investir £125 milhões em um atacante e depois utilizar um sistema que não potencialize suas principais qualidades.
O empate contra o Nottingham Forest trouxe um pequeno alívio porque Isak finalmente marcou, mas também deixou claro que ainda existe muito trabalho pela frente.
O gol mostrou que o sueco continua tendo qualidade para decidir. Sua movimentação e sua capacidade de atacar espaços permanecem importantes. Porém, os poucos toques na bola durante boa parte da partida indicam que o Liverpool ainda precisa encontrar caminhos para envolvê-lo.
A temporada está apenas começando, e Isak terá tempo para recuperar seu melhor nível. Mas a pressão já está presente.
Com Salah fora, Ekitike lesionado e Barcola chegando para reforçar o ataque, o Liverpool precisa distribuir melhor sua produção ofensiva. E, nesse cenário, Alexander Isak precisa deixar de ser apenas um jogador caro e voltar a ser o protagonista que justificou o investimento histórico.
Para Iraola, encontrar essa resposta pode ser uma das decisões mais importantes de sua primeira temporada em Anfield.
(Foto de capa: Getty Images Sport)



