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Automobilismo Fórmula 1

Mercedes abre vantagem em Madri e preocupa rivais com ritmo de corrida

A Mercedes terminou a sexta-feira do GP da Espanha com um sinal bastante positivo e que pode preocupar diretamente seus principais rivais. George Russell foi o piloto mais rápido nas simulações de corrida realizadas nos treinos livres em Madri, mostrando um ritmo superior ao de praticamente todo o grid mesmo carregando bastante combustível.

O desempenho chama ainda mais atenção quando comparado com os adversários diretos. Max Verstappen, da Red Bull, foi quem mais se aproximou do britânico, mas terminou os long runs cerca de 0s13 por volta mais lento, já considerando as diferenças entre compostos de pneus e os tamanhos dos stints.

Kimi Antonelli, líder do campeonato, apareceu em terceiro lugar, mas já com uma diferença considerável de aproximadamente 0s55 por volta para Russell. Ferrari e McLaren, por outro lado, tiveram uma sexta-feira decepcionante nas simulações de corrida. Os dois carros da Ferrari ficaram aproximadamente 0s9 por volta atrás da Mercedes, enquanto Oscar Piastri apresentou uma desvantagem ainda maior, de 1s51 por volta.

Lando Norris sequer conseguiu completar um long run representativo devido a problemas técnicos. E existe um detalhe que pode deixar Mercedes ainda mais otimista: o histórico recente indica que a equipe pode estar escondendo parte de seu verdadeiro potencial durante as sextas-feiras.

Mercedes pode estar escondendo desempenho

O resultado de Madri precisa ser analisado com alguma cautela, principalmente porque o circuito é completamente novo para a Fórmula 1. As equipes ainda estão aprendendo a pista e têm margem para fazer grandes mudanças de acerto antes da classificação.

Ainda assim, o desempenho da Mercedes é impossível de ignorar. A comparação com o GP da Itália do último fim de semana é especialmente interessante. Em Monza, Mercedes e Ferrari apresentaram ritmos praticamente equivalentes nas simulações de corrida de sexta-feira, enquanto a McLaren estava apenas cerca de dois décimos atrás.

No domingo, porém, a realidade foi completamente diferente. A Mercedes acabou sendo aproximadamente 0s8 por volta mais rápida que Ferrari e McLaren durante a corrida. Isso cria uma possibilidade preocupante para os adversários: o ritmo apresentado por Russell em Madri pode não representar o limite do W17.

Historicamente, a Mercedes parece ter o hábito de não revelar todo seu potencial nas sextas-feiras. Se o comportamento de Monza se repetir, Ferrari e McLaren podem descobrir que a diferença é ainda maior quando a classificação e, principalmente, a corrida chegarem.

Por outro lado, o fato de o Madring ser uma pista nova impede qualquer conclusão definitiva. Os times ainda podem modificar radicalmente seus carros durante a noite, e uma mudança de acerto pode alterar a ordem de forças.

A disputa em uma volta também parece muito mais equilibrada do que os long runs sugerem. Se os melhores tempos de cada setor fossem combinados, Charles Leclerc teria potencial para registrar uma volta de 1min33s478, que seria suficiente para colocá-lo no topo. O problema é que apenas Arvid Lindblad, entre os seis pilotos mais rápidos, conseguiu juntar seus melhores setores em uma única volta. Ou seja, ainda existe bastante desempenho escondido.

Onde a Mercedes está ganhando tanto tempo?

A grande questão depois dos treinos foi entender de onde vem a vantagem da Mercedes nas simulações de corrida. Os dados indicam uma resposta bastante clara: o terceiro setor do Madring.

A Mercedes já havia sido a equipe mais rápida nessa parte do circuito durante as simulações de classificação. Com bastante combustível no tanque, porém, a vantagem aparentemente aumenta ainda mais. Os dados de telemetria mostram que a Mercedes utiliza menos energia da bateria no primeiro setor, mas mesmo assim perde apenas uma pequena quantidade de tempo para os rivais. No setor final, a história muda.

A Mercedes apresenta uma vantagem significativa de velocidade máxima, algo que parece estar contribuindo diretamente para seu desempenho nas simulações de corrida. Isso pode ser particularmente importante em uma pista na qual o gerenciamento de energia terá papel fundamental. Ao conseguir preservar mais bateria em determinados trechos e, ao mesmo tempo, manter uma velocidade elevada no setor final, a equipe parece estar encontrando uma combinação bastante eficiente.

As rivais apresentam pontos fortes diferentes. A Ferrari consegue se destacar no primeiro setor, enquanto Verstappen e a Red Bull aparecem fortes no segundo, justamente a parte mais rápida do circuito. A McLaren, porém, enfrenta um problema mais amplo: o carro parece perder tempo de forma relativamente constante nos três setores.

Isso ajuda a explicar por que Piastri ficou tão distante de Russell nos long runs. A situação de Norris é ainda mais complicada para a McLaren, já que os problemas técnicos impediram o britânico de realizar uma simulação de corrida significativa.

