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Liverpool expõe fragilidade nas laterais e pode pagar caro por não reforçar o setor

O início da era Andoni Iraola no Liverpool trouxe um sinal de alerta que vai além dos resultados. Depois de dois empates por 2 a 2 contra Newcastle e Nottingham Forest, a equipe mostrou capacidade de reação, mas também deixou evidente uma deficiência que pode comprometer seus objetivos ao longo da temporada: o desempenho dos laterais.

Enquanto o clube concentrou seus esforços no mercado de transferências para reforçar o ataque e a defesa central, as laterais acabaram ficando em segundo plano. A chegada de nomes como Bradley Barcola e Victor Muñoz aumenta as opções ofensivas, enquanto Jérémy Jacquet e Ronald Araújo acrescentam alternativas para a zaga. Porém, nas laterais, o cenário é praticamente o mesmo.

Jeremie Frimpong e Milos Kerkez foram contratados para ocupar posições que anteriormente pertenciam a Trent Alexander-Arnold e Andy Robertson. O problema é que, até agora, a comparação é desfavorável aos novos jogadores.

A antiga dupla não era responsável apenas pela proteção defensiva. Alexander-Arnold e Robertson tinham participação enorme na construção das jogadas, nos cruzamentos e na criação de oportunidades. Durante seus melhores anos juntos, os dois se tornaram uma das principais armas ofensivas do Liverpool.

Na temporada 2024/25, mesmo considerada abaixo dos padrões anteriores, a dupla participou diretamente de 14 gols. Na campanha anterior, foram 19 participações, enquanto em 2022/23 chegaram a 26.

Frimpong e Kerkez, por outro lado, tiveram apenas oito participações em gols somando suas contribuições na última temporada. E os números das primeiras partidas da nova campanha aumentaram a preocupação.

Frimpong e Kerkez ainda não conseguiram substituir Alexander-Arnold e Robertson

Liverpool Frimpong
Getty Images

A saída de Alexander-Arnold e Robertson representa uma mudança muito maior do que simplesmente trocar dois jogadores por outros dois. Durante anos, os laterais foram peças fundamentais no funcionamento do Liverpool.

Alexander-Arnold oferecia qualidade técnica e capacidade de criação. Robertson, por sua vez, combinava intensidade, velocidade e força para atacar o espaço. Juntos, tinham liberdade para avançar e transformar as laterais em uma das principais rotas ofensivas da equipe.

Frimpong chegou ao Liverpool justamente com a reputação de ser um jogador extremamente ofensivo. No Bayer Leverkusen, ele teve papel importante na campanha histórica de 2023/24, quando a equipe conquistou a dobradinha nacional sob o comando de Xabi Alonso. Naquele período, participou diretamente de 24 gols em todas as competições.

Entretanto, o problema é que Frimpong estava acostumado a atuar como ala, muitas vezes em uma posição mais avançada. Isso significa que suas responsabilidades defensivas eram diferentes das que passou a ter no Liverpool.

Nos primeiros jogos da temporada, essa dificuldade ficou evidente. Frimpong venceu apenas seis dos 13 duelos pelo chão e registrou sete ações defensivas. Além disso, ainda não demonstrou a leitura necessária para evitar algumas das situações perigosas criadas pelos adversários.

Kerkez também não conseguiu transmitir segurança. O lateral já havia apresentado algumas oscilações na temporada anterior e começou a nova campanha de maneira preocupante.

Contra o Newcastle, por exemplo, foi superado por Anthony Elanga na jogada que terminou no primeiro gol da partida. A atuação reforçou a percepção de que o Liverpool ainda não encontrou uma solução confiável para a posição.

O problema não está apenas na defesa. Os números ofensivos também preocupam.

Contra Newcastle e Nottingham Forest, Frimpong e Kerkez tentaram juntos 13 cruzamentos, mas apenas um encontrou o destino. Além disso, a dupla acumulou somente 0,17 de gols esperados e assistências esperadas nos dois jogos.

