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Lutas UFC

O ano perdido de Tom Aspinall: por que o campeão dos pesos pesados precisou abrir mão do cinturão?

Tom Aspinall vive um dos momentos mais difíceis de sua carreira. O lutador inglês, que chegou ao topo da divisão dos pesos pesados do UFC, precisou abrir mão do cinturão depois de passar aproximadamente 11 meses tentando recuperar completamente a visão. O problema, que começou após uma sequência de lesões e cirurgias nos olhos, impediu que ele voltasse ao octógono e transformou uma fase que deveria ser de domínio esportivo em um período marcado por incertezas.

A situação de Aspinall mostra como uma lesão pode mudar completamente o caminho de um atleta. Antes de enfrentar Ciryl Gane, em outubro de 2025, o inglês era considerado um dos nomes mais perigosos da divisão. Ele havia construído uma reputação baseada na velocidade, na força dos golpes e na capacidade de finalizar adversários rapidamente. Porém, durante aquela luta, sofreu uma sequência de golpes nos olhos que afetou sua visão e iniciou uma longa batalha médica.

O problema não foi resolvido com uma única cirurgia. Aspinall passou por diferentes procedimentos, enfrentou infecções e precisou lidar com novas complicações. Em fevereiro, realizou duas cirurgias, mas o olho direito voltou a apresentar problemas. Segundo os relatos divulgados pelo próprio lutador e por jornalistas que acompanharam o caso, ele voltou a enxergar uma mancha escura em seu campo de visão, algo que trouxe novamente a lembrança do incidente ocorrido contra Gane.

Cirurgias, infecções e um retorno que nunca aconteceu

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Foto: MyMMA

Aspinall tentou estabelecer diferentes datas para voltar a lutar. Primeiro, havia a expectativa de que pudesse competir em Paris. Depois, o objetivo passou a ser o evento de Abu Dhabi. Por fim, ele mirou o Madison Square Garden, em Nova York, no mês de novembro. Nenhuma dessas possibilidades se concretizou.

Durante o período de recuperação, o lutador precisou tomar antibióticos por cerca de seis semanas devido a uma infecção. Em outro momento, os médicos tiveram de raspar parte do olho afetado para tentar controlar a situação. Quando parecia estar próximo de uma recuperação, uma nova infecção apareceu e provocou a necessidade de outra cirurgia.

Ao todo, Aspinall já passou por três procedimentos importantes, sendo dois deles relacionados ao olho direito. A possibilidade de uma quarta cirurgia também foi levantada. Isso explica por que o retorno não depende apenas de vontade, treinamento ou preparação física. O atleta precisa esperar que o olho cicatrize e que os exames mostrem uma condição segura para voltar a receber golpes.

O episódio mais recente aconteceu durante um treinamento. Aspinall sofreu outro impacto na região dos olhos e sentiu que havia voltado ao ponto inicial da recuperação. Os exames seguintes não apresentaram os resultados esperados, e os médicos não autorizaram seu retorno. Mesmo com a pressão para voltar ao UFC, a prioridade passou a ser preservar a visão.

Essa situação também ajuda a entender por que o inglês decidiu abrir mão do cinturão. Manter o título sem poder lutar criaria uma paralisação ainda maior na divisão. Ao deixar o posto vago, o UFC pode organizar uma disputa pelo campeonato, enquanto Aspinall concentra seus esforços no tratamento.

O impacto para o UFC e para a divisão dos pesos pesados

A ausência de Aspinall representa uma perda importante para o UFC. Antes do problema ocular, o inglês vinha sendo tratado como um dos atletas mais empolgantes da categoria. Seu tempo médio de luta era de aproximadamente 122 segundos antes do confronto com Gane, número que mostra como suas vitórias costumavam acontecer rapidamente.

Além da velocidade, Aspinall reunia força, movimentação e capacidade de finalização. Ele conseguia pressionar adversários grandes sem depender apenas de golpes isolados. Essa combinação fazia com que muitos enxergassem nele um possível campeão dominante e uma figura capaz de renovar o interesse pelos pesos pesados.

A divisão, porém, já enfrentava dificuldades para produzir uma sequência constante de grandes disputas pelo título. O último cinturão dos pesos pesados conquistado em uma luta antes da atual fase foi o de Francis Ngannou contra Stipe Miocic, em março de 2021. Desde então, a categoria passou por mudanças, cinturões interinos, lesões e períodos de espera.

Com Aspinall fora, Ciryl Gane aparece como o nome mais próximo de se tornar campeão indiscutível. O francês foi acusado por Aspinall e por Alex Pereira de cometer faltas durante lutas, especialmente envolvendo golpes nos olhos. Essas acusações aumentaram a discussão sobre a aplicação das regras e sobre a responsabilidade dos árbitros em proteger os atletas.

Pereira, inclusive, demonstrou interesse em uma revanche contra Gane. Dana White, presidente do UFC, adotou uma postura mais cautelosa ao falar sobre o futuro de Aspinall. O dirigente não estabeleceu uma data concreta para o retorno e reconheceu que a recuperação depende de avaliações médicas.

Aspinall também afirmou que parte das complicações surgiu a partir de faltas que acabaram alterando sua trajetória. Para ele, o lutador depende dos árbitros para interromper a ação e aplicar corretamente as regras. Quando isso não acontece, as consequências podem ser muito maiores do que uma derrota ou uma interrupção momentânea.

O inglês agora trabalha com a possibilidade de voltar apenas no próximo ano. Até lá, a divisão dos pesos pesados deverá seguir sem um de seus principais nomes. O UFC poderá organizar novas disputas, mas a categoria perderá parte de sua força enquanto Aspinall tenta recuperar a visão e descobrir se poderá competir novamente no mesmo nível.

O caso mostra que o ano perdido não foi causado por falta de preparação ou por uma queda de desempenho. Aspinall estava em ascensão quando uma lesão ocular mudou completamente seus planos. Agora, antes de pensar em cinturão, ranking ou grandes lutas, ele precisa recuperar a saúde. O futuro esportivo continua indefinido, mas a prioridade é garantir que o atleta possa voltar a enxergar com segurança.

(Foto de capa: Profimedia)

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Kaique