Automobilismo Fórmula 1

Antonelli x Russell em números: como disputa se encaixa em relação ao histórico de duplas da Mercedes

Kimi Antonelli e George Russell estão separados por nove pontos na disputa pela liderança do Mundial de Fórmula 1 de 2026. Um duelo pelo título entre dois pilotos da Mercedes não é novidade na categoria, já que as Flechas de Prata protagonizaram três batalhas internas pelo campeonato na década passada.

Após três etapas, o italiano soma duas vitórias, na China e no Japão. Já seu companheiro venceu a etapa de abertura, na Austrália, além da corrida sprint em Xangai.

Confira o H2H (head-to-head, ou um contra um) entre a dupla Russell–Antonelli e outras parcerias da Mercedes ao longo dos 17 anos da equipe na Fórmula 1.

Antonelli em alta ameaça soberania de Russell na Mercedes

Russell Antonelli Mercedes
Foto: Fórmula 1

Enquanto Russell já fazia parte da equipe alemã desde 2022, quando assumiu o lugar deixado por Valtteri Bottas, Antonelli estreou, cheio de expectativas, em 2025. Com 18 anos na data de sua primeira corrida, o nº 12 (escolhido em homenagem a seu ídolo Ayrton Senna) foi bem na primeira perna asiática do calendário, mas sofreu quando a categoria desembarcou na Europa.

A vantagem média de Russell em classificações foi a maior da história da equipe — 4,34 posições. Que o britânico seria superior já era esperado, já que a contratação de Antonelli marcou a primeira vez que o time promoveu um novato a um de seus assentos.

Em tempos de volta, o nº 63 foi, em média, 0,293s mais rápido, a maior diferença desde Nico Rosberg x Michael Schumacher, em 2011. Na ocasião, o heptacampeão foi superado por 0,326s.

Contudo, a situação se inverteu em 2026, ao menos no início da temporada. Antonelli supera Russell por 0,054s em média. No retrospecto geral, o inglês ainda leva vantagem por 22 a 5 no duelo individual.

Já em corrida, a vantagem também é de Russell, pelo mesmo placar de 22 a 5. Por outro lado, Antonelli superou o companheiro em cinco das últimas oito corridas e classificações.

A crescente do italiano é visível. Resta saber se será suficiente para que ele confronte um adversário muito mais experiente e testado em situações de pressão, agora que a Mercedes tem o carro mais rápido do grid.

Russell x Hamilton: o então prodígio se provou frente ao maior da geração

Russell Hamilton Mercedes
Foto: Sam Bloxham/Motorsport Images

A chegada de Russell à Mercedes foi marcada por grande expectativa em torno do inglês. Após três temporadas em uma Williams pouco competitiva, ele teve que tirar “leite de pedra” para chamar a atenção da equipe que detinha seu passe como piloto júnior desde a base. A oportunidade veio em 2022, ao lado de um Lewis Hamilton recém-derrotado, mas ainda com sede de conquistas.

Os resultados do nº 63 foram ótimos, embora os números da primeira temporada da parceria tenham sido afetados pelo fato de Hamilton ter usado a primeira metade como um grande campo de testes, enquanto tentava reposicionar a Mercedes entre os líderes.

Ao longo dos três anos juntos, a diferença média em classificação foi de apenas 0,009s — a menor da história da equipe — com vantagem para Russell. O placar final foi de 39 a 29 para o piloto recém-chegado.

Já em corrida, os dois empataram em 34 a 34, o que comprova que a era foi marcada pelo equilíbrio entre os compatriotas. Para a equipe, todavia, não foi um período fácil, sobretudo pelas dificuldades enfrentadas com o regulamento do efeito solo.

Bottas foi mais escudeiro do que rival de Hamilton

Bottas Hamilton Mercedes
Foto: Maxim Shemetov/AFP

Em 2017, o paddock foi surpreendido pela notícia de que o recém-coroado campeão mundial Nico Rosberg havia se aposentado. Sem avisar ninguém, nem mesmo a Mercedes, a decisão chocou a Fórmula 1 e obrigou as Flechas de Prata a buscarem um substituto imediato no apagar das luzes da temporada. O escolhido foi Valtteri Bottas, que vinha de três anos fortes pela Williams.

O finlandês formou, com Hamilton, a dupla mais duradoura da história da equipe de Brackley na categoria. Mas, ao longo de cinco anos, pouco pôde fazer para ameaçar o heptacampeão e atuou mais como escudeiro do que como rival.

O britânico foi significativamente superior em classificação e corrida. Na melhor temporada de Bottas, foi “apenas” 0,120s, em média, mais lento que Hamilton. O placar final foi de 69 a 31 em volta lançada e 74 a 25 em corrida.

Ex-amigos, Rosberg e Hamilton protagonizaram batalhas dentro e fora da pista

Rosberg Hamilton
Foto: Reprodução/Autosport

Desde o primeiro dia da Mercedes na Fórmula 1, em 2010, Rosberg teve em Hamilton seu companheiro de equipe mais competitivo entre 2013 e 2016. Campeão neste último ano, incomodou o nº 44 a ponto de destruir uma amizade dos tempos de kart.

O desempenho no primeiro ano como dupla foi bom para ambos, mas, a partir do segundo, a paz na garagem começou a ruir. Rosberg bateu Hamilton em classificação, o que demonstra o quão próximos estavam no início da era turbo-híbrida, mas o bicampeonato ficou com o inglês.

A vantagem aumentou em 2015, quando o alemão esteve perto de perder até mesmo o vice para Sebastian Vettel em determinado momento da temporada. Apesar do título de 2016, que encerrou sua carreira na Fórmula 1, a curta vantagem no um contra um ainda é de Hamilton.

Em classificação, a vantagem é de 42 a 36, enquanto, nos GPs, Hamilton supera Rosberg por 44 a 33.

Fora do auge, Schumacher sofreu para acompanhar o promissor Rosberg

Schumacher Rosberg Mercedes
Foto: Reprodução/The Race

Por fim, a primeira dupla da Mercedes na Fórmula 1: Schumacher e Rosberg. A line-up foi escolhida após a compra da BrawnGP, campeã de 2009, e surpreendeu ao trazer de volta o maior campeão da categoria, que estava aposentado desde 2006. Seu compatriota vinha da Williams, onde teve bons quatro anos.

Embora tivesse o prestígio e o respeito de todo o esporte a motor, Schumacher não foi páreo para Rosberg, que despontava como um dos nomes mais competentes e promissores da categoria. Ao longo dos quatro anos de parceria, o campeão de 2016 superou ‘Schumi’ no acumulado tanto em classificação quanto em corridas.

Apesar disso, o heptacampeão também teve momentos de destaque, como a pole position no GP de Mônaco de 2012 — embora tenha largado apenas em sexto por conta de uma punição — e o pódio em Valência naquele mesmo ano, o último de sua carreira.

O placar foi de 35 a 22 em classificação e 43 a 15 em corridas, ambos com vantagem para Rosberg.

Os números foram analisados e disponibilizados pela própria Fórmula 1 e estão atualizados até a data desta publicação (25/04/2026).

(Foto principal: XPBImages)