Haas surpreende e aparece à frente do pelotão intermediário

Se a Mercedes foi o grande destaque entre as equipes de ponta, a Haas foi a surpresa do pelotão intermediário. Esteban Ocon registrou o melhor ritmo de long run entre as equipes fora do grupo principal, ficando apenas 0s92 por volta atrás de Russell. Isso colocou o francês praticamente no mesmo nível da Ferrari em termos de ritmo de corrida.

Atrás da Haas apareceu a Alpine, com uma diferença de aproximadamente 1s60 por volta para a Mercedes. A Audi ficou a 2s20, seguida pela Williams, a 2s58. Cadillac e Aston Martin apareceram ainda mais atrás, com diferenças de aproximadamente 4s00 e 4s33, respectivamente.

Mas também aqui existe uma ressalva importante. A Racing Bulls voltou a chamar atenção no ritmo de uma volta, principalmente graças a Arvid Lindblad. O jovem terminou o TL2 em quarto, apenas 0s228 atrás do melhor tempo, antes de sofrer um forte acidente que provocou uma bandeira vermelha. O incidente prejudicou completamente o programa da equipe.

Por isso, não foi possível obter uma simulação de corrida realmente representativa da Racing Bulls. Yuki Tsunoda também seguiu um programa diferente, completando suas simulações de classificação e corrida em um único stint, provavelmente com uma quantidade menor de combustível. A equipe pode, portanto, estar melhor do que os dados de long run indicam.

Desgaste dos pneus vira outra grande incógnita

Além da ordem de forças, os treinos de sexta-feira também trouxeram uma surpresa importante relacionada aos pneus. Antes do fim de semana, havia uma expectativa de que o Madring apresentasse desgaste relativamente baixo. Por ser um circuito de rua e possuir um asfalto aparentemente suave, a previsão inicial era de que os pneus não sofreriam tanto.

O primeiro dia, entretanto, contou uma história diferente. Toto Wolff revelou que a Mercedes enfrentou um comportamento inesperado dos pneus. “No começo foi complicado porque a pista tem muita aderência, mesmo sendo um asfalto completamente novo”, explicou o chefe da Mercedes.

“E, curiosamente, tivemos o problema oposto ao que esperávamos. Não conseguimos colocar o pneu na temperatura ideal. É preciso uma volta e depois ele melhora. Mas, claro, a degradação dos pneus é incrível por causa da aderência.”, continuou Toto.

Durante o primeiro treino livre, Wolff chegou a falar em 0s8 de degradação por volta. “Isso nunca vimos antes”, afirmou. A situação foi tão extrema que o estrategista da Mercedes teria chegado a brincar sobre uma corrida com seis paradas nos boxes. 

O TL2 trouxe números mais moderados, mas ainda relevantes. A degradação nas simulações de corrida ficou em torno de 0s3 por volta, um nível que, neste momento, aponta mais para uma corrida de duas paradas do que para uma estratégia de apenas uma parada. Ainda assim, o comportamento pode mudar significativamente ao longo do fim de semana.

Com mais carros completando voltas e depositando borracha no asfalto, a pista tende a ganhar aderência. Isso pode alterar a janela de funcionamento dos pneus e reduzir a degradação. E existe uma divergência interessante entre as equipes e a fornecedora de pneus. Dario Marrafuschi, responsável pela área de automobilismo da Pirelli, apresentou uma leitura bem mais otimista. “A aderência do asfalto é realmente boa, então provavelmente teremos menos degradação do que esperávamos.” A diferença entre as previsões mostra como o GP da Espanha ainda está longe de ter todas as suas respostas.

Mercedes chega forte, mas Madri ainda pode mudar tudo

Depois de apenas um dia de treinos, a Mercedes é claramente a equipe que sai mais satisfeita quando o assunto é ritmo de corrida. Russell liderou os long runs com vantagem sobre Verstappen, enquanto Antonelli também apareceu entre os melhores.

Ferrari e McLaren, por outro lado, terão bastante trabalho pela frente. O mais preocupante para os rivais é que a Mercedes já mostrou em Monza que seu ritmo de sexta-feira pode não revelar completamente aquilo que o carro é capaz de fazer no domingo. Ao mesmo tempo, o Madring ainda é uma pista em construção do ponto de vista esportivo. O asfalto está evoluindo, os acertos ainda serão modificados e algumas equipes não conseguiram completar programas representativos.

A classificação deverá oferecer uma fotografia mais precisa da velocidade em uma volta. Mas, se a vantagem apresentada por Russell nos long runs permanecer, a Mercedes pode ter construído em Madri uma das posições mais fortes para a corrida desde o início do novo regulamento.

E o comportamento dos pneus será outro fator decisivo. Se a degradação continuar elevada, a estratégia poderá abrir espaço para duas paradas e criar oportunidades de ultrapassagem. Se o asfalto evoluir como esperado e o desgaste cair, a corrida poderá se transformar em um jogo de gerenciamento muito mais conservador.

Por enquanto, porém, o primeiro recado do Madring foi claro: a Mercedes parece ter encontrado uma combinação de ritmo, velocidade máxima e gerenciamento de energia que deixou seus rivais olhando para os dados em busca de respostas.

Foto: (Reprodução/ MotorSport Images)