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Automobilismo Fórmula 1

Descubra o fator que pode decidir o futuro de Fernando Alonso na Fórmula 1

Fernando Alonso voltou a colocar seu futuro na Fórmula 1 em discussão, mas deixou claro que a competitividade da Aston Martin não será o fator decisivo para determinar se continuará ou não no grid após o fim da temporada 2026.

O contrato do espanhol com a equipe de Silverstone termina no final deste ano, e as especulações sobre uma possível aposentadoria continuam acompanhando o bicampeão mundial. Mesmo depois de conquistar seu segundo resultado nos pontos da temporada no GP da Holanda, Alonso afirmou que um simples nono lugar não seria suficiente para convencê-lo a permanecer na categoria.

A grande questão, segundo o piloto de 45 anos, está em outro lugar: as próprias regras da Fórmula 1. Alonso nunca escondeu sua insatisfação com o regulamento técnico de 2026, especialmente com a maior dependência da energia elétrica e a redução da participação do motor de combustão. Para o espanhol, a atual geração de carros se afastou daquilo que ele considera ser a essência da Fórmula 1.

O desempenho da Aston Martin não será decisivo

O resultado conquistado em Zandvoort poderia ser interpretado como um sinal positivo para Alonso. Largando e chegando em uma posição intermediária, o espanhol conseguiu terminar em nono graças a uma estratégia de uma parada muito bem executada.

Foi apenas o segundo resultado nos pontos da Aston Martin em 2026, mas o desempenho chamou atenção porque aconteceu justamente após uma série de atualizações importantes no AMR26. Nas últimas duas etapas, em Hungaroring e Zandvoort, a equipe introduziu mudanças no chassi e também passou a utilizar evoluções relacionadas à unidade de potência Honda.

Alonso reconhece que houve progresso, principalmente no comportamento do carro nas curvas. Segundo o espanhol, as mudanças realizadas desde Budapeste mostraram que a Aston Martin está seguindo uma direção mais promissora. O objetivo agora é continuar desenvolvendo o conceito até transformar a equipe em uma das mais rápidas nas curvas. “Foi um bom impulso para todos, saber que pelo menos a direção que estamos tomando é a correta”, explicou Alonso.

O resultado de Zandvoort, portanto, serviu para confirmar uma das principais apostas da equipe. Mas não foi suficiente para mudar a posição do piloto sobre seu futuro. “Não. Obviamente, não podemos ficar felizes apenas com um P9, e acho que ninguém na equipe está feliz”, afirmou.

Para Alonso, a Aston Martin ainda precisa evoluir muito nos dois lados do carro: chassi e motor. O espanhol acredita que a unidade de potência Honda ainda não apresentou o salto esperado e que o comportamento do motor em Zandvoort dificultou a percepção de qualquer ganho significativo de potência. Isso faz de Monza um teste particularmente importante.

Monza pode revelar o verdadeiro nível do motor Honda

O circuito italiano será completamente diferente de Zandvoort. Enquanto a etapa holandesa favorece um carro com bom desempenho em curvas, Monza exige velocidade máxima, baixa resistência aerodinâmica e, principalmente, potência.

Por isso, Alonso acredita que a corrida italiana será uma oportunidade mais precisa para avaliar o progresso da unidade de potência Honda. Em Zandvoort, segundo o espanhol, foi difícil sentir qualquer grande avanço no motor. “A dirigibilidade foi um problema e foi difícil sentir a potência extra em Zandvoort”, explicou.

Monza, por outro lado, colocará a unidade de potência sob pressão durante longos períodos. Isso permitirá que Aston Martin e Honda entendam melhor onde estão em relação aos rivais. Ainda assim, Alonso sabe que não existe uma solução rápida. A equipe precisa melhorar o chassi e o motor para 2027, e isso é considerado obrigatório para que o projeto consiga alcançar suas ambições.

O espanhol também continua demonstrando confiança na parceria com a Honda. Apesar dos problemas enfrentados durante o primeiro ano do novo projeto, Alonso afirma que não tem dúvidas sobre a capacidade do fabricante japonês de recuperar terreno.

Segundo ele, as instalações da Honda no Japão estão entre as melhores disponíveis e a estrutura da empresa foi reforçada com profissionais que já participaram de projetos anteriores. A experiência acumulada, portanto, pode acelerar o processo. Mas Alonso não quer repetir uma espera de cinco anos.

