O Internacional teve mais de um mês para tentar corrigir as falhas apresentadas no primeiro semestre. Após 53 dias sem disputar uma partida oficial devido à pausa para a Copa do Mundo, a expectativa era de que Paulo Pezzolano conseguisse entregar uma equipe mais organizada e preparada para reagir no Campeonato Brasileiro.
Porém, a derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, na quarta-feira (22), trouxe novamente problemas que acompanham o Colorado desde o início da temporada. A falta de eficiência no ataque, os espaços defensivos e os erros em momentos importantes permaneceram mesmo após o período de preparação. Com uma sequência complicada pela frente e apenas um ponto de vantagem sobre o Z4, a situação pode se tornar ainda mais delicada nas próximas semanas.
Internacional ainda não encontra equilíbrio com Pezzolano
A pausa aconteceu em um momento no qual o Internacional precisava interromper uma queda. Antes da Copa do Mundo, o clube havia sido derrotado por Vitória e Red Bull Bragantino, perdeu posições no Brasileirão e voltou a se aproximar perigosamente da zona de rebaixamento. Naquele momento, o período sem compromissos oficiais parecia uma oportunidade importante. Pezzolano teria tempo para trabalhar com o elenco, enquanto a diretoria poderia tentar melhorar as opções disponíveis. O Colorado ainda disputou três jogos-treino antes de retornar ao calendário.
Mesmo assim, a atuação contra o Cruzeiro não apresentou a evolução esperada. O Inter voltou a ter volume ofensivo sem conseguir transformar suas chegadas em gols. Foram 17 finalizações, cinco a mais que o adversário, mas apenas quatro chutes colorados acertaram o alvo. O time mineiro, por sua vez, obrigou Anthoni a fazer seis vezes.
Essa dificuldade não surgiu no retorno do Brasileirão. Durante o primeiro semestre, o Internacional já havia apresentado problemas para aproveitar as oportunidades criadas. Em determinados jogos, conseguiu pressionar e permanecer por bastante tempo no campo ofensivo, mas não teve qualidade suficiente no último passe ou na conclusão das jogadas.
Pezzolano chegou a modificar sua proposta ao longo da temporada. A ideia inicial de construir um time mais agressivo deu lugar a uma preocupação maior com os resultados, principalmente após o começo ruim no Brasileirão. No entanto, o treinador ainda não encontrou um equilíbrio capaz de tornar o Colorado eficiente no ataque sem aumentar sua vulnerabilidade defensiva.
Diante do Cruzeiro, essa dificuldade voltou a aparecer. Mesmo utilizando uma formação com três zagueiros, o Inter permitiu que o adversário encontrasse espaços importantes. No primeiro gol, a equipe perdeu a posse e deixou uma distância grande entre os defensores, permitindo que Kaio Jorge avançasse livre para abrir o placar. Antes desse lance, Gabriel Pec já havia conseguido chegar pelo mesmo setor. Portanto, o gol não surgiu como um problema isolado dentro da partida. A defesa colorada voltou a oferecer caminhos que outros adversários também aproveitaram durante o primeiro semestre.
A expulsão de Victor Gabriel, aos 13 minutos da etapa final, dificultou ainda mais a reação. Porém, naquele momento, o Internacional já estava novamente atrás do placar e precisava buscar uma resposta. Matheus Pereira ampliou pouco depois, enquanto Carbonero apenas diminuiu na reta final.
O Cruzeiro também terminou o confronto com 53% da posse e trocou 410 passes, contra 330 do Inter. Os números reforçam que o Colorado não conseguiu controlar o jogo mesmo atuando no Beira-Rio. Ou seja, após todo o período dedicado aos treinamentos, o desempenho voltou a levantar dúvidas sobre a capacidade da equipe de evoluir durante o segundo semestre.
Sequência pode agravar a crise no Internacional
A repetição dos problemas se torna mais preocupante por causa da posição do Internacional no Brasileirão. Com cinco vitórias, seis empates e oito derrotas, o clube encerrou o primeiro turno na 14ª colocação, somando 21 pontos. O Vasco, primeiro time no Z4, possui apenas um ponto a menos. O desempenho é inferior ao registrado na mesma altura da última temporada, quando o Colorado tinha 24 pontos. A comparação aumenta a preocupação porque, mesmo com uma campanha um pouco melhor naquele momento, o Inter só conseguiu escapar do rebaixamento na última rodada de 2025.
Além disso, o calendário não oferece uma sequência favorável para que Pezzolano encontre soluções sem uma cobrança imediata. No sábado (25), o Internacional visitará o Athletico-PR. Depois, receberá o Flamengo no Beira-Rio e terá dois confrontos contra o Corinthians pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Na sequência do Brasileirão, o Colorado ainda enfrentará o Palmeiras fora de casa. Sendo assim, nos próximos três compromissos pelo torneio de pontos corridos, o time gaúcho disputará duas partidas longe de Porto Alegre e terá pela frente Flamengo e Palmeiras, dois dos adversários mais fortes do país.
Caso continue perdendo pontos, o Internacional pode entrar rapidamente na zona de rebaixamento. Uma eventual eliminação na Copa do Brasil durante o mesmo período também aumentaria a pressão sobre o clube e deixaria Pezzolano ainda mais questionado.
Após a derrota para o Cruzeiro, o treinador classificou a temporada como um “ano de luta” e afirmou que acredita no trabalho realizado. Porém, após mais de um mês de preparação, a margem para justificar as falhas com a falta de tempo se tornou menor. O retorno contra o Cruzeiro deveria marcar o início de uma recuperação, mas terminou reforçando dúvidas que já existiam antes da pausa.
Agora, Pezzolano precisará encontrar respostas diante de uma sequência capaz de afundar o Internacional na tabela. Se o time continuar repetindo os mesmos erros, a pressão poderá atingir diretamente a continuidade do treinador.
Créditos da foto de capa: Maxi Franzoi/AGIF.



