A fase de Jhon Arias em 2025 merece destaque, e é impressionante pensar que ele quase deixou o futebol brasileiro para realizar seu sonho de jogar na Europa. Para a felicidade do Brasileirão e, principalmente, do Fluminense, o colombiano optou por permanecer no Rio de Janeiro. Desde 2021, ele tem se destacado em campo, mas agora sua importância se torna ainda mais evidente diante do momento difícil vivido pelo Tricolor. Apesar das dificuldades, Arias continua sendo um dos principais destaques positivos do time.
Com Mano Menezes no comando desde a metade de 2024, o Fluminense tem enfrentado mais ameaças do que momentos de brilho. O clube esteve próximo de sofrer um novo rebaixamento em sua história, mas algumas circunstâncias específicas foram determinantes para sua permanência na elite. Entre elas, a presença de Arias se destaca.
Há tempos não restam dúvidas sobre quem é a principal estrela da equipe carioca. E, se ainda houver alguma, o nome surge facilmente na boca do torcedor: Jhon Arias. Na temporada passada, Germán Cano atravessou um dos piores momentos com a camisa tricolor, logo após uma campanha histórica que culminou no título inédito da Copa Libertadores.
Diante dessa situação, surge a pergunta: quem segurou “a bucha”? Arias. Enquanto seus companheiros viviam turbulências, o meia manteve a consistência. O cenário atual ilustra bem esse papel. Ganso foi diagnosticado com uma miocardite (inflamação do músculo do coