Lutas UFC

As novas estrelas do UFC: quem são os cinco maiores prospectos da temporada do Dana White’s Contender Series?

A décima temporada do Dana White’s Contender Series chegou ao fim com 46 lutadores contratados pelo UFC, ampliando o grupo de atletas que tentarão transformar uma oportunidade em um dos programas mais importantes da carreira em uma trajetória de destaque na principal organização de MMA do mundo. Como acontece a cada edição, alguns nomes chegam com resultados expressivos, outros chamam atenção pela capacidade de decisão e há aqueles que ainda precisam provar que conseguem transportar o potencial demonstrado no programa para o nível mais alto do esporte.

Entre os novos contratados, cinco prospectos se destacam pela combinação de talento, resultados e possibilidades de evolução: Akbar Abdullaev, Bilal Hasan, Anthony Wint, Christian Natividad e Aieza Bertolso. Os cinco possuem características diferentes, mas compartilham uma oportunidade importante: iniciar a carreira no UFC com argumentos suficientes para despertar a atenção da organização e, potencialmente, construir um caminho até o ranking de suas respectivas categorias.

O principal nome dessa lista é Abdullaev, que chega invicto e com um histórico expressivo de nocautes. Hasan também aparece como uma aposta de alto potencial, enquanto Wint representa um caso particularmente interessante pela transição do futebol americano para o MMA. Natividad se destacou ao aceitar uma luta em cima da hora e conquistar o contrato com um nocaute no corpo, e Bertolso surge como uma das representantes mais promissoras do MMA feminino entre os participantes da temporada.

A avaliação, naturalmente, não significa que os cinco terão sucesso garantido. O Dana White’s Contender Series já demonstrou ser uma plataforma capaz de revelar talentos, mas conquistar um contrato é apenas o primeiro passo. O verdadeiro teste começa quando os lutadores passam a enfrentar adversários escolhidos para explorar suas limitações e quando cada vitória precisa ser construída diante de um nível de competição progressivamente mais alto.

1. Akbar Abdullaev

Entre os nomes apresentados na décima temporada, Akbar Abdullaev aparece como o lutador com o maior potencial imediato. Aos 29 anos, o quirguiz mantém um cartel profissional de 14 vitórias e nenhuma derrota, além de já ter acumulado experiência fora do circuito de eventos menores. Antes de conquistar seu contrato no Contender Series, ele competiu na Ásia pelo ONE Championship, uma trajetória que pode facilitar sua adaptação ao ambiente de uma grande organização internacional.

A vitória que garantiu sua entrada no UFC foi especialmente impressionante. Abdullaev precisou de apenas 19 segundos para nocautear Ednilson Santos, ampliando para 13 o número de triunfos por nocaute em sua carreira profissional. A rapidez do resultado chama atenção, mas o que torna o prospecto interessante é o conjunto: experiência competitiva, poder de finalização e uma sequência invicta que indica consistência.

O quirguiz atua no peso-leve, uma das divisões mais profundas e exigentes do UFC. Isso significa que a margem para evoluir rapidamente depende não apenas de vencer, mas de demonstrar que consegue lidar com adversários capazes de neutralizar suas principais armas. O talento para encerrar lutas está demonstrado; a próxima etapa será comprovar que ele também consegue manter o desempenho quando o combate se torna mais complicado.

Abdullaev ainda não tem uma estreia anunciada no UFC, mas existe uma expectativa de que receba um adversário capaz de testar suas habilidades desde o primeiro compromisso. Uma vitória convincente nesse cenário poderia acelerar sua ascensão dentro da divisão.

Entre os cinco prospectos, ele reúne talvez a combinação mais forte de experiência e resultados para causar impacto em curto prazo. O desafio será transformar essa impressão inicial em uma sequência consistente de atuações dentro do octógono.

