O GP do Azerbaijão entregou exatamente o tipo de corrida caótica que costuma marcar o circuito de Baku. Entre acidentes, Safety Cars, recuperações impressionantes e uma disputa apertada pela vitória, George Russell saiu como o grande vencedor do fim de semana dentro e fora da pista.
George Russell dominou a classificação, largou da pole e resistiu à pressão de Max Verstappen para conquistar sua terceira vitória na temporada. Enquanto isso, Kimi Antonelli transformou um sábado que parecia perdido em um quinto lugar, a Red Bull colocou seus dois carros no pódio e a McLaren deixou Baku sem marcar sequer um ponto.
Russell reencontrou seu melhor nível no momento certo
Se havia alguma dúvida sobre a capacidade de George Russell de voltar a brigar pelas primeiras posições, Baku serviu como uma resposta bastante clara.
O britânico foi competitivo desde os primeiros treinos e confirmou o ritmo na classificação, quando conquistou a pole position com uma volta de 1min42s526. A vantagem para Charles Leclerc, segundo colocado, foi impressionantes 0s837, uma diferença enorme em uma sessão que tinha Mercedes, Ferrari, Red Bull e McLaren brigando pelas primeiras posições.
Na corrida, Russell conseguiu transformar a pole em vitória. Mesmo depois de dois períodos de Safety Car reduzirem sua vantagem, o piloto da Mercedes controlou os dois relargadas e segurou Verstappen até a bandeirada. O holandês chegou a pressionar fortemente nas voltas finais, mas Russell cruzou a linha de chegada apenas 0s196 à frente da Red Bull.
O resultado também teve impacto direto no campeonato. Russell começou o fim de semana 81 pontos atrás de Antonelli e terminou Baku 66 pontos distante do companheiro de equipe. A vitória, portanto, não serviu apenas para recolocar o britânico no topo do pódio, mas também para reduzir a vantagem do líder do campeonato. Depois de um período sem vencer desde o GP da Áustria, Russell mostrou em Baku que continua muito vivo na disputa pelo título.
Antonelli mostrou que uma corrida pode salvar um fim de semana
O sábado de Kimi Antonelli parecia ter destruído suas chances antes mesmo da corrida começar. Líder do campeonato, o italiano bateu na curva 1 durante o Q1 e não conseguiu marcar tempo suficiente para avançar. O acidente encerrou sua classificação e o deixou apenas na 16ª posição do grid, enquanto Russell conquistava a pole.
A situação poderia ter terminado em um desastre para Antonelli. Em vez disso, o piloto fez uma corrida de recuperação consistente e terminou em quinto.
Antonelli ganhou 11 posições ao longo das 51 voltas e cruzou a linha de chegada apenas 14s512 atrás do vencedor. O resultado não foi suficiente para manter sua vantagem de 81 pontos sobre Russell, mas evitou uma perda muito maior na liderança do campeonato. Foi, essencialmente, uma corrida de recuperação e controle de danos. Depois de largar tão atrás, terminar em quinto manteve Antonelli no topo da tabela e mostrou a importância de transformar um fim de semana comprometido em um resultado sólido.
A McLaren pagou caro por dois erros em momentos decisivos
A McLaren chegou a Baku com um cenário bastante promissor. Oscar Piastri largou em terceiro, depois de ficar apenas 0s001 atrás de Leclerc na classificação, enquanto Lando Norris começou a prova em quinto.
Piastri, inclusive, passou boa parte da corrida nas posições do pódio. O australiano parecia encaminhar um resultado importante até a relargada após o Safety Car. Naquele momento, porém, Piastri travou os pneus dianteiros na curva 1. O erro fez com que ele perdesse posições rapidamente e transformou uma possível luta pelo pódio em uma corrida de recuperação. No fim, o australiano terminou apenas em 14º. O próprio piloto admitiu que o travamento o pegou de surpresa.
A situação de Norris foi ainda pior e não por um erro do próprio piloto.
Durante outra relargada, Franco Colapinto passou reto na curva 1 e acertou Pierre Gasly. O francês acabou atingindo Norris, que estava no caminho, e os três ficaram fora da corrida. O incidente aconteceu na volta 36 e provocou mais uma intervenção do Safety Car. O resultado foi um fim de semana sem pontos para a McLaren. Piastri terminou em 14º e Norris abandonou, um contraste enorme com a velocidade apresentada pela equipe na classificação.
A Red Bull mostrou que tinha ritmo para vencer em Baku
A Red Bull talvez tenha saído de Baku com uma das maiores confirmações do fim de semana: o carro tinha velocidade para lutar pela vitória. Max Verstappen teve uma classificação problemática e largou apenas em oitavo, depois de relatar perda de potência e problemas relacionados ao gerenciamento da bateria. Ainda assim, a equipe conseguiu transformar a situação em um resultado muito mais forte no domingo.
Verstappen avançou pelo pelotão, ultrapassou rivais e chegou a disputar diretamente a vitória com Russell nas voltas finais. Terminou em segundo, apenas 0s196 atrás do Mercedes.
E não foi apenas Verstappen. Isack Hadjar largou em quarto e completou o pódio na terceira posição, garantindo um resultado duplo para a Red Bull. O francês voltou a competir depois de perder três corridas por causa de uma lesão no pulso e imediatamente entregou um dos melhores resultados de sua temporada.
Com Verstappen em segundo e Hadjar em terceiro, a Red Bull somou 33 pontos em Baku e reduziu para 43 pontos a desvantagem para a McLaren no Mundial de Construtores. O detalhe mais importante é que Verstappen ainda conseguiu esse resultado mesmo depois de largar em oitavo. Isso mostra o quanto a Red Bull conseguiu evoluir ao longo do fim de semana e, principalmente, como seu ritmo de corrida estava forte.
Em Baku, um pequeno erro pode destruir uma grande corrida
Talvez essa seja a principal lição deixada pelo fim de semana. O circuito de Baku voltou a provar que oferece pouca margem para erros. Antonelli perdeu sua classificação ao tocar no muro. Piastri jogou fora uma posição de pódio ao travar os pneus em uma relargada. Norris abandonou depois de ser atingido no acidente entre os dois pilotos da Alpine.
Até mesmo a classificação mostrou como os detalhes fazem diferença: Russell conseguiu extrair uma volta excepcional para abrir mais de oito décimos sobre Leclerc, enquanto Verstappen enfrentou problemas de potência e ficou apenas em oitavo.
Na corrida, os Safety Cars também mudaram completamente o cenário. Russell viu sua vantagem desaparecer em duas oportunidades e precisou reconstruir a liderança, enquanto Verstappen aproveitou as relargadas para se aproximar da Mercedes.
No fim, Baku premiou quem conseguiu manter a execução sob controle. Russell não cometeu um erro decisivo, Verstappen transformou o oitavo lugar do grid em segundo, Antonelli salvou um quinto lugar e a Red Bull colocou dois carros no pódio.
A McLaren, por outro lado, mostrou o outro lado da moeda: mesmo tendo velocidade para brigar pelas primeiras posições, terminou o domingo sem nenhum ponto.
É justamente isso que torna o resultado de Baku tão importante para o campeonato. Russell diminuiu a diferença para Antonelli, a Red Bull encostou mais na McLaren entre os construtores e a Mercedes saiu do Azerbaijão com a confirmação de que continua capaz de vencer mesmo em um cenário de forte equilíbrio entre as principais equipes.
Foto: (Reprodução/TMC)



