O GP da Espanha de Fórmula 1 estreou um circuito inédito em Madri na temporada de 2026. Cercado de expectativas por chegar à capital espanhola com um traçado moderno e urbano, o chamado Madring, porém, entregou pouco do que o público esperava. Depois das 57 voltas, a prova pode ser considerada a mais chata do ano até aqui.
De modo geral, os espectadores de automobilismo viram pouca emoção no último fim de semana. A vitória de Kimi Antonelli, líder do campeonato de pilotos e uma das grandes sensações do grid, não teve relação direta com sua coragem ou com seu poder de ultrapassagem. O italiano herdou a liderança depois de Lando Norris perder a ponta por causa do Safety Car Virtual da 13ª volta.
Mais do que o resultado, o que chamou atenção foi a monotonia. Houve poucas ultrapassagens e praticamente nenhuma disputa real por posição. Como era esperado, a reação nas redes sociais foi negativa. Além da falta de ação, fãs criticaram o pouco charme do circuito e até a localização do pit lane em uma das principais áreas do novo traçado.
Números comprovam fracasso do GP da Espanha
Os números ajudam a explicar por que o GP da Espanha deixou uma impressão tão ruim. De acordo com dados compilados pelo usuário u/BuxtonEU e compartilhados no Reddit, foram registradas exatamente quatro ultrapassagens na pista depois da primeira volta.
O número é especialmente baixo quando comparado ao restante da temporada. Antes de Madri, o pior índice de 2026 pertencia ao GP de Mônaco, com dez ultrapassagens. Ou seja, a corrida espanhola teve menos da metade do número registrado no principado, conhecido justamente por oferecer poucas oportunidades de manobra.
A diferença para a média do campeonato também é enorme. Antes da chegada a Madri, a temporada registrava média de 61 ultrapassagens por corrida. O melhor exemplo era o GP da China, com 101, enquanto Miami teve 88, Japão chegou a 85 e Itália registrou 78.
No GP da Espanha, praticamente nada aconteceu nesse sentido. Mônaco ainda possui elementos que ajudam a compensar a falta de ultrapassagens, como história, tradição, glamour e um ambiente único. Em Madri, a sensação para quem acompanhou a corrida pela televisão foi diferente: a novidade do circuito não foi suficiente para esconder a falta de ação.
FIA já estuda possíveis alterações para 2027
A situação é tão clara que a FIA já analisa mudanças para 2027. Segundo informações do site The Race, três áreas do circuito estão na mira. As possibilidades serão discutidas nas próximas semanas pela Federação Internacional de Automobilismo com pilotos e equipes.
A primeira alteração envolve a chicane das curvas 5 e 6, um dos poucos pontos com potencial para ultrapassagens. Outra possibilidade está na curva 17, logo depois da famosa e controversa La Monumental. Em 2026, o trecho teve velocidade média e não ofereceu uma freada suficientemente forte para permitir que o carro perseguidor atacasse.
A terceira mudança estudada envolve a curva 20. O ponto é um dos mais apertados do calendário e ficou ainda mais estreito porque os muros se aproximam da pista. A ideia para 2027 é ampliar o traçado nessa região e criar melhores condições para disputas.
O problema é que nenhuma dessas alterações é simples. Mexer em um circuito recém-inaugurado exige estudos técnicos, obras, aprovação das autoridades e avaliação dos impactos na segurança. Além disso, mudanças no desenho precisam preservar as características que justificaram a criação do Madring.
Ainda assim, a FIA não pode simplesmente deixar o GP da Espanha como está. A nova regulamentação de motores para 2026 tinha, entre seus principais objetivos, aumentar o espetáculo e criar condições para mais ultrapassagens. Uma corrida com apenas quatro manobras vai justamente na direção contrária.
O contrato para a realização do GP da Espanha é válido por dez temporadas. Isso significa que Madri ainda terá muito tempo para corrigir seus problemas. Se quiser evitar que o evento fique marcado como a pior prova do calendário, porém, a organização precisa agir rapidamente. O primeiro GP da Espanha no Madring mostrou que novidade, sozinha, não garante espetáculo.
Foto: Reprodução/Fórmula 1



