Islam Makhachev continua longe de pensar em aposentadoria, mesmo depois de alcançar uma das marcas mais impressionantes da história do UFC. Com a vitória sobre Ian Machado Garry no UFC 330, o russo chegou a 18 triunfos consecutivos na organização e ultrapassou Anderson Silva como dono da maior sequência de vitórias da história do Ultimate.
A marca que durante muito tempo pareceu praticamente impossível de alcançar agora pertence a Makhachev. E, pelo que o próprio campeão indicou, o número ainda pode aumentar bastante antes de ele decidir pendurar as luvas.
Em entrevista ao veículo russo Ushatayka, Islam Makhachev afirmou que acredita ter pelo menos mais três lutas “muito difíceis e emocionantes” pela frente. O lutador não estabeleceu uma data para deixar o esporte e deixou claro que pretende continuar competindo por mais alguns anos.
O curioso é que, depois de quebrar um dos recordes mais cobiçados do UFC, Makhachev admite não saber exatamente qual será seu próximo grande objetivo.
Islam Makhachev já não sabe qual recorde perseguir
Depois de alcançar 18 vitórias seguidas no UFC, Islam Makhachev se colocou em uma situação curiosa. O russo passou anos construindo uma sequência que parecia inalcançável e, justamente quando conseguiu o feito, ficou sem uma nova marca óbvia para perseguir.
O próprio campeão reconheceu isso. Makhachev afirmou que não sabe qual recorde poderia buscar a partir de agora. Uma das possibilidades seria superar a marca de Jon Jones em vitórias em disputas de cinturão. O problema é que a diferença ainda é considerável.
Jones possui 16 vitórias em lutas pelo título, enquanto o russo soma sete. Para alcançar o atual recordista, o russo precisaria de uma sequência bastante longa de combates de campeonato.
Existe ainda uma dificuldade adicional. Islam Makhachev explicou que precisou disputar dez lutas antes de chegar a uma disputa de cinturão, enquanto Jon Jones conquistou uma oportunidade pelo título muito mais cedo na carreira.
Ou seja, mesmo que Makhachev continue vencendo, alguns recordes simplesmente não estão ao alcance de um estalar de dedos.
“Nenhum recorde é inquebrável”
Se existe uma coisa que Islam Makhachev aprendeu ao longo da carreira, é que números considerados impossíveis podem cair.
O russo lembrou que o recorde de Anderson Silva parecia intocável até ele conseguir superá-lo. Agora, outros lutadores começam a se aproximar de sua marca.
Makhachev citou justamente esse cenário para explicar que não considera nenhum recorde eterno. Segundo o campeão, já existem atletas com dez vitórias consecutivas no UFC se aproximando de sua sequência.
Isso significa que o novo recordista também pode, em algum momento, ser ultrapassado. E talvez essa seja uma das razões pelas quais Islam Makhachev ainda não esteja pensando em parar. Se a história do UFC mostrou alguma coisa, é que sempre existe uma nova marca esperando para ser perseguida.
Por enquanto, porém, o objetivo parece menos relacionado aos números e mais aos desafios que estão à sua frente.
Islam Makhachev projeta pelo menos três grandes lutas
Mesmo sem saber qual recorde poderá perseguir no futuro, Islam Makhachev tem uma certeza: a divisão dos meio-médios ainda reserva adversários de alto nível.
O russo acredita que terá pelo menos três lutas muito difíceis e emocionantes pela frente. E não é difícil entender o motivo.
Depois de dominar o peso-leve e conquistar quatro defesas de cinturão na categoria, Makhachev subiu para os meio-médios e passou a enfrentar adversários naturalmente maiores e mais fortes.
A vitória sobre Ian Machado-Garry foi mais uma prova disso.
O triunfo não veio com a facilidade que muitos poderiam esperar de um campeão acostumado a controlar seus adversários no chão. Makhachev precisou trabalhar duro para superar o irlandês e manter sua ascensão na categoria até 77 kg.
