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Automobilismo Fórmula 1

Antonelli explica como superou estilo de pilotagem “antinatural” para conquistar a pole em Silverstone

Kimi Antonelli revelou como precisou adotar um estilo de pilotagem considerado por ele próprio como “antinatural” para garantir a pole position do GP de Silverstone

O piloto italiano conquistou a primeira posição no grid em Silverstone ao superar Charles Leclerc por pouco menos de dois décimos de segundo, assegurando o lugar mais cobiçado da classificação para a corrida de domingo.

As características do circuito de Silverstone já haviam despertado preocupações entre os pilotos em relação ao gerenciamento da energia da bateria e ao momento ideal de utilização da potência disponível. O tradicional traçado britânico, conhecido por suas curvas de alta velocidade, tornou esse aspecto ainda mais importante ao longo do fim de semana.

Essa situação já havia ficado evidente durante a corrida Sprint, quando Antonelli aproveitou diferenças no uso da energia disponível para ultrapassar Lewis Hamilton e assumir a liderança na metade da prova.

Na classificação para o Grande Prêmio, porém, o desafio foi diferente. Os pilotos precisaram administrar cuidadosamente a bateria e a forma como a energia era utilizada, enquanto os motores operavam em potência máxima durante as voltas rápidas.

A pole position conquistada pelo italiano representa mais um capítulo de uma temporada de estreia bastante impressionante. Antonelli vem demonstrando capacidade para competir de igual para igual com alguns dos pilotos mais experientes da categoria, especialmente em circuitos que exigem não apenas velocidade pura, mas também um profundo entendimento do funcionamento da unidade de potência.

Gerenciamento da energia foi decisivo na volta da pole

Silverstone combina longas retas com curvas rápidas de alta velocidade, tornando o gerenciamento da energia um dos fatores mais importantes para o desempenho ao longo de uma volta.

Diversos pilotos comentaram durante o fim de semana sobre a pequena margem existente entre obter um tempo competitivo e consumir energia demais antes do fim da volta.

Antonelli reconheceu que lidar com essa situação não foi simples e descreveu a experiência da classificação como algo “antinatural”. “Não foi fácil”, afirmou o piloto durante a entrevista coletiva após a classificação. “Mas, com esta unidade de potência, às vezes você precisa pilotar de uma determinada maneira que parece um pouco antinatural.” finalizou Kimi.

Segundo o italiano, adaptar-se a esse comportamento exige mudar hábitos naturais de condução e compreender exatamente como extrair o máximo desempenho do carro sem desperdiçar energia em momentos decisivos da volta. Essa adaptação, segundo ele, tornou-se uma parte fundamental da preparação para disputar posições na frente do grid.

Italiano detalha técnica utilizada para extrair o máximo do carro

Antonelli explicou que uma das estratégias utilizadas consiste em retardar deliberadamente o momento de acelerar completamente na saída de determinadas curvas.

Segundo ele, essa abordagem pode parecer contraditória em um primeiro momento, mas acaba proporcionando um ganho de desempenho ao longo da reta seguinte. “Às vezes, você acelera mais tarde. Assim, nas curvas de alta velocidade, consegue carregar mais velocidade e só acelera completamente depois. Você pode perder um pouco na saída da curva, mas recupera esse tempo porque, ao atrasar o momento de acelerar, consegue obter mais energia e também utilizá-la um pouco mais adiante na reta.”

O piloto afirmou que esse processo exige prática constante e um entendimento detalhado do funcionamento da unidade de potência. “É realmente complicado. Você precisa encontrar a melhor maneira de fazer isso e, por esse motivo, o trabalho no simulador foi extremamente importante.”

Antonelli explicou que a preparação realizada fora das pistas permitiu transformar esses procedimentos em algo mais natural durante a pilotagem. “Precisávamos fazer com que esse tipo de situação acabasse se tornando natural, porque, no começo, você até se pergunta por que precisa aliviar o acelerador.”

Trabalho de preparação foi fundamental para transformar a técnica em hábito

Antonelli reconheceu que, inicialmente, adaptar-se a esse estilo de condução exigiu uma mudança significativa de mentalidade.

Na avaliação do piloto, muitos dos pontos de frenagem e aceleração que normalmente seriam executados por instinto acabam sendo modificados pelas exigências relacionadas ao gerenciamento da energia disponível. “Em alguns momentos, isso realmente é complicado. Mas fizemos uma preparação muito grande junto com a equipe e, felizmente, essas coisas acabaram se tornando praticamente automáticas.”

As declarações do italiano oferecem uma visão detalhada dos ajustes mentais que os pilotos precisam realizar sob o atual regulamento técnico da Fórmula 1. Em muitas situações, decisões naturais de pilotagem precisam ser substituídas por estratégias voltadas ao uso mais eficiente da energia disponível ao longo da volta.

Para um estreante que ainda está acumulando experiência em alguns dos circuitos mais tradicionais do calendário, conseguir adaptar seus instintos de corrida para buscar um desempenho mais rápido demonstra o nível de preparação exigido atualmente para disputar as primeiras posições.

Antonelli largará da pole position na corrida de domingo em busca daquela que poderá ser sua primeira vitória no circuito. Charles Leclerc dividirá a primeira fila do grid com o piloto da Mercedes, enquanto Lewis Hamilton partirá da terceira posição. 

Foto: (Fórmula 1)