Alexander Volkanovski está pensando em um último grande desafio para encerrar sua trajetória no UFC, e a ideia envolve subir de categoria para enfrentar Justin Gaethje pelo cinturão dos leves. Aos 38 anos em 2027, o australiano acredita que uma superluta contra outro dos principais nomes de sua geração seria uma maneira especial de fechar a carreira: dois campeões, duas trajetórias consolidadas e um título em disputa antes de ambos considerarem a aposentadoria.
O plano, no entanto, depende de uma etapa fundamental. Volkanovski precisa primeiro defender o cinturão dos penas contra Movsar Evloev no UFC 333, em um confronto que promete ser um dos testes mais exigentes de seu reinado. O russo está invicto no MMA, com 20 vitórias profissionais e dez triunfos no UFC, e representa um adversário capaz de ameaçar os planos do australiano antes mesmo de a possibilidade de enfrentar Gaethje se tornar concreta.
A proposta de Volkanovski chama a atenção porque não se limita à ambição de conquistar um segundo cinturão. O australiano apresentou a ideia como uma espécie de último capítulo compartilhado com Gaethje, que também nasceu em 1988 e ainda não definiu se voltará a competir. Em vez de prolongar as carreiras indefinidamente, os dois poderiam transformar uma superluta em um encerramento de alto impacto para suas trajetórias no esporte.
A ideia reúne apelo, interesse comercial e uma questão que começa a ganhar importância para os dois lutadores: como escolher os últimos desafios de uma carreira sem permitir que a busca por mais uma conquista comprometa o legado construído ao longo dos anos?
Volkanovski já tem o próximo desafio em mente, mas precisa superar Evloev
Em participação no podcast Who The Fook Are These Guys?, Volkanovski deixou claro que gostaria de enfrentar Gaethje caso consiga defender o título peso-pena no UFC 333. O australiano sugeriu que os dois disputassem o cinturão dos leves e, depois disso, encerrassem suas carreiras, permitindo que as respectivas divisões seguissem em frente.
A proposta é ousada, mas também revela como Volkanovski está pensando nesta fase da carreira. O australiano já construiu um currículo que o coloca entre os nomes mais importantes da história recente do UFC. Seu domínio no peso-pena foi marcado pela capacidade de combinar inteligência tática, resistência física, adaptação durante as lutas e uma consistência que o manteve no topo por anos.
Agora, ele parece interessado em buscar uma conquista que ampliaria ainda mais esse legado. Vencer Gaethje pelo cinturão dos leves significaria superar um campeão de outra categoria e demonstrar que ainda consegue competir em um ambiente fisicamente diferente daquele em que construiu sua reputação.
O problema é que a oportunidade não está garantida. Antes de pensar em subir de divisão, Volkanovski terá de enfrentar Evloev, um adversário que apresenta características particularmente perigosas para um campeão que gosta de controlar o ritmo e encontrar soluções durante os combates.
Uma derrota mudaria completamente o cenário. Além de interromper sua trajetória como campeão dos penas, poderia adiar ou até inviabilizar a superluta com Gaethje. Por isso, a proposta do australiano precisa ser entendida como um objetivo condicionado ao resultado de sua próxima defesa de título. Volkanovski pode ter o futuro planejado, mas ainda precisa provar que continua capaz de controlar o presente.
Gaethje seria o adversário ideal para uma superluta?
Justin Gaethje oferece uma combinação interessante de experiência, poder de nocaute e reconhecimento. Conhecido pelo estilo agressivo e pela disposição para entrar em trocas intensas, o norte-americano construiu uma carreira marcada por combates de alto nível e por uma capacidade incomum de transformar disputas técnicas em confrontos imprevisíveis.
Uma luta contra Volkanovski teria um apelo diferente de uma defesa convencional de cinturão. Os dois são atletas consagrados, possuem estilos que podem produzir um confronto dinâmico e carregam trajetórias suficientemente importantes para que o combate seja apresentado como um evento especial.
Volkanovski provavelmente tentaria utilizar movimentação, combinações rápidas e mudanças de ritmo para evitar que Gaethje estabelecesse uma sequência confortável de golpes. O norte-americano, por sua vez, buscaria pressionar, encurtar a distância e transformar a potência de suas mãos em uma vantagem decisiva.
A questão mais importante, porém, estaria na diferença de categorias. Volkanovski teria de subir dos penas para os leves, enfrentando um adversário acostumado a competir em uma divisão maior. Embora o australiano não seja baixo para os padrões dos penas e tenha demonstrado grande capacidade física durante a carreira, o salto exigiria uma avaliação cuidadosa de seu peso, força e resistência.
Além disso, Gaethje não é um adversário que permita muitos erros. Seu estilo agressivo pode criar oportunidades para contra-ataques, mas também pune duramente quem permanece na zona de perigo por tempo demais. Volkanovski precisaria administrar a distância com precisão e evitar que a luta se transformasse em uma sequência de trocas desorganizadas.
Esse equilíbrio é justamente o que torna a ideia atraente. A superluta teria um componente técnico real, não apenas o apelo de colocar dois nomes famosos no mesmo card. O confronto colocaria à prova a capacidade de adaptação de Volkanovski e a habilidade de Gaethje para lidar com um adversário conhecido pela inteligência tática.
Ainda assim, o peso do cinturão mudaria a natureza da disputa. Não seria apenas uma luta de despedida entre dois veteranos. Seria uma oportunidade de conquistar um título em uma segunda categoria, algo que acrescentaria uma conquista importante à trajetória de quem saísse vencedor.
