Alan Patrick, Internacional
Futebol Brasileirão

Alan Patrick: solução ou problema para o Internacional?

Alan Patrick não é mais o mesmo jogador de outros anos. O camisa 10 colorado, capitão e principal referência técnica do Internacional, apresenta constantes falhas dentro de campo, que comprometem resultados do Inter e colocam em xeque a titularidade. As atuações criticadas geram críticas da torcida e da imprensa.

Contudo, os números de Alan Patrick pelo Internacional em 2026 não são ruins. Em 18 partidas disputadas, marcou cinco gols (artilheiro do Colorado no Brasileirão com três gols) e três assistências. É o vice-artilheiro do time, junto com Alexandro Bernabei, e está a um gol de Rafael Borré, goleador com seis gols, mas que não marca desde 21 de fevereiro, no jogo contra o Ypiranga, pelo Gauchão.

Por conta do mau momento, o técnico Paulo Pezzolano deixa Alan Patrick no banco em certas partidas do clube gaúcho. Curiosamente, o desempenho do Inter com a ausência do camisa 10 no time titular tem sido positivo.

Quando Alan Patrick vira problema para o Inter

A derrota por 1 x 0 para o Bahia na sexta rodada do Campeonato Brasileiro, em pleno Beira-Rio, trouxe enorme reflexão e o senso de urgência para Pezzolano. O treinador uruguaio percebia que o camisa 10 não era muito acionado e quando recebia a bola, perdia rapidamente.

Para isso, o comandante teve ousadia ao deixar Alan Patrick no banco para o jogo contra o Santos, na Vila Belmiro. A ausência gerou repercussão por parte da torcida colorada e da imprensa. Porém, a tática do técnico era priorizar a intensidade, principalmente por jogadas pelo lado.

A escalação inicial de três volantes e dos atacantes Borré e Alerrandro no ataque deu certo. Inter criou muitas chances de gol e venceu a partida por 2 x 1, sem nenhuma participação de Alan Patrick, que assistiu ao jogo no banco de reservas. De criticado para elogiado, assim foi Pezzolano naquela noite de quarta-feira. Em um time com dificuldades financeiras e peças que não rendem, apenas resta improvisar ou mudar esquemas táticos, a fim de buscar resultado positivo.

Esta estratégia persistiu nos jogos fora do estádio Beira-Rio. Em quatro jogos sem Alan Patrick no time inicial, o Colorado venceu três e empatou uma vez, contra o Botafogo. Nesta última partida, ele entrou no segundo tempo e perdeu a bola no lance que originou o segundo gol do time carioca.

As críticas apareceram com a mesma intensidade antes, mas Pezzolano tratou de defender o atleta na entrevista coletiva. “Não entrou mal. Quando perde a bola, há um contexto. Ele fica parado para receber a bola, mas sempre a quer. Era um jogo intenso, estavam perto dele. Colocaram individualidade em cima dele.”

Quando Alan Patrick vira solução para o Inter

Nos jogos do estádio Beira-Rio, a escalação de Alan Patrick no time inicial acontece frequentemente desde 2022, ano em que o atleta voltou ao time gaúcho. A escolha não veio por acaso: o time precisa de jogador de criação nas partidas em casa.

Por conta disso, ele costuma ser constantemente acionado nos jogos, especialmente no meio de campo. Mesmo experiente e bem marcado, Alan usa a criatividade, talento e visão de jogos para achar os colegas de ataque ou finalizar, fundamento que o camisa 10 domina como poucos no futebol nacional.

Entretanto, esta qualidade não está surtindo efeito na campanha do Inter em casa pelo Brasileirão. Em sete jogos, o clube tem quatro derrotas, dois empates e uma mísera vitória contra a Chapecoense. Alan Patrick não enfrentou apenas adversários da primeira estante do futebol brasileiro atualmente, incluem-se na lista Athletico Paranaense, São Paulo, Grêmio e Mirassol (além do time catarinense citado acima). Contra estes times, o Inter não venceu um jogo e Alan marcou apenas um gol.

A tendência é de que Pezzolano mantenha o meio-campo nos confrontos no estádio Beira-Rio. Em jogos que exigem maior participação criativa e um predomínio ofensivo, é necessário manter a principal referência técnica, mesmo que não lembre o jogador de 2023, ano em que esteve em listas de melhores atletas do continente.

A solução momentânea é essa. Como um bom estrategista, Pezzolano pode mudar o esquema na casa colorada, mas em funções que não afetam o jogador. Atualmente, ele tem sido problema, porém, não se pode negar a realidade colorada.

Créditos da imagem da capa: Ricardo Duarte/Sport Club Internacional