O Santos não colocou a temporada em risco apenas por ter sido eliminado pelo Palmeiras nas quartas de final da Copa do Brasil de 2026. O problema começou antes, nas escolhas que fizeram o clube chegar ao segundo jogo precisando de uma reação praticamente perfeita.
Poupar jogadores faz parte de uma temporada longa. O erro está em fazer isso quando a margem para corrigir a decisão é mínima. Contra o Palmeiras, o Santos escolheu correr esse risco e acabou transformando um confronto difícil em uma missão muito maior do que precisava ser.
O primeiro jogo pesou mais do que parece
Na ida, Neymar não esteve à disposição e Gabigol começou no banco. O Santos perdeu por 3 a 0 e praticamente encerrou ali sua possibilidade de controlar a eliminatória.
O problema não é simplesmente dizer que, com Neymar e Gabigol, o resultado seria diferente. Não há como garantir isso. A questão é que o planejamento colocou o time em uma situação na qual qualquer erro posterior seria fatal.
Na volta, Cuca colocou força máxima e o comportamento foi outro. O Santos competiu, pressionou e mostrou que tinha condições de fazer um jogo muito mais difícil para o Palmeiras. Mas não marcou. O 0 a 0 deixou evidente que a equipe também carrega problemas ofensivos que nenhuma escalação resolve sozinha.
Quando a postura melhorou, apareceu outro problema
Essa talvez seja a principal conclusão da eliminação. O Santos precisava mostrar que a derrota por 3 a 0 havia sido um acidente de postura. Na Vila, mostrou. Mas também descobriu que competir melhor não significa necessariamente conseguir vencer.
O time ainda precisa criar mais, finalizar melhor e encontrar alternativas quando Neymar não consegue decidir. A lesão do camisa 10 durante a partida tornou esse ponto ainda mais evidente.
Por isso, seria injusto colocar toda a eliminação na conta de Cuca. A escolha de planejamento aumentou a dificuldade, mas o desempenho da equipe também mostrou que existe uma questão estrutural a ser corrigida.
O calendário agora cobra a conta
A consequência aparece imediatamente. O Santos está em 14º no Brasileirão, com 29 pontos, apenas quatro acima do Vasco, primeiro dentro da zona de rebaixamento.
E o próximo compromisso já tem peso enorme: domingo, o Santos enfrenta o Internacional, no Beira-Rio, pela 26ª rodada. O time gaúcho está em 18º, com 25 pontos.
Não é apenas mais uma partida. É um confronto entre duas equipes que precisam desesperadamente somar pontos, e o Santos chega a ele depois de perder uma competição na qual ainda tinha condições de avançar.
O Santos precisa aprender com o próprio erro
A eliminação da Copa do Brasil não deveria servir apenas para apontar que o Palmeiras foi superior no confronto. Ela precisa funcionar como um diagnóstico.
O Santos precisa entender que sua temporada não comporta mais decisões que aumentem desnecessariamente o grau de dificuldade dos jogos. Se o elenco não tem profundidade suficiente para disputar todas as frentes no mesmo nível, as prioridades precisam ser definidas com muito mais cuidado.
E, neste momento, o Brasileirão exige atenção especial. A distância para o Z-4 é curta, o próximo adversário está dentro dele e Neymar pode não estar disponível.
O maior erro do Santos, portanto, não foi poupar jogadores em uma partida. Foi não calcular corretamente o tamanho do risco que estava assumindo.
Agora não existe mais espaço para corrigir o planejamento da Copa do Brasil. Resta fazer diferente no Brasileirão — antes que quatro pontos de vantagem sobre o Z-4 se transformem em uma pressão ainda maior.
A temporada ainda pode ser salva, mas o Santos precisa parar de reagir às consequências e começar a antecipar os problemas.
Fotos: Raul Baretta/ Santos FC/ Divulgação