2. Bilal Hasan

Bilal Hasan é outro nome que merece atenção especial. O indonésio de 25 anos chegou ao UFC invicto, com dez vitórias e um resultado sem decisão, além de nove triunfos por interrupção. Seu contrato foi conquistado após um nocaute sobre Mridul Saikia em apenas 45 segundos no Contender Series, uma apresentação que evidenciou sua capacidade de aproveitar rapidamente as oportunidades ofensivas.

Hasan não demorou a mostrar que o desempenho no programa poderia ser transportado para o UFC. Pouco mais de duas semanas depois de garantir o contrato, ele estreou na organização e venceu Nilson Rojas por nocaute. A rapidez com que recebeu a primeira luta e a maneira como respondeu dentro do octógono sugerem que a equipe de matchmaking está interessada em observar sua evolução de perto.

O próximo compromisso já está marcado: Hasan enfrentará Luis Gurule no UFC 334, em novembro, em uma luta programada para abrir o card principal da transmissão pelo Paramount+, em Nova York. A posição no evento é um sinal de que a organização pretende dar visibilidade ao prospecto, embora o resultado desse confronto seja muito mais importante para medir seu nível competitivo do que o lugar ocupado no programa.

A categoria peso-mosca exige velocidade, precisão e capacidade de manter um ritmo elevado. Hasan demonstra poder de finalização, mas precisará provar que consegue conservar essa eficiência contra adversários com maior experiência, defesa mais sólida e capacidade de prolongar os combates.

Seu cartel invicto é um indicador positivo, não uma garantia de sucesso. Ainda assim, a idade, o histórico de interrupções e o começo promissor no UFC justificam a expectativa de que ele possa se tornar um nome importante da divisão. Chegar à disputa pelo cinturão ainda é uma projeção distante, mas Hasan tem características que tornam esse objetivo plausível se continuar evoluindo.

3. Anthony Wint

Anthony Wint oferece uma trajetória diferente da maioria dos prospectos do Contender Series. Antes de se dedicar ao MMA, o norte-americano de 31 anos atuou como linebacker do New York Jets, experiência que ajuda a explicar sua combinação de força, explosão e capacidade atlética.

Seu cartel profissional é de nove vitórias e nenhuma derrota, com oito triunfos por interrupção. Wint garantiu o contrato com uma vitória por nocaute técnico sobre Matt Adams em apenas 34 segundos. O resultado foi suficiente para chamar atenção, mas sua sequência posterior tornou o caso ainda mais interessante.

A organização o escalou para estrear no UFC apenas 11 dias depois. Wint venceu Terrance Chatman por finalização no UFC Sacramento e, pouco mais de um mês depois, voltou ao octógono no UFC 332, quando nocauteou Lucas Armand em 23 segundos. Em um intervalo muito curto, ele conquistou duas vitórias na principal organização de MMA do mundo e demonstrou que consegue produzir resultados por caminhos diferentes.

O histórico no futebol americano não garante uma adaptação bem-sucedida ao MMA, mas pode oferecer vantagens físicas importantes. Na divisão dos pesos-pesados, força, velocidade e explosão são atributos capazes de produzir diferenças significativas, especialmente nos primeiros minutos de uma luta. Wint parece possuir essas ferramentas, além de demonstrar capacidade de finalizar adversários.

O desafio será desenvolver os aspectos técnicos e táticos que não são medidos apenas pelo atletismo. Contra adversários mais experientes, será necessário mostrar defesa consistente, controle de distância, capacidade de administrar o ritmo e respostas quando o combate não seguir o roteiro esperado.

Ainda é cedo para projetá-lo como futuro campeão, e a divisão dos pesos-pesados costuma punir rapidamente qualquer deficiência técnica. Entretanto, Wint possui atributos que justificam acompanhar sua evolução. Se conseguir transformar o potencial físico em um jogo completo, poderá disputar espaço entre os 15 melhores da categoria em um horizonte relativamente curto.