Agora, a tendência é que os desafios fiquem ainda maiores.
Nos meio-médios, tamanho, força e potência podem mudar completamente a dinâmica das lutas. E, para um atleta que já passou anos sendo dominante no peso-leve, provar que consegue repetir esse desempenho em uma categoria superior talvez seja um desafio muito mais importante do que qualquer recorde.
Verdadeiro desafio está nos meio-médios
Islam Makhachev já fez algo que poucos campeões conseguiram: subir de categoria depois de estabelecer domínio na divisão original e conquistar outro cinturão. Mas manter esse domínio é outra história.
O histórico do UFC mostra que campeões de duas divisões nem sempre conseguem repetir o mesmo nível de superioridade na categoria mais pesada. A diferença física começa a pesar, principalmente quando o atleta encontra adversários que combinam tamanho, força e técnica.
Amanda Nunes, por exemplo, defendeu o cinturão peso-pena duas vezes depois de conquistar o título. Alex Pereira, por sua vez, conseguiu defender o cinturão dos meio-pesados três vezes.
Makhachev já fez seu nome entre os leves. Agora, precisa mostrar que consegue fazer o mesmo nos meio-médios. E talvez essa seja a maior missão de sua carreira.
Dois triunfos podem mudar o lugar de Makhachev na história
Existe uma possibilidade especialmente interessante para Islam Makhachev.
Caso consiga realizar mais duas defesas de cinturão nos meio-médios, o russo poderá construir um argumento muito forte para ser considerado o maior campeão de duas divisões da história do UFC.
Não seria necessariamente um recorde com um número chamativo ou uma sequência que caberia facilmente em uma manchete. Mas o peso esportivo seria enorme.
Dominar duas categorias consecutivamente é uma tarefa brutal. Fazer isso contra adversários maiores, mais fortes e com estilos diferentes exigiria uma combinação de técnica, inteligência e resistência que poucos atletas conseguiram demonstrar.
Makhachev já passou pela primeira parte desse desafio. Agora vem a parte mais complicada.
Problema é que os adversários não vão facilitar
Islam Makhachev sabe que os próximos desafios não serão passeios no parque. A categoria dos meio-médios possui vários candidatos capazes de colocar seu reinado em risco.
O russo terá que lidar com atletas que podem oferecer problemas completamente diferentes daqueles que encontrou durante seu período como campeão dos leves. E essa é justamente a parte mais interessante de sua nova fase.
Durante anos, Makhachev foi o homem que os outros lutadores precisavam descobrir como vencer. Agora, ele terá que provar que consegue continuar encontrando respostas mesmo quando seus adversários possuem vantagens físicas importantes.
Aos poucos, o cenário deixa de ser apenas uma busca por recordes. É uma disputa pelo legado.
Islam Makhachev ainda tem muito a provar
Aos 35 anos, Islam Makhachev já possui um currículo que o coloca entre os grandes nomes da história do UFC. O recorde de 18 vitórias consecutivas é apenas a parte mais recente de uma trajetória marcada pelo domínio no peso-leve e pela conquista de um segundo cinturão. Mas o russo parece não estar satisfeito.
Em vez de olhar para o que já conquistou, Makhachev prefere pensar nos próximos desafios. E, pelo menos neste momento, a aposentadoria não aparece no horizonte.
O próprio lutador acredita que ainda tem pelo menos três combates muito difíceis pela frente. Talvez ele não consiga quebrar todos os recordes que gostaria. Talvez algum rival interrompa sua sequência. Talvez os meio-médios se mostrem uma montanha alta demais até para um atleta do seu nível.
Mas existe algo que Islam Makhachev já deixou claro: ele ainda quer descobrir até onde consegue chegar. E, se conseguir transformar esse domínio em mais duas defesas de cinturão nos meio-médios, pode não precisar de outro recorde para entrar de vez na conversa sobre o maior campeão de duas divisões que o UFC já viu.
Foto: Caleb Bowlin via Getty Images



