Fernando Alonso, embora esteja com 44 anos, vivendo os capítulos finais de sua carreira na Fórmula 1 e enfrentando dificuldades para avançar além da primeira fase da classificação em alguns fins de semana de corrida, o piloto espanhol continua exercendo enorme influência sobre o mercado de pilotos da categoria.
Esse cenário demonstra o respeito que o bicampeão mundial ainda desperta dentro do paddock e em todo o ecossistema da F1. Também evidencia sua importância para a Aston Martin, que já ultrapassou a metade de seu plano de dez anos para se transformar em uma candidata ao título mundial. O contrato de Alonso termina ao final desta temporada, e o espanhol já deixou claro que pretende esperar pelo menos até o verão europeu antes de tomar uma decisão definitiva sobre seu futuro.
Essa postura não é incomum entre os pilotos. Além de permitir uma avaliação mais completa do desempenho da própria equipe e dos adversários ao longo da primeira metade do campeonato, esse período coincide com o momento em que equipes e pilotos precisam decidir se irão ou não acionar cláusulas de renovação contratual.
Neste ano, porém, o verão terá um peso ainda maior para Alonso. A Aston Martin prepara uma grande atualização técnica, considerada internamente tão abrangente que se aproxima de um carro especificação B. Ao mesmo tempo, a Honda deve introduzir sua primeira grande evolução desde seu retorno à categoria nesta temporada.
Fontes indicam que Alonso está inclinado a continuar correndo além deste ano. No entanto, o desgaste provocado por pilotar um carro pouco competitivo também pesa em sua avaliação. Caso decida permanecer na Fórmula 1, a principal questão será se continuará na Aston Martin ou se considerará alguma alternativa em outra equipe.
Aston Martin segue como destino mais provável
Conforme já foi relatado anteriormente, existe interesse de pelo menos uma outra equipe do grid em conversar com Alonso sobre uma possível contratação. Ainda não está claro, porém, se esse interesse evoluirá para negociações concretas ou se o espanhol estaria disposto a iniciar uma nova mudança em um estágio tão avançado de sua carreira.
O cenário mais provável continua sendo sua permanência na Aston Martin, projeto que ele classificou como um “projeto para a vida toda” quando renovou seu vínculo com a equipe baseada em Silverstone em 2024. Enquanto Alonso não toma sua decisão, diversas equipes do pelotão intermediário tendem a adotar uma postura cautelosa antes de definir suas duplas para 2027.
Isso não significa que deixarão de avaliar alternativas. Uma das ferramentas utilizadas para esse planejamento é o programa conhecido como Teste com Carros Antigos (TPC), que permite às equipes colocarem jovens pilotos em carros de Fórmula 1 de temporadas anteriores.
Essas atividades servem para avaliar talentos emergentes e auxiliar no planejamento sucessório das equipes, oferecendo informações importantes caso mudanças de pilotos sejam necessárias nos próximos anos. A influência de Alonso no mercado é tão grande que muitas equipes preferem aguardar sua definição antes de tomarem decisões mais abrangentes sobre suas futuras formações.
Haas observa novos talentos enquanto McLaren acompanha Fornaroli
A Haas F1 Team realizou recentemente um teste de dois dias em Jerez com o atual campeão da Fórmula 2, Leonardo Fornaroli, que também atua como piloto reserva da McLaren. O reserva da própria Haas, Ryo Hirakawa, também participou das atividades.
Segundo fontes, ambos podem entrar na disputa por uma vaga no grid da próxima temporada caso impressionem a equipe e o chefe Ayao Komatsu decida alterar sua atual formação composta por Oliver Bearman e Esteban Ocon.
A McLaren ficou bastante satisfeita com o desempenho de Fornaroli quando o italiano participou de seu primeiro treino livre de fim de semana de corrida, pilotando o carro de Lando Norris durante a primeira sessão de treinos em Barcelona. Na sequência, o piloto realizou seu quarto teste de Fórmula 1 ao conduzir o carro da McLaren de 2023 em Monza.
Como Norris e Oscar Piastri possuem contratos de longo prazo, existe a possibilidade de a McLaren emprestar Fornaroli para outra equipe, mantendo a opção de convocá-lo de volta caso seja necessário.
A Haas vê valor na promoção de jovens talentos, especialmente após o sucesso obtido com a integração de Bearman à Fórmula 1. O britânico encerrou sua temporada de estreia em alta e continua evoluindo em seu segundo ano.
Por isso, caso Fornaroli ou Hirakawa, apoiado pela Toyota, patrocinadora da Haas, demonstrem potencial nos testes, poderão entrar futuramente na discussão por um assento permanente na categoria.
Cadillac e Alpine definem seus próximos passos para 2027
A situação da Cadillac Formula One Team também chamou atenção. O início difícil de Valtteri Bottas gerou especulações sobre a segurança de sua vaga, mas seu trabalho nos bastidores vem sendo amplamente reconhecido pela equipe americana.
Quando a Cadillac contratou Bottas e Sergio Perez, buscava justamente a experiência necessária para acelerar o desenvolvimento de uma equipe estreante. Segundo informações internas, esse objetivo vem sendo alcançado. A equipe conseguiu aproveitar oportunidades importantes em sua fase inicial de crescimento, criando bases sólidas para reduzir a diferença para o pelotão intermediário.
Por esse motivo, acredita-se que a Cadillac não tenha intenção de alterar sua dupla de pilotos para 2027 neste momento. Já a Alpine tornou-se um destino bastante atrativo para pilotos após a aposta bem-sucedida de concentrar seus recursos no carro desenvolvido para o novo regulamento técnico.
A equipe passou a figurar como a principal força do pelotão intermediário e tornou-se presença frequente na zona de pontuação. Além disso, suas atualizações ao longo da temporada reforçam a percepção de que pode ser a próxima equipe a desafiar as quatro maiores forças da Fórmula 1.
Um dos assentos já está garantido. Pierre Gasly possui contrato válido pelo menos até o final de 2028 após assinar uma renovação de longo prazo no ano passado.
A segunda vaga, entretanto, segue aberta. O atual ocupante, Franco Colapinto, elevou significativamente seu desempenho nesta temporada e pontuou em quatro dos últimos seis fins de semana de Grande Prêmio, fortalecendo sua candidatura para permanecer na equipe.
Se mantiver esse nível de performance, terá argumentos sólidos para conservar sua vaga. A Alpine pretende tomar uma decisão durante o verão europeu.
No episódio mais recente do podcast Beyond The Grid, que será lançado amanhã, o consultor executivo da equipe, Flavio Briatore, indicou que a continuidade de Colapinto é uma possibilidade concreta. Segundo ele, se o argentino continuar apresentando o mesmo desempenho atual e mantiver a boa relação com Gasly, não há motivo para descartar sua permanência.
Briatore acrescentou que a equipe está concentrada em construir consistência técnica e que a decisão será tomada antes da pausa de verão, após a avaliação das corridas programadas até o fim de agosto.
Foto: (Fórmula 1)