Lewis Hamilton Mônaco
Automobilismo Fórmula 1

A Mercedes e as evoluções que deram 2 vitórias para a equipe

Sim, George Russell estava a 15.380 segundos atrás de Max Verstappen e Lando Norris até os dois colidirem na volta número 64 na Áustria, mas pouco se fala que ele já estava a 3.100 segundos de Carlos Sainz e que Lewis Hamilton era o 6º colocado com ampla vantagem para o 7º, deixando as duas Mercedes em uma condição excelente de pontuar.

Embora o composto macio não fosse a melhor escolha para aquele trecho final do GP da Inglaterra, Lewis Hamilton teve uma tocada precisa quanto à preservação dos pneus macios, mantendo a liderança. No dia anterior, George Russell havia cravado a pole, desbancando o próprio Lewis e entregando um 1-2 em seu quintal de fábrica.

Podemos ver que a sorte sorriu para a Mercedes, mas a evolução da equipe é notória. Nas últimas três etapas, a Mercedes vem disputando centímetro a centímetro com a RBR o posto de segundo carro mais veloz do grid, e tem tranquilamente seu melhor exemplar da era do Efeito Solo. A que podemos creditar isso precisamente?

Muito se deve a ações na traseira do carro. Tanto na Áustria quanto na Inglaterra, as atualizações de performance focaram essa área do carro.

Na Áustria, a “Beam Wing”, aqueles flaps que fazem uma ação de segunda asa traseira na parte inferior da asa principal, teve seu formato remodelado para diminuição do arrasto e alteração no perfil de direcionamento do ar.

Na Inglaterra, as mudanças foram na parte traseira do assoalho, com o mesmo intuito de diminuição do arrasto e alteração do perfil de direcionamento do ar. Também houve remodelações nas asas dianteira e traseira, para uma suavização do conjunto direcionador do ar, classificadas como “específicas de circuito” que podem ser levadas adiante.

Como a Mercedes se tornou competitiva

Como alterações tão “pequenas” trouxeram uma mudança tão grande no desempenho da equipe? Bem simples: a confiança dos pilotos.

A estabilidade traseira era um ponto crítico para a Mercedes desde a criação do W13. A equipe criava carros com muito potencial de serem rápidos, porém extremamente instáveis, o que impedia os pilotos de extraírem o máximo deles. Hoje, com o W15 e um chassi totalmente diferente dos seus antecessores, a equipe conseguiu melhorar muito esse aspecto, embora ainda devesse na parte aerodinâmica do acerto.

Isso tem sido o foco neste ano. Agora, com as pistas “clássicas” entrando em ação, a Mercedes pôde fazer os ajustes mais minuciosos possíveis.

Na Espanha, o carro não foi alterado, e a equipe percebeu a necessidade de uma alteração de pressão que era muito alta, deixando o carro muito “arisco”. Na Áustria, retiraram essa pressão com uma mudança no perfil das Beam Wings, mas viram resistência do assoalho em direcionar o ar de forma mais suave, acompanhando o novo perfil das asas, e assim o fizeram na Inglaterra.

Hoje, a Mercedes tem seu carro mais estável e regular dos últimos anos, o que refletiu em duas vitórias seguidas e um 1-2 nas últimas duas provas, mesmo não sendo o carro mais rápido na pista.

Agora veremos, com o andamento da temporada, o quanto mais a Mercedes e as outras equipes vão conseguir melhorar, pois a diferença entre os quatro principais carros do ano nunca foi tão próxima como neste meio de temporada.

(Foto: Twitter Mercedes)