A idade transforma o combate em uma decisão sobre legado
Volkanovski e Gaethje nasceram em 1988 e completariam 38 anos durante 2027. A idade, por si só, não determina quando um lutador precisa se aposentar, mas torna inevitável uma discussão sobre o custo físico de continuar competindo no mais alto nível.
O MMA exige muito do corpo. Os treinamentos acumulam desgaste, as categorias impõem desafios físicos diferentes e cada combate pode produzir consequências que não desaparecem simplesmente com algumas semanas de descanso. Mesmo atletas extremamente disciplinados precisam considerar que a recuperação tende a se tornar mais complexa com o passar dos anos.
Nesse contexto, uma superluta entre Volkanovski e Gaethje poderia representar uma maneira de transformar a etapa final de suas carreiras em um acontecimento planejado, em vez de permitir que ela se prolongue sem um objetivo claro.
A proposta do australiano tem uma dimensão simbólica justamente por isso. Os dois poderiam se preparar para um último grande combate, disputar um cinturão e, caso mantivessem a intenção apresentada por Volkanovski, encerrar suas trajetórias logo depois.
Mas existe uma diferença entre escolher uma despedida marcante e assumir que ela será necessariamente a melhor decisão esportiva. Uma luta desse tamanho também pode representar um risco elevado. O resultado pode alterar a percepção sobre o legado dos dois, especialmente se um deles sofrer uma derrota contundente em um momento no qual já está considerando parar.
Por outro lado, grandes campeões nem sempre precisam terminar a carreira invictos ou sair do esporte depois de uma vitória. O legado de um atleta é construído ao longo de anos, e uma derrota no fim não apaga automaticamente as conquistas anteriores. A questão está em saber se o lutador continua competindo porque deseja enfrentar desafios reais ou porque ainda não consegue imaginar uma vida sem o esporte.
Volkanovski parece querer transformar essa reflexão em uma decisão concreta. Em vez de simplesmente anunciar que pretende lutar por mais alguns anos, apresentou um objetivo específico que poderia justificar a permanência no octógono por mais uma temporada.
A divisão dos leves pode ser o principal obstáculo
Mesmo que Volkanovski vença Evloev e Gaethje aceite retornar, a organização ainda precisaria resolver uma questão esportiva importante: o que aconteceria com a divisão dos leves?
Uma superluta pelo cinturão teria consequências para uma categoria que reúne vários candidatos interessados em disputar o título. Arman Tsarukyan, por exemplo, aparece como um possível adversário para Gaethje caso o norte-americano decida voltar a lutar e siga o caminho tradicional da divisão.
Se Gaethje aceitasse enfrentar Volkanovski, outros competidores poderiam ter de esperar mais tempo por uma oportunidade. A situação seria ainda mais delicada caso a luta fosse tratada como um evento de despedida, já que a divisão precisaria reorganizar a disputa pelo cinturão depois que os dois deixassem de competir.
Esse é o preço de uma superluta. O confronto pode gerar enorme interesse e oferecer uma oportunidade histórica aos protagonistas, mas também precisa fazer sentido dentro da estrutura esportiva do UFC.
A organização teria de decidir se o apelo de colocar dois campeões frente a frente justificaria o adiamento de outras disputas importantes. Não seria uma escolha simples, especialmente em uma categoria tão competitiva.
Ainda assim, o combate teria argumentos suficientes para ser considerado. Volkanovski não estaria simplesmente pedindo uma oportunidade sem ter construído um currículo compatível com o desafio. Ele é um campeão consolidado, enquanto Gaethje possui experiência e reputação para transformar a luta em um dos eventos mais interessantes do calendário.
A condição fundamental seria garantir que o combate não existisse apenas pela narrativa de aposentadoria. Para ter valor esportivo, precisaria representar uma disputa real entre dois atletas ainda capazes de competir em alto nível.
Uma última luta pode ser mais importante do que mais uma temporada
A proposta de Volkanovski coloca o UFC diante de uma possibilidade rara: transformar a reta final de duas carreiras importantes em uma história compartilhada. O australiano ainda precisa superar Evloev, e Gaethje sequer confirmou que voltará a lutar. Portanto, a superluta permanece como uma possibilidade, não como um combate garantido.
Mas a ideia revela algo importante sobre a maneira como os dois podem estar avaliando o futuro. Depois de anos dedicados a conquistar cinturões, enfrentar os melhores adversários e construir reputações, talvez o próximo passo não precise ser simplesmente prolongar a carreira. Pode ser escolher um desafio que tenha significado suficiente para justificar o esforço de continuar.
Volkanovski teria a oportunidade de buscar um segundo cinturão em uma categoria mais pesada. Gaethje poderia enfrentar um dos campeões mais respeitados de sua geração. O UFC teria um confronto com apelo esportivo e comercial, além de uma narrativa clara para o público.
Tudo isso, porém, depende de uma sequência de decisões. Primeiro, Volkanovski precisa vencer Evloev. Depois, Gaethje terá de decidir se quer voltar ao octógono. Por fim, a organização precisará avaliar se a disputa pelo cinturão dos leves é compatível com os interesses esportivos da divisão.
Se esses obstáculos forem superados, a luta poderá se tornar muito mais do que um encontro entre dois veteranos. Poderá representar uma despedida planejada, na qual ambos escolhem enfrentar um último grande desafio antes de abrir espaço para a próxima geração.
Volkanovski ainda não chegou ao fim da carreira, mas já sabe qual combate gostaria de disputar se conseguir atravessar o próximo obstáculo. E a ideia de enfrentar Gaethje pelo cinturão dos leves mostra que, para ele, a última página não precisa ser apenas mais uma defesa de título.
Pode ser uma tentativa de encerrar a história em grande estilo, com um adversário à altura e uma conquista que amplie ainda mais o legado dos dois.



