Coritiba x Remo
Futebol Brasileirão

Coritiba na Libertadores? Saiba por que o Coxa pode sonhar mais alto

O Coritiba começa a olhar para cima. Campeão da Série B em 2025, o Coxa entrou na temporada com uma missão natural: se estabelecer novamente na elite. Depois de 25 rodadas, porém, o cenário permite uma discussão diferente. A equipe tem condições de brigar por algo maior?

A vitória por 3 a 2 sobre o Remo, na última segunda-feira (31), ajuda a responder. Não porque o Coritiba tenha feito uma partida impecável. Longe disso. A equipe teve dificuldades para controlar o meio-campo, sofreu a virada e precisou buscar novamente o resultado.

A diferença está justamente aí. O Coritiba não desmoronou quando a partida saiu do seu controle.

O que mudou no Coritiba

Há uma característica que começa a se repetir na campanha: mesmo quando não joga bem, a equipe consegue permanecer competitiva. Contra o Remo, isso ficou evidente.

O adversário teve períodos de domínio e colocou o Coxa em situação complicada. Ainda assim, o time encontrou soluções durante a partida e terminou com três pontos importantes fora de casa.

Paulo Roberto foi decisivo ao entrar e participar diretamente dos dois gols que construíram a virada. Pedro Morisco também apareceu em um momento importante ao defender um pênalti, mesmo que o gol tenha saído no rebote.

São lances que ajudam a explicar a posição atual na tabela. O sétimo lugar, com 37 pontos, não foi construído apenas com atuações convincentes. Também nasceu da capacidade de sobreviver aos jogos ruins.

A campanha fora de casa chama atenção

Outro dado reforça a possibilidade de uma arrancada. O Coritiba tem a terceira melhor campanha como visitante no Brasileirão. É uma característica valiosa em uma competição longa, porque reduz a dependência de resultados no Couto Pereira.

Ao mesmo tempo, o Coxa está a apenas três pontos do Bahia, que fecha o G-5, e cinco do Fluminense, último integrante do G-4. Não é uma distância que obrigue o clube a falar em Libertadores. Mas já é pequena demais para ignorar a possibilidade.

Ainda falta controlar melhor as partidas

É importante não transformar a boa fase em algo que ela ainda não é. Contra o Remo, o Coritiba expôs limitações que podem impedir uma arrancada maior. A equipe sofreu para controlar o setor central, passou períodos sem conseguir impor seu ritmo e permitiu que o adversário crescesse depois de abrir vantagem.

Contra adversários mais qualificados, esses momentos podem custar caro. O próximo passo de Fernando Seabra será reduzir essas oscilações. Existe uma diferença importante entre conseguir reagir a um problema e não permitir que ele aconteça.

O Coritiba já mostrou a primeira capacidade. Para disputar uma vaga na Libertadores, precisará desenvolver a segunda.

A tabela permite pensar grande

É aí que o cenário fica interessante. Com 37 pontos, o Coritiba abriu 12 de vantagem para o Z-4. A preocupação com permanência na Série A, natural para um recém-promovido, começa a perder espaço.

O foco pode mudar. A Libertadores não precisa virar uma obrigação. Basta reconhecer que a campanha criou essa possibilidade. E ainda há tempo para uma arrancada.

No próximo domingo (6), às 11h, o Coritiba recebe o Mirassol, no Couto Pereira, pela 26ª rodada. É exatamente o tipo de partida que uma equipe que pretende se aproximar dos primeiros colocados precisa transformar em pontos.

Se vencer, continuará pressionando quem está à frente.

O mais importante não está na tabela

Talvez a maior mudança esteja na percepção sobre o próprio Coritiba. A equipe deixou de jogar apenas para não perder. Agora, mesmo quando encontra dificuldades, demonstra acreditar que pode buscar o resultado.

Isso muda a postura de um grupo. O triunfo sobre o Remo foi simbólico porque mostrou um Coritiba capaz de reagir fora de casa, sob pressão e sem precisar dominar os 90 minutos.

Não é garantia de Libertadores. É, porém, uma característica que ajuda a explicar por que um recém-promovido pode competir acima das expectativas.

Até onde esse Coritiba pode chegar?

A resposta depende de evolução. Se continuar concedendo tanto controle aos adversários, a distância para os primeiros colocados pode aumentar rapidamente. Por outro lado, se transformar a capacidade de reação em maior domínio das partidas, a briga pode ficar ainda mais interessante.

O Coritiba tem 13 rodadas pela frente para descobrir. A Libertadores ainda é um sonho, não uma realidade.

Mas, depois de 25 rodadas, já não parece exagero falar sobre ela. O Coxa não precisa transformar a Libertadores em obrigação. Precisa apenas aproveitar o momento que construiu para descobrir até onde pode chegar.

Foto: JP Pacheco | Coritiba | Divulgação