Vitor Bueno Remo
Futebol Brasileirão

Remo ainda reage, mas já não tem tempo para continuar perdendo pontos no Brasileirão

O Remo ainda mostra futebol, mas não consegue sustentá-lo

O Remo não é um time que simplesmente desiste quando a situação se complica. Mesmo em meio a uma sequência extremamente negativa, a equipe ainda encontra momentos de bom futebol, aumenta a intensidade e consegue incomodar adversários.

O problema é que esses momentos aparecem sem continuidade e, principalmente, sem a força necessária para mudar o resultado.

A derrota por 2 a 1 para o Bahia, na Arena Fonte Nova, resume bem o cenário. Depois de sofrer durante boa parte da partida, o Remo encontrou forças para diminuir a diferença nos acréscimos e terminou pressionando. Só que a reação veio tarde demais. Não foi a primeira vez.

Depois de quatro derrotas consecutivas, sete jogos sem vencer e apenas 23 pontos, o clube está na vice-lanterna, cinco pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento.

A questão, portanto, já não é descobrir se o Remo consegue reagir. Ele consegue. A questão é por que essa reação ainda não se transforma em pontos.

O problema está na sustentação

Há uma diferença importante entre apresentar bons momentos e construir uma atuação capaz de produzir resultado. O Remo tem conseguido fazer a primeira parte. Falta a segunda.

Contra o Coritiba, por exemplo, o time chegou a virar a partida para 2 a 1 e teve enorme volume ofensivo, com 32 finalizações. Ainda assim, sofreu dois gols na sequência e perdeu por 3 a 2.

Contra o Bahia, o contexto foi diferente, mas a dificuldade voltou a aparecer: quando precisou transformar sua reação em algo maior, já não havia tempo suficiente. Esse padrão revela uma equipe que encontra soluções pontuais, mas não consegue controlar suficientemente bem os diferentes momentos do jogo.

Para quem luta contra o rebaixamento, isso custa caro. Não é necessário dominar 90 minutos. É preciso, porém, saber atravessar os períodos de dificuldade sem permitir que eles determinem o resultado.

A tabela já transformou o problema em urgência

O Remo chegou a ter oportunidades concretas de se aproximar dos concorrentes diretos. O problema é que os tropeços foram se acumulando enquanto a equipe não conseguia construir uma sequência positiva.

Agora, a margem de erro é mínima.

Cinco pontos podem ser recuperados. O problema é que, para isso acontecer, o Remo não precisa apenas vencer ocasionalmente. Precisa pontuar em sequência e torcer para que os adversários diretos deixem pontos pelo caminho.

Quanto mais rodadas passam, mais difícil fica fazer essa conta.

É por isso que a derrota para o Bahia pesa além dos três pontos perdidos. O Remo teve mais uma oportunidade de interromper a sequência negativa e voltou para casa sem conseguir fazê-lo.

O campeonato continua aberto, mas a porta para a reação está ficando menor.

A troca de treinador precisa produzir efeito rapidamente

A saída de Léo Condé acrescenta outro elemento à equação. O treinador deixou o cargo após uma sequência de resultados que tornou a mudança praticamente inevitável, encerrando sua passagem com oito vitórias, sete empates e 15 derrotas em 30 partidas.

A troca pode renovar o ambiente, alterar comportamentos e devolver confiança ao elenco. Mas existe uma diferença entre mudar o cenário interno e mudar a situação na tabela.

O novo comandante não terá tempo para um trabalho de longo prazo.

O próximo compromisso será contra o Santos, no Mangueirão, pela 28ª rodada. A equipe precisa chegar a esse jogo não apenas com uma postura diferente, mas com uma solução capaz de produzir pontos.

Essa é a medida mais objetiva para avaliar qualquer mudança daqui para frente.

O Remo não pode mais depender do jogo perfeito

Talvez o caminho para a reação passe justamente por abandonar a necessidade de fazer partidas completas. Em uma situação como essa, o Remo precisa aprender a pontuar também quando não jogar bem.

Isso significa defender melhor quando estiver sob pressão, administrar vantagens, reduzir erros em momentos decisivos e entender que um empate pode ter muito mais valor agora do que teria algumas rodadas atrás.

A equipe não precisa apresentar um futebol exuberante. Precisa ser eficiente.

O que faltou em boa parte da campanha foi transformar os períodos em que conseguiu competir em resultados que sustentassem a recuperação. Enquanto isso não acontecer, qualquer evolução continuará restrita ao campo e não chegará à tabela.

Agora, a reação precisa aparecer na classificação

O Remo ainda tem condições matemáticas de escapar. Mas o momento exige uma resposta que vá além da boa impressão deixada em alguns trechos das partidas.

A equipe precisa começar a acumular pontos. Essa é a diferença entre uma reação possível e uma reação real.

O time ainda encontra forças para buscar o jogo quando está atrás. Ainda consegue criar pressão e fazer o adversário sentir a dificuldade nos minutos finais. Só que o Brasileirão não oferece pontos por intensidade tardia, volume ou promessa de evolução.

Oferece pontos pelo resultado. E é justamente isso que o Remo precisa recuperar com urgência.

A mudança de treinador pode ser o começo de uma nova fase, mas não haverá espaço para uma longa adaptação. Com quatro derrotas consecutivas, sete jogos sem vencer e cinco pontos de distância para sair do Z-4, o clube precisa interromper a queda antes que a matemática torne a missão praticamente inviável.

O Remo ainda reage. Agora precisa fazer essa reação aparecer onde realmente importa: na tabela.

Foto: Divulgação/X do Remo