Arman Tsarukyan saiu do UFC 331 em uma situação completamente diferente daquela em que chegou ao evento. Depois de meses cercado por dúvidas sobre seu comportamento, suas escolhas e seu lugar na fila pelo cinturão dos leves, o armênio respondeu da maneira mais convincente possível: dentro do octógono.
A vitória sobre Mauricio Ruffy não foi apenas mais um resultado positivo para Tsarukyan. O triunfo veio por nocaute no fim do primeiro round, depois de duas cotoveladas violentas que encerraram a luta e colocaram o brasileiro no chão. O desempenho também serviu para reforçar a posição de Arman entre os principais nomes da categoria até 70,3 kg.
O momento é especialmente importante porque Tsarukyan vinha tentando recuperar espaço na disputa pelo título. Mesmo sendo considerado durante bastante tempo um dos principais candidatos a enfrentar Islam Makhachev, uma série de acontecimentos acabou prejudicando sua trajetória. Agora, depois de mais uma vitória expressiva, ele voltou a apresentar argumentos difíceis de ignorar.
Uma sequência de seis vitórias

Tsarukyan chegou ao UFC 331 carregando uma sequência de seis vitórias consecutivas. Quatro desses triunfos terminaram antes da decisão dos juízes, mostrando que seu jogo não depende apenas de controle e domínio no wrestling.
Contra Ruffy, essa característica ficou ainda mais evidente.
O brasileiro entrou na luta conhecido pelo poder de nocaute e pela capacidade de transformar qualquer troca em uma situação perigosa. Mesmo assim, Tsarukyan conseguiu controlar boa parte do primeiro round e dificultar as ações ofensivas do adversário com seu jogo de quedas.
Ruffy ainda conseguiu deixar uma marca abaixo do olho de Arman, mas o armênio manteve o controle da luta. Quando o primeiro round se aproximava do fim, Tsarukyan encontrou o momento decisivo.
Duas cotoveladas fortes encerraram o confronto e produziram um dos momentos mais importantes de sua carreira recente.
O resultado também teve um peso simbólico. Tsarukyan precisava mostrar que poderia continuar vencendo adversários de alto nível e, principalmente, fazer isso de maneira convincente. Ao nocautear um dos principais nomes da divisão, ele conseguiu exatamente isso.
O passado continua fazendo parte da história

A trajetória recente de Tsarukyan não pode ser separada das polêmicas que acompanharam sua carreira.
O armênio já havia se envolvido em uma confusão com um fã enquanto caminhava para o octógono no UFC 300, antes da luta contra Charles Oliveira. Depois, desistiu de enfrentar Islam Makhachev pelo cinturão no UFC 311, poucas horas antes do evento.
Também houve uma situação controversa envolvendo Dan Hooker durante a encarada antes de uma luta eliminatória realizada no Catar.
Esses episódios ajudaram a criar uma imagem complicada ao redor do lutador. Ao mesmo tempo, suas performances continuaram colocando seu nome entre os principais candidatos ao título.
Dana White reconheceu justamente essa mudança depois do UFC 331. O presidente do UFC afirmou que Tsarukyan cometeu erros, mas conseguiu compensá los e transformar sua situação.
A declaração mostra como uma grande vitória pode alterar rapidamente o cenário de um lutador. Antes do combate contra Ruffy, havia dúvidas sobre o futuro de Arman na disputa pelo cinturão. Depois do nocaute, a conversa passou a ser sobre quem deveria enfrentá lo.
Justin Gaethje virou o próximo alvo

O principal nome citado por Tsarukyan depois da vitória foi Justin Gaethje.
A relação entre os dois ganhou ainda mais importância porque Gaethje acabou ocupando um espaço que originalmente poderia ter sido de Arman. O armênio deveria ter participado da disputa pelo título interino contra Paddy Pimblett, mas Gaethje acabou recebendo a oportunidade.
Desde então, Gaethje aproveitou sua trajetória. Ele derrotou Pimblett e depois superou Ilia Topuria, chegando ao topo da divisão e se consolidando como um dos principais nomes dos leves.
Tsarukyan, por sua vez, acredita que chegou a hora de recuperar o lugar que perdeu.
O armênio também afirmou que Gaethje evita mencionar seu nome e sugeriu que o atual campeão poderia tentar buscar outras opções para não enfrentá lo. Essas são declarações do próprio Tsarukyan e fazem parte da construção da rivalidade entre os dois.
Gaethje, antes do UFC 331, também havia criticado a trajetória de Arman. Em participação em um podcast com Demetrious Johnson, afirmou que Tsarukyan havia perdido a oportunidade de enfrentar Makhachev pelo cinturão porque desistiu da luta.
A vitória sobre Ruffy acrescenta um novo capítulo a essa disputa.
Tsarukyan transforma desempenho em argumento

O mais importante para Arman agora são os números e os resultados dentro do octógono. São seis vitórias consecutivas, quatro delas por interrupção, incluindo os dois triunfos mais recentes em lutas que carregavam enorme expectativa.
A vitória contra Ruffy também mostrou diferentes aspectos do seu jogo. Tsarukyan conseguiu utilizar o wrestling para controlar o adversário e, quando surgiu a oportunidade, encontrou poder suficiente para encerrar a luta em pé.
Esse equilíbrio é importante em uma categoria extremamente competitiva.
A divisão dos leves possui vários nomes capazes de disputar o cinturão, mas Tsarukyan conseguiu construir uma sequência que o coloca novamente no centro da discussão. O nocaute também diminuiu o espaço para questionamentos sobre sua capacidade de decidir grandes combates.
O próximo passo, portanto, envolve mais do que simplesmente conquistar outra vitória. Tsarukyan quer enfrentar o homem que, na visão dele, acabou ocupando o lugar que deveria ter sido seu.
Depois de uma sequência marcada por problemas fora do octógono e oportunidades perdidas, Arman finalmente encontrou uma resposta dentro dele. Contra Mauricio Ruffy, não precisou de cinco rounds, decisão dos juízes ou qualquer discussão sobre pontuação.
Precisou de duas cotoveladas.
E eles foram suficientes para recolocar seu nome entre os principais assuntos da divisão dos leves do UFC.
(Foto de capa: Chris Unger/Zuffa LLC)



