A pausa de quase 2 meses para a Copa do Mundo parecia representar um ponto de virada para o Internacional. Com tempo para treinamentos, jogos-treino e adaptação às ideias de Paulo Pezzolano, a expectativa era de que o Colorado voltasse mais competitivo para a segunda metade da temporada. Mas a derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro mostrou exatamente o contrário.
Os mesmos problemas que atormentaram o clube durante o primeiro semestre continuam presentes: pouca eficiência ofensiva, falhas defensivas recorrentes e dificuldades para controlar jogos decisivos. Diante desse cenário, a pergunta deixa de ser exagerada e passa a ser necessária: o Internacional realmente corre risco de disputar uma luta contra o rebaixamento?
A pausa não trouxe a evolução esperada
O maior benefício da interrupção do calendário seria o tempo de trabalho para Paulo Pezzolano. Diferentemente da rotina comum do futebol brasileiro, o treinador teve mais de um mês para corrigir problemas táticos, ajustar o posicionamento da equipe e recuperar a confiança do elenco.
Na prática, pouco mudou. Contra o Cruzeiro, o Internacional voltou a criar um bom número de oportunidades. Foram 21 finalizações, contra 13 do adversário. No entanto, apenas 3 acertaram o alvo, repetindo a falta de eficiência que acompanha o time durante toda a temporada.
Enquanto isso, o Cruzeiro foi muito mais objetivo. Explorou os espaços deixados pelo sistema defensivo colorado, acelerou as transições e aproveitou praticamente todas as oportunidades claras que criou. O jogo de transição da equipe mineira expôs uma fragilidade que continua sem solução mesmo após semanas de treinamento.
O desempenho preocupa mais do que a classificação
Neste momento, o Internacional ocupa apenas a 14ª colocação, com 21 pontos em 19 partidas. A distância para a zona de rebaixamento é de apenas um ponto, e o cenário pode piorar rapidamente caso os concorrentes diretos somam pontos na rodada. O problema não é apenas a posição na tabela.
O desempenho em campo não transmite confiança de que a equipe conseguirá reagir naturalmente ao longo das próximas semanas. Quando um time permanece cometendo os mesmos erros após um longo período de preparação, cresce a preocupação de que as limitações sejam estruturais, e não apenas fruto da falta de tempo para trabalhar.
Nem os principais jogadores conseguem responder
Outro sinal de alerta é a queda de rendimento das principais peças do elenco. Jogadores que deveriam liderar a recuperação do Internacional estão longe do melhor futebol, seja por questões técnicas, físicas ou de confiança. Isso reduz significativamente o potencial competitivo da equipe e aumenta a pressão sobre um elenco que já vinha decepcionando desde a temporada passada.
O Colorado terminou 2025 abaixo das expectativas e iniciou 2026 sem conseguir apresentar evolução consistente. Quando até seus atletas mais decisivos atravessam fases ruins ao mesmo tempo, fica difícil imaginar uma recuperação rápida.
A sequência pode definir o rumo da temporada
O calendário das próximas rodadas também não ajuda. Se o Internacional continuar desperdiçando chances no ataque e oferecendo espaços para adversários explorarem os contra-ataques, a tendência é permanecer próximo do Z4 durante boa parte do campeonato.
Em uma competição equilibrada como o Brasileirão, permanecer muito tempo nessa região costuma aumentar a pressão interna, afetar a confiança do elenco e transformar cada rodada em uma decisão.
O risco é real
Ainda é cedo para colocar o Internacional como favorito ao rebaixamento, principalmente pela qualidade técnica de parte do elenco. No entanto, afirmar que o Colorado não disputará essa briga seria ignorar tudo o que a equipe apresentou até aqui.
A classificação é preocupante; o desempenho em campo não evoluiu nem mesmo após mais de um mês de treinamentos; os principais jogadores vivem abaixo do esperado e a sequência do campeonato promete ser complicada.
Hoje, o Internacional reúne praticamente todas as características de um time que precisará lutar para permanecer na Série A. A reação ainda pode acontecer, mas ela precisa começar imediatamente. Caso contrário, a disputa por uma vaga em competições continentais dará lugar a um objetivo muito mais modesto: evitar um rebaixamento que, neste momento, deixou de parecer improvável.
Foto: Roberto Vinicius/AGIF.