4. Christian Natividad

Christian Natividad foi uma das surpresas da décima temporada. O peso-mosca havaiano aceitou enfrentar Colton Loud com pouco tempo de preparação e, mesmo nessas circunstâncias, conseguiu uma vitória que lhe garantiu o contrato com o UFC. O desfecho foi um nocaute com um golpe no corpo, um recurso que nem sempre recebe a mesma atenção que as finalizações na cabeça, mas que pode ser extremamente eficaz quando executado com precisão.

A vitória foi um cartão de visita importante para um lutador que precisava aproveitar uma oportunidade inesperada. Aos 29 anos, Natividad possui dez triunfos e nenhuma derrota no MMA profissional, com quatro vitórias por nocaute. O cartel sugere um atleta que ainda está construindo sua identidade, mas que já demonstrou capacidade para encontrar soluções ofensivas.

O fato de ter lutado em cima da hora também torna a apresentação interessante. A preparação curta pode limitar o planejamento específico para um adversário, obrigando o atleta a depender mais da própria leitura de combate e das habilidades que já desenvolveu. Natividad conseguiu transformar essa situação em vantagem, embora uma única luta não seja suficiente para concluir que ele estará preparado para todos os desafios que encontrará no UFC.

Há também uma ligação familiar com a organização: Christian é irmão mais novo de Kevin Natividad, ex-lutador do UFC. Essa proximidade pode oferecer referências sobre as exigências do ambiente, mas o jovem precisará construir sua própria trajetória, sem depender da história de outro atleta.

A divisão peso-mosca é extremamente competitiva, com lutadores que combinam velocidade, volume de golpes e boa capacidade defensiva. Para avançar, Natividad terá de mostrar que consegue manter a precisão quando os adversários estudarem seu estilo e tentarem impedir que ele encontre o espaço para atacar o corpo.

Seu potencial está na combinação de invencibilidade, capacidade de adaptação e disposição para aproveitar oportunidades. Se conseguir transformar essas características em regularidade, poderá começar a se aproximar do ranking nos próximos anos.

5. Aieza Bertolso

Aieza Bertolso completa a lista e representa uma das apostas mais interessantes da temporada no MMA feminino. A brasileira de 25 anos chegou ao Contender Series com oito vitórias e nenhuma derrota, além de seis triunfos por interrupção. Sua apresentação no programa terminou com uma finalização sobre Camila Reynoso ainda no primeiro round, resultado que lhe garantiu o contrato com o UFC.

Bertolso já possuía uma credencial importante antes de entrar no programa: foi campeã peso-palha feminino da LFA, uma organização frequentemente utilizada como etapa de preparação para lutadores que buscam chegar ao UFC. Essa experiência pode ajudá-la a enfrentar a transição para um ambiente mais exigente, embora o nível de competição na principal organização de MMA do mundo imponha novos desafios.

Um dos aspectos que chama atenção é seu porte físico para a categoria. Com aproximadamente 1,70 m, Bertolso está entre as atletas mais altas do peso-palha, característica que pode ajudá-la a controlar a distância, trabalhar com golpes retos e criar dificuldades para adversárias de menor alcance. O tamanho, por si só, não garante vantagem, mas pode se tornar um recurso importante quando combinado com técnica e boa movimentação.

A brasileira ainda não tem uma estreia anunciada no UFC. A expectativa é que receba sua primeira luta até o fim de 2026 ou no primeiro trimestre de 2027, mas a data dependerá das decisões da organização e da disponibilidade de adversárias.

Seu histórico de finalizações também merece atenção. Uma atleta capaz de encerrar combates tanto na trocação quanto no grappling oferece mais caminhos para vencer, embora seja necessário observar como essas ferramentas funcionam contra adversárias com maior experiência defensiva.

O objetivo inicial será se adaptar ao ritmo do UFC e conquistar a primeira vitória. Depois disso, Bertolso poderá começar a construir uma sequência que a aproxime do ranking. A projeção de chegar ao top 15 em um ou dois anos é ambiciosa, mas sua idade, o cartel invicto e o título anterior na LFA justificam acompanhá-la com interesse.