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Futebol Premier League

Arsenal vence o Chelsea e mostra por que é o time a ser batido na Inglaterra

O Arsenal teve no último domingo um dos primeiros grandes testes da sua defesa de título na Premier League. Diante de um Chelsea que chegava embalado pelo forte início ofensivo de temporada, os atuais campeões precisaram lidar com um gol sofrido logo nos primeiros minutos, suportar a pressão adversária e sair da zona de conforto para conquistar uma importante vitória por 2 a 1 no Emirates Stadium.

O resultado teve um peso maior do que apenas os três pontos. O Chelsea vinha sendo uma das equipes mais comentadas do início da competição, principalmente pela qualidade apresentada em seu novo setor ofensivo. Com Xabi Alonso no comando e um trio formado por Morgan Rogers, Cole Palmer e João Pedro, os Blues haviam marcado sete gols nas duas primeiras partidas da Premier League.

Por isso, o confronto também era visto como um teste para o Arsenal. De um lado estava uma das defesas mais sólidas do campeonato. Do outro, um ataque que chegava cercado de expectativas. O Chelsea conseguiu criar dificuldades, principalmente no primeiro tempo, mas o Arsenal mostrou que possui recursos para vencer mesmo quando a partida não acontece da maneira que Mikel Arteta gostaria.

No fim, a sensação deixada pelo jogo foi clara: o Chelsea pode estar evoluindo e tem motivos para acreditar em seu projeto, mas o Arsenal continua alguns passos à frente na disputa entre as duas equipes.

Chelsea começou forte e colocou o Arsenal sob pressão

pedro neto chelsea x arsenal
Foto: Justin Setterfield/Getty Images

O início de partida não poderia ter sido melhor para o Chelsea. Com apenas 77 segundos de jogo, Morgan Rogers aproveitou uma oportunidade dentro da área e acertou uma finalização precisa para abrir o placar.

O gol mudou completamente o cenário esperado para a partida. O Arsenal, acostumado a controlar os jogos e construir suas vitórias com organização, precisou correr atrás do resultado logo nos primeiros minutos.

O Chelsea aproveitou esse momento para impor velocidade. A equipe foi agressiva nas transições e tentou explorar os espaços deixados pelo Arsenal. Durante parte do primeiro tempo, os Blues conseguiram transformar o confronto em uma partida aberta, intensa e com ataques acontecendo dos dois lados.

Rogers ainda teve uma nova oportunidade para ampliar, mas finalizou para fora. Pedro Neto acertou a trave e João Pedro ficou muito perto de alcançar um cruzamento perigoso de Cole Palmer dentro da área.

As oportunidades demonstravam que o Chelsea tinha capacidade para incomodar os campeões. No entanto, existe uma diferença importante entre criar sensação de perigo e realmente produzir grandes chances de gol.

Apesar da boa impressão deixada pelo ataque do Chelsea, os números mostraram que o Arsenal conseguiu limitar o rival. Os visitantes terminaram o primeiro tempo com seis finalizações, mas apenas 0,12 de gols esperados. Ou seja, o volume ofensivo existiu, mas poucas jogadas realmente apresentaram grande probabilidade de terminar em gol.

Essa capacidade de sofrer pressão sem perder completamente a organização é uma das características que ajudam a explicar a força do Arsenal.

Mesmo quando o jogo saiu do controle habitual da equipe, os Gunners conseguiram encontrar uma maneira de sobreviver ao momento mais perigoso do Chelsea.

Arsenal mostrou força para jogar de diferentes maneiras

Mikel Arteta, técnico do Arsenal. Foto: Getty Images
Mikel Arteta, técnico do Arsenal. Foto: Getty Images

Durante os últimos anos, o Arsenal de Mikel Arteta construiu uma identidade muito clara. A equipe gosta de controlar a posse de bola, ocupar os espaços de maneira organizada e diminuir as possibilidades dos adversários.

Contra o Chelsea, porém, a partida exigiu algo diferente.

Os atuais campeões precisaram aceitar a intensidade proposta pelos visitantes. E, ao invés de tentar diminuir o ritmo a qualquer custo, o Arsenal respondeu jogando no mesmo nível de energia.

Bukayo Saka e Christos Tzolis foram importantes pelos lados do campo. Ambos atacaram os espaços e buscaram jogadas diretas contra a defesa adversária. Declan Rice também teve liberdade para avançar e participar da construção ofensiva.