Alonso quer mudanças nas regras da F1

É aqui que entra o principal fator que pode definir seu futuro. O espanhol deixou claro que sua decisão não será tomada simplesmente com base na posição da Aston Martin no campeonato. Se o carro for ruim, ele continuará trabalhando da mesma maneira. Se houver uma oportunidade de lutar por um pódio, fará o mesmo.

Para Alonso, a questão é mais profunda. “Para a minha decisão, como já disse, não é realmente sobre o carro”, afirmou. O espanhol explicou que continuará dando 100% independentemente da situação, seja brigando por uma posição no fim do grid ou disputando um pódio.

O problema está na direção tomada pela Fórmula 1. Alonso tem fortes críticas ao regulamento de 2026 e acredita que a categoria precisa recuperar algumas características que fizeram parte de sua identidade durante décadas. “Infelizmente, é o que é. Esta não é a Fórmula 1 com a qual crescemos e não é a Fórmula 1 que todos queremos. Pilotos, espectadores. Precisamos mudar algumas coisas”, declarou.

As regras de 2027 podem representar justamente essa oportunidade. Entre as alterações previstas está uma maior participação do motor de combustão, reduzindo parte da dependência elétrica que se tornou uma das marcas dos carros atuais. Para Alonso, a mudança é importante não apenas para melhorar o espetáculo, mas para aproximar novamente a categoria daquilo que ele considera a verdadeira Fórmula 1.

O espanhol sabe, entretanto, que essas mudanças não acontecerão imediatamente. Por isso, espera que sua experiência possa ser utilizada para ajudar a moldar o próximo conjunto de regulamentos. “Espero que possa contribuir de alguma forma para o próximo conjunto de regulamentos. Vamos voltar à verdadeira Fórmula 1”, afirmou.

O sonho da Aston Martin ainda convence Alonso

Apesar das críticas às regras atuais e dos resultados decepcionantes em 2026, Alonso continua demonstrando enorme confiança no projeto da Aston Martin. A equipe ocupa uma das últimas posições do campeonato e ainda está distante do nível que pretendia alcançar quando iniciou sua nova fase com a Honda. Mesmo assim, o espanhol não abandonou a esperança.

Alonso acredita que o fabricante japonês possui os recursos humanos e tecnológicos necessários para chegar ao nível competitivo esperado. O grande desafio será acelerar esse processo. A parceria Aston Martin-Honda começou com dificuldades justamente no momento em que entraram em vigor as novas regras. Para Alonso, a equipe simplesmente começou “com o pé esquerdo”.

Mas ele acredita que isso pode ser corrigido. “Não tenho dúvidas de que eles chegarão lá”, afirmou. O objetivo, porém, é evitar uma espera longa demais. Alonso lembrou que a Honda levou aproximadamente cinco anos para alcançar o nível necessário em seu projeto anterior. Desta vez, o espanhol quer que a evolução aconteça muito mais rapidamente. “Não queremos esperar cinco anos como da última vez. Queremos fazer isso em dois ou três anos, no máximo.”

Essa declaração resume a situação atual de Alonso. O espanhol não está necessariamente cansado da Fórmula 1. O que o incomoda é a direção técnica que a categoria tomou e a perspectiva de continuar competindo com carros que, em sua visão, não representam aquilo que deveria ser a essência do esporte.

Se as mudanças de 2027 trouxerem de volta uma Fórmula 1 mais próxima do que ele deseja, a possibilidade de permanecer no grid pode ganhar força. Se isso não acontecer, nem mesmo uma Aston Martin competitiva poderá ser suficiente para convencê-lo.

Monza, por enquanto, será apenas mais uma etapa desse processo. O desempenho do motor Honda será observado com atenção, mas a verdadeira decisão de Alonso será tomada olhando muito além de uma posição final. Aos 45 anos, com o recorde de 437 largadas em Grandes Prêmios, o bicampeão mundial sabe exatamente o que quer de seus últimos anos na categoria.

E, neste momento, o fator que mais pesa em sua escolha não é a Aston Martin. É saber se a Fórmula 1 de 2027 será uma categoria na qual Fernando Alonso ainda terá vontade de correr.

Foto: (Reprodução/ Fórmula 1)