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Automobilismo Fórmula 1

Patrese faz alerta sobre Ferrari e evita apontar Horner como solução para crise

O ex-piloto de Fórmula 1 Riccardo Patrese analisou o momento complicado da Ferrari e comentou a possibilidade de Christian Horner substituir Frédéric Vasseur no comando da equipe. Embora reconheça as qualidades do antigo chefe da Red Bull, o italiano ponderou que a saída de Vasseur não seria necessariamente a resposta para os problemas enfrentados pela escuderia.

Depois de um início de temporada positivo, a Ferrari passou a apresentar resultados mais inconsistentes nas últimas corridas. Mesmo com a introdução de atualizações, a equipe tem deixado escapar oportunidades de pódio e agora precisa prestar mais atenção à aproximação da McLaren, em vez de concentrar todos os esforços na disputa com a Mercedes. Para Patrese, as dificuldades da Ferrari precisam ser analisadas considerando a enorme complexidade de administrar uma equipe moderna de Fórmula 1.

Patrese explica por que administrar uma equipe de Fórmula 1 é tão difícil

Em entrevista a um site de apostas, Patrese destacou que uma equipe atual pode contar com aproximadamente 2.000 pessoas, distribuídas em departamentos altamente especializados.

O italiano citou áreas como câmbio, suspensão e freios, ressaltando que todas precisam funcionar em um nível extremamente elevado para que o projeto consiga alcançar resultados competitivos. “O fato é que controlar não apenas a Ferrari, mas qualquer outra equipe, é muito difícil. Hoje, as equipes podem ter 2.000 pessoas trabalhando no projeto. Existem diferentes divisões: câmbio, suspensão, freios. Então, se uma dessas divisões não estiver no seu melhor nível, o quebra-cabeça não vai se encaixar”, explicou.

Segundo Patrese, a diferença entre vencer e perder na Fórmula 1 é tão pequena que um desempenho considerado excelente pode não ser suficiente para garantir a vitória.

Ferrari precisa ser mais do que perfeita para vencer

Patrese argumentou que as equipes de ponta precisam alcançar um nível de eficiência superior ao máximo esperado para conseguir se destacar em um campeonato tão equilibrado. “Para estar em uma situação vencedora, 100% não é suficiente. Você precisa de 101%. Então, se o carro está em 99%, esse é o problema. E, se um desses grupos não estiver funcionando corretamente, tudo fica muito complicado”, afirmou.

Nesse cenário, o papel de Vasseur seria principalmente garantir que as pessoas certas estejam nas posições adequadas, e não construir pessoalmente o carro da Ferrari. “Vasseur é o chefe da equipe, e seu principal trabalho é encontrar as pessoas certas para colocar nos lugares certos. Não é Vasseur quem está construindo o carro”, acrescentou Patrese.

A declaração reforça a ideia de que os resultados de uma escuderia são consequência do trabalho conjunto de diversos setores, e não apenas da atuação do chefe de equipe.

Patrese evita tratar Horner como solução automática

Questionado sobre a possibilidade de Christian Horner assumir o comando da Ferrari, Patrese reconheceu a competência do ex-dirigente da Red Bull e afirmou que confiaria nele para realizar um bom trabalho na equipe italiana.

No entanto, o ex-piloto evitou defender uma mudança imediata na liderança da escuderia ou afirmar que a Ferrari precisa necessariamente contratar Horner. “Christian é um chefe de equipe muito bom. Eu confiaria nele para fazer um bom trabalho. Mas essa é outra questão. Não quero dizer que a Ferrari precisa de Christian Horner. Também não quero colocar uma cruz de morte sobre Vasseur. A situação é complicada porque todos esperam que a Ferrari vença”, declarou.

A pressão sobre a equipe italiana é um dos fatores que, na avaliação de Patrese, tornam a situação ainda mais delicada. A expectativa por vitórias e títulos faz com que qualquer sequência de resultados abaixo do esperado provoque questionamentos sobre a estrutura da organização.

Vasseur não é o único responsável pela situação

Patrese também afirmou que Vasseur não deve ser considerado o único responsável pelos problemas atuais da Ferrari. Ainda assim, ele reconheceu que o chefe de equipe ocupa uma posição de responsabilidade quando os resultados não aparecem. “Não é que Vasseur seja o principal problema da situação. Mas, no fim, em qualquer negócio, se você não consegue os resultados, o diretor ou o presidente precisa assumir a responsabilidade. No futebol, o treinador também precisa fazer isso quando o time não vence”, explicou.

O italiano, porém, deixou claro que uma mudança no comando não garantiria uma solução imediata. “Não tenho tanta certeza de que, se você trocar Vasseur, tudo vai melhorar. Não existe uma varinha mágica para a Ferrari”, afirmou.

A avaliação de Patrese aponta para a necessidade de compreender os problemas estruturais e operacionais da equipe, em vez de atribuir todas as dificuldades a uma única pessoa.

Jornalista afirma que Vasseur ganhou apelido de Napoleão

As discussões sobre o futuro de Vasseur também ganharam força após declarações do jornalista italiano Giorgio Terruzzi. Segundo o profissional, o chefe da Ferrari teria recebido o apelido de “Napoleão” dentro de Maranello.

De acordo com o relato de Terruzzi, o estilo de liderança do francês teria provocado insatisfação entre alguns integrantes da equipe. A alegação acrescenta mais pressão sobre Vasseur durante um período de resultados irregulares. O jornalista também descreveu a relação entre Vasseur e o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, como “praticamente inexistente”. Essa suposta tensão no alto escalão da empresa ocorre em meio a cobranças por mudanças na operação da equipe durante os fins de semana de corrida.

Ainda segundo o relato, Lewis Hamilton estaria pressionando por alterações em integrantes importantes da estrutura de pista. Qualquer mudança desse tipo dependeria do apoio de Vasseur, o que torna sua posição dentro da Ferrari ainda mais relevante. As informações sobre os conflitos internos foram apresentadas por Terruzzi e não representam uma confirmação oficial da Ferrari.

Ferrari enfrenta poucas alternativas para substituir Vasseur

Apesar dos questionamentos sobre o futuro de Vasseur, a Ferrari pode não contar com um substituto evidente no momento. Segundo Terruzzi, Antonello Coletta, responsável pelo programa da Ferrari no Mundial de Endurance (WEC), não teria interesse em assumir o cargo de chefe da equipe de Fórmula 1. Andrea Stella, atual dirigente da McLaren, também não estaria disponível.

Dessa forma, a Ferrari enfrenta uma decisão complexa sobre o futuro de sua liderança esportiva. Enquanto os resultados aumentam a pressão sobre Vasseur, uma eventual mudança exigiria encontrar um profissional capaz de administrar a estrutura técnica, esportiva e política de uma das equipes mais cobradas da Fórmula 1.

Para Patrese, a situação demonstra que não há uma solução simples para os problemas da Ferrari e que trocar o chefe de equipe, por si só, não garante uma recuperação competitiva.

Foto: (Reprodução/ TRF1)