Martin Odegaard esteve constantemente envolvido nas jogadas, enquanto Kai Havertz teve uma atuação decisiva contra seu ex-clube.

Foi justamente Havertz quem marcou o gol de empate.

O atacante recebeu pela direita, encontrou espaço para cortar em direção ao meio e finalizou no canto do goleiro Emiliano Martínez. O gol foi o quarto de Havertz contra o Chelsea desde sua saída do clube, tornando os Blues o adversário contra quem ele mais marcou gols vestindo outras camisas.

O empate mudou o momento psicológico da partida.

O Chelsea havia começado com confiança e intensidade, mas o Arsenal demonstrou que poderia competir em qualquer tipo de cenário. A equipe não precisava necessariamente controlar a posse durante todos os minutos para ser perigosa.

Essa talvez tenha sido uma das principais mensagens deixadas pelo confronto. O Arsenal atual possui uma estrutura tão consolidada que consegue se adaptar às circunstâncias.

Se o adversário permite um jogo controlado, os Gunners controlam. Se o confronto se torna intenso e aberto, a equipe também possui jogadores capazes de acompanhar esse ritmo.

Defesa sólida e ataque criativo completam atuação de campeão

chelsea x arsenal
Foto: Ryan Pierse/Getty Images

O gol da vitória surgiu no segundo tempo e resumiu bem a qualidade coletiva do Arsenal.

Christos Tzolis recebeu a bola pela esquerda e fez o passe para dentro da área. A bola parecia destinada a Kai Havertz, mas o atacante alemão demonstrou inteligência ao deixá-la passar. Martin Odegaard apareceu livre para finalizar e colocar o Arsenal em vantagem.

A jogada chamou atenção porque apresentou uma característica que algumas vezes é ignorada quando se fala sobre o Arsenal.

Existe uma narrativa de que a equipe depende excessivamente de bolas paradas e escanteios. O próprio confronto contra o Chelsea mostrou que isso não representa completamente a realidade. Os Gunners construíram seus dois gols através de jogadas trabalhadas e movimentações inteligentes.

Além disso, o Arsenal segue demonstrando uma impressionante solidez defensiva.

A equipe entrou em campo sem William Saliba, um dos principais defensores do elenco. Ezri Konsa também fazia sua estreia como titular. Ainda assim, mesmo enfrentando um ataque que havia marcado sete gols nas duas primeiras rodadas, os Gunners sofreram apenas 0,39 gols esperados durante toda a partida.

Esse foi o quarto menor número de gols esperados produzido por uma equipe em um jogo da Premier League nesta temporada. Dois dos três menores números também pertencem a adversários do Arsenal.

O Chelsea continuou tentando até o fim. Estêvão chegou perto do empate com uma bela finalização de fora da área, obrigando David Raya a fazer uma importante defesa. Mas, fora esse momento individual, os Blues encontraram poucas oportunidades realmente claras.

O Arsenal conseguiu administrar a vantagem sem permitir uma pressão desesperada do adversário.

A vitória por 2 a 1, portanto, foi mais significativa do que o placar pode indicar.

O Chelsea fez perguntas importantes. Testou a defesa do Arsenal, aproveitou espaços e obrigou os campeões a correr atrás do resultado.

Mas o Arsenal respondeu a todas elas.

A equipe mostrou capacidade para reagir após sofrer um gol cedo, competir em uma partida mais aberta, criar jogadas ofensivas e continuar sólida defensivamente mesmo sem um de seus principais jogadores.

Para o Chelsea, a derrota não precisa representar um desastre. A equipe demonstrou qualidade e conseguiu competir durante bons momentos contra o atual campeão.

Mas o Arsenal deixou o Emirates Stadium com uma mensagem ainda mais forte para os concorrentes.

Se a temporada anterior terminou com a conquista do título, o início da nova campanha mostra uma equipe ainda preparada para enfrentar diferentes desafios. Contra um rival que chegou disposto a testar suas limitações, os Gunners encontraram as respostas.

E uma equipe que consegue vencer mesmo fora de sua zona de conforto costuma ser ainda mais perigosa na luta por títulos.

(Foto de capa: Justin Setterfield/Getty Images)

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Kaique