Isso mostra uma queda importante na produção dos laterais.

Para uma equipe que pretende disputar os principais títulos, não basta que os defensores evitem gols. Eles também precisam contribuir para a criação das jogadas, principalmente quando o adversário fecha os espaços pelo centro.

Liverpool ainda pode corrigir o problema, mas o tempo está acabando

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Foto: REUTERS/Scott Heppell

A situação ganha ainda mais importância porque o Liverpool decidiu investir pesado em outras áreas do elenco.

O clube concentrou seus esforços principalmente na contratação de atacantes pelos lados. Bradley Barcola está próximo de chegar e Victor Muñoz também aparece como uma nova opção para o setor ofensivo.

A defesa central também recebeu atenção, com Jérémy Jacquet e Ronald Araújo chegando para aumentar as alternativas de Iraola.

Porém, a lateral direita ficou sem uma nova contratação porque o Liverpool pretende preservar o espaço de Conor Bradley.

O jovem lateral é considerado uma peça importante para o presente e principalmente para o futuro do clube. Atualmente, ele está afastado por lesão desde janeiro, mas, quando estiver recuperado, deverá disputar a posição.

Nesse contexto, o Liverpool parece disposto a aceitar algumas atuações irregulares de Frimpong para não bloquear o desenvolvimento de Bradley.

A situação na esquerda, porém, é mais preocupante.

Depois da saída de Robertson para o Tottenham Hotspur sem custos, o Liverpool deveria ter considerado uma reposição mais forte. Kerkez ainda não conseguiu apresentar regularidade suficiente, enquanto Kostas Tsimikas também não aparece como uma alternativa capaz de oferecer o mesmo nível.

O grego retornou ao clube depois de um empréstimo pouco convincente pela Roma. Aos 30 anos, disputou apenas 25 partidas em todas as competições e não conseguiu se destacar durante sua passagem pela equipe italiana.

Isso deixa o Liverpool com poucas opções caso Kerkez tenha problemas físicos, suspensão ou simplesmente não consiga melhorar seu desempenho.

O momento é especialmente delicado porque a janela de transferências ainda está aberta, mas o prazo para mudanças está próximo. O clube ainda pode tentar encontrar uma solução antes do fechamento do mercado em 1º de setembro, mas, até o momento, não há indicação de que outro defensor será contratado.

Para Iraola, essa situação representa um desafio significativo.

O treinador precisa fazer Frimpong e Kerkez evoluírem rapidamente, ao mesmo tempo que adapta o sistema às características dos dois. Também será necessário encontrar uma maneira de manter o Liverpool perigoso pelos lados mesmo sem contar com a qualidade que Alexander-Arnold e Robertson ofereciam.

A questão não significa que o Liverpool esteja condenado ao fracasso. O elenco possui jogadores de qualidade e ainda terá tempo para melhorar a organização sob o novo treinador. No entanto, os primeiros jogos mostram uma tendência que não pode ser ignorada.

A equipe sofreu 3,88 gols esperados somando as partidas contra Newcastle e Nottingham Forest e teve dificuldades tanto defensivamente quanto na criação pelas laterais.

O ataque ganhou reforços importantes e a zaga também recebeu novas opções. Mas, se Frimpong e Kerkez não conseguirem elevar rapidamente seu nível, as laterais podem se transformar no ponto mais vulnerável do Liverpool.

A antiga dupla formada por Alexander-Arnold e Robertson deixou um padrão muito alto. Substituí-los nunca seria uma tarefa simples, mas o Liverpool precisa encontrar respostas rapidamente.

Com o fechamento da janela se aproximando, a diretoria terá uma decisão importante pela frente: confiar que os jogadores atuais vão evoluir ou voltar ao mercado para reforçar uma posição que já começa a apresentar sinais claros de fragilidade.

(Foto de capa: Martin Rickett/PA Images via Getty Images)

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Kaique