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Futebol Brasileirão

Weverton faz partidaça, Grêmio resiste ao Palmeiras e arranca empate na Arena

O Grêmio empatou em 0 a 0 com o Palmeiras neste domingo (20), na Arena do Grêmio, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na reestreia de Renato Portaluppi, o Tricolor foi dominado em boa parte da partida, sofreu com o volume ofensivo do vice-líder, mas encontrou em Weverton a segurança necessária para sobreviver à pressão e somar um ponto importante na luta contra o rebaixamento.

O goleiro foi, de longe, o grande personagem da manhã em Porto Alegre. Com defesas espetaculares, inclusive nos minutos finais, Weverton impediu que o Palmeiras transformasse sua superioridade em vitória.

Palmeiras domina, mas Grêmio consegue resistir

O roteiro do primeiro tempo foi bastante claro. O Palmeiras assumiu o controle desde os primeiros minutos, teve mais posse, pressionou a saída do Grêmio e encontrou espaços para finalizar.

Vitor Roque, Flaco López, Marlon Freitas e Gustavo Gómez apareceram em boas oportunidades. O Palmeiras chegou a acertar o travessão duas vezes, primeiro em cabeceio de Marlon Freitas e depois com Vitor Roque.

O Grêmio, por outro lado, apostou em uma estratégia mais reativa. Renato montou a equipe para fechar os espaços, proteger a área e acelerar assim que recuperasse a bola. Amuzu era a principal válvula de escape, especialmente explorando o duelo pelo lado esquerdo.

Os números do primeiro tempo deixaram evidente a diferença de produção: 15 finalizações do Palmeiras contra cinco do Grêmio.

Mas o Tricolor terminou a etapa mostrando que não estava completamente entregue à pressão. Nos acréscimos, Pavón aproveitou um erro de Barboza, avançou e obrigou Carlos Miguel a fazer uma grande defesa no ângulo. Pouco depois, Gustavo Martins cabeceou no travessão após cruzamento de Amuzu.

O Grêmio conseguiu, em poucos minutos, criar as duas melhores chances que teve na etapa.

Weverton segura o Palmeiras

O segundo tempo começou com o Grêmio tendo um pouco mais de posse, mas o cenário logo voltou ao padrão da primeira etapa. O Palmeiras recuperou o controle da bola e passou a rondar novamente a área gremista.

Aos oito minutos, Giay cruzou na medida para Vitor Roque. O atacante cabeceou para o chão, praticamente da pequena área, e Weverton apareceu no puro reflexo para fazer uma defesa espetacular.

Foi o primeiro grande aviso de uma atuação que ainda ganharia novos capítulos.

Aos 25 minutos, Arias cruzou rasteiro e Andreas Pereira chegou batendo de primeira, com um chute cruzado da entrada da área. Weverton voou para espalmar.

Pouco depois, em cobrança de escanteio, o Grêmio precisou tirar uma bola praticamente em cima da linha antes da chegada de Vitor Roque.

Enquanto o Palmeiras acumulava alternativas para atacar, Renato tentava preservar a capacidade de contra-atacar. Enamorado, Jovane Cabral e Braithwaite entraram ao longo da etapa final, enquanto o desgaste fazia o Grêmio recuar cada vez mais.

A partida também ficou mais ríspida na reta final. O cansaço aumentou o número de disputas fortes e cartões, deixando o jogo ainda mais truncado.

O milagre de Weverton no fim

Se o Grêmio já precisava agradecer ao goleiro durante a partida, os minutos finais transformaram a atuação de Weverton em algo ainda maior.

Aos 50 minutos, Maurício recebeu na pequena área e tentou apenas dar um toque no canto. Weverton se esticou, caiu no chão e conseguiu espalmar.

A jogada não havia terminado.

Sosa apareceu para aproveitar o rebote, mas Weverton se levantou rapidamente e abafou a segunda finalização. Em uma sequência de segundos, o goleiro evitou dois gols praticamente certos.

Foi a defesa que resumiu a partida.

O Palmeiras teve volume, presença ofensiva e oportunidades suficientes para vencer. O Grêmio teve organização para resistir, mas, principalmente, teve um goleiro em estado de graça.

Renato estreia com um ponto importante

O empate não transforma o desempenho do Grêmio em uma atuação dominante. Longe disso. O Palmeiras foi superior durante a maior parte dos 90 minutos e terminou a partida com a sensação de que deixou escapar uma vitória que esteve ao seu alcance.

Mas também seria injusto ignorar o mérito da estratégia gremista.

Renato sabia que seu time não conseguiria disputar a partida em igualdade de condições no controle da bola. A escolha foi outra: compactar as linhas, reduzir os espaços e tentar atacar rapidamente quando houvesse campo.

A proposta funcionou especialmente no primeiro tempo, quando o Grêmio conseguiu chegar com poucos passes e teve oportunidades claras mesmo sendo amplamente inferior em posse e volume.

Na segunda etapa, porém, o desgaste pesou. O time perdeu força para sair e passou longos períodos defendendo próximo da própria área. Nesse momento, a estratégia deixou de ser suficiente por si só e passou a depender das intervenções do goleiro.

E Weverton respondeu.

Para um Grêmio que iniciou a rodada dentro da zona de rebaixamento e precisava pontuar, o empate ganha importância pelo contexto. Renato estreia com um resultado que mantém o time vivo na briga para sair do Z-4, ainda que a atuação deixe claro o tamanho do trabalho que terá pela frente.

Palmeiras perde dois pontos no caminho

Para o Palmeiras, o 0 a 0 tem sabor diferente. O time de João Martins — que substituiu o suspenso Abel Ferreira — controlou a partida por longos períodos, criou mais, acertou duas vezes o travessão e encontrou diversas situações para finalizar dentro e fora da área.

Faltou transformar domínio em gol.

Quando conseguiu superar a defesa, o Palmeiras encontrou Weverton. Quando não encontrou o goleiro, esbarrou no travessão ou na própria falta de precisão.

O empate leva o Palmeiras aos 57 pontos, enquanto o Grêmio chega aos 28 e permanece na luta contra o rebaixamento.

No fim, a estatística mais importante da partida não foi a posse de bola nem o número de finalizações. Foi a capacidade de Weverton de aparecer justamente quando o Grêmio mais precisava.

O Palmeiras teve a bola, criou mais e esteve mais perto da vitória. O Grêmio teve resistência. E teve Weverton.

Foto: Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação