Anthony Smith
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Anthony Smith se despede do UFC: confira 5 lutas históricas e o legado do verdadeiro “Lionheart”

Neste sábado, no UFC Kansas City, Anthony Smith fará sua última aparição no octógono. Com uma carreira que se estende por quase duas décadas e mais de 50 lutas profissionais, o atleta deixa o MMA com uma marca rara: a de um lutador que não precisou de cinturão para conquistar o respeito do mundo da luta. Conhecido pelo apelido “Lionheart”, ele construiu uma trajetória pautada por coragem, ética e disposição constante para enfrentar qualquer adversário, em qualquer situação.

Ao longo de sua passagem pelo UFC, ele viveu grandes momentos, vitórias retumbantes, derrotas duras e lutas históricas. Abaixo, relembramos cinco confrontos que definem quem foi esse “monstro” dentro do cage.

1. Smith x Mauricio “Shogun” Rua – UFC Hamburg (2018)

Essa foi a luta que marcou a ascensão de Anthony na divisão dos meio-pesados. Após subir do peso médio, onde tinha um cartel irregular, ele reencontrou seu lugar entre os 93kg. Enfrentar Shogun, uma lenda do esporte e ex-campeão do Pride e do UFC, seria um desafio de respeito para qualquer um, e para ele, foi uma chance de provar seu valor.

E ele não desperdiçou. Em pouco mais de um minuto e meio, conectou um direto brutal que levou Shogun ao chão e encerrou a luta com uma sequência avassaladora no ground and pound. A performance foi tão dominante quanto simbólica: o “novo leão” dos meio-pesados havia chegado para brigar no topo da categoria.

2. Smith x Volkan Oezdemir – UFC Moncton (2018)

Poucos meses depois da vitória sobre Shogun, enfrentou o suíço Volkan Oezdemir, então número 2 do ranking e ex-desafiante ao título. O confronto foi duríssimo. Oezdemir venceu os dois primeiros rounds com superioridade, conectando golpes pesados e impondo seu jogo físico.

Mas Smith, como sempre, não desistiu. No terceiro round, mesmo visivelmente exausto, ele conseguiu uma queda e, com técnica e calma, encaixou um mata-leão que obrigou Oezdemir a bater. Foi a vitória mais importante da carreira até então, e a que garantiu sua chance de disputar o cinturão dos meio-pesados.

3. Smith x Jon Jones – UFC 235 (2019)

A luta pelo título aconteceu em março de 2019, contra o então campeão Jon Jones, considerado por muitos como o maior lutador da história do UFC. Smith não era o favorito, mas entrou com a mentalidade que o tornou conhecido: respeito pelo oponente, mas sem medo algum.

Jones dominou o combate com sua habitual maestria técnica e controle de distância. Porém, o momento mais marcante aconteceu no quarto round, quando Jones acertou uma joelhada ilegal enquanto Smith estava com o joelho no chão. O golpe poderia ter resultado em desclassificação e dado o cinturão ao desafiante. Mas Smith recusou a vitória dessa forma, dizendo ao árbitro: “Isso não é como eu quero ser campeão”.

A atitude foi aclamada como uma das mais éticas da história do esporte. Mesmo derrotado, Smith saiu maior do que entrou, e sua imagem de “Lionheart” se consolidou para sempre.

4. Smith x Alexander Gustafsson – UFC Estocolmo (2019)

Recuperar-se de uma derrota para Jon Jones não seria fácil. Mas Smith teve a oportunidade perfeita: enfrentar Alexander Gustafsson, na Suécia, diante da torcida local. Gustafsson também vinha de derrota para Jones e buscava redenção.

A luta foi equilibrada nos três primeiros rounds, com momentos para ambos os lados. No quarto, Smith conseguiu a queda, tomou as costas e finalizou com um mata-leão. A vitória, fora de casa e contra outro ex-desafiante ao cinturão, foi mais uma prova de que Smith pertencia à elite da divisão. Após o combate, Gustafsson anunciou sua aposentadoria (embora tenha retornado depois), e Smith se consolidava como um dos nomes mais relevantes da categoria.

5. Smith x Glover Teixeira – UFC Jacksonville (2020)

Se há uma luta que define a bravura — e também a vulnerabilidade — de Anthony Smith, é essa. Enfrentando Glover Teixeira, Smith começou bem, conectando golpes limpos e machucando o brasileiro nos dois primeiros rounds.

Mas o ritmo virou de forma brutal. Glover dominou os rounds seguintes e impôs uma sequência devastadora de golpes. Smith resistiu de forma quase desumana, mas acabou absorvendo dano demais. Em determinado momento, entregou os próprios dentes ao árbitro, dizendo: “Meus dentes estão caindo”.

Muitos criticaram a demora do córner em encerrar o combate, mas Smith nunca culpou ninguém. Ele assumiu a responsabilidade e demonstrou, mais uma vez, a essência do seu apelido. Foi derrotado, mas sua resistência virou lenda no mundo do MMA.

Legado de um guerreiro

Anthony se despede do MMA profissional com várias vitórias e um cartel que mistura técnica, coração e uma impressionante ética de trabalho. Nunca foi campeão, mas enfrentou nomes como Jon Jones, Glover Teixeira, Gustafsson, Shogun e Oezdemir. Nunca recusou um desafio, mesmo quando era chamado de última hora ou vinha de lesões.

Fora do cage, tornou-se uma figura respeitada como comentarista da ESPN, analista técnico e voz ponderada do esporte. Inteligente, articulado e apaixonado pelas artes marciais, Anthony mostrou que ser um lutador vai além de nocautes ou cinturões. Neste sábado, quando subir ao octógono em Kansas City pela última vez, Anthony Smith não lutará por ranking ou legado — ele já conquistou tudo isso. Lutará por ele mesmo. E isso, para quem acompanhou sua carreira, sempre foi o suficiente.

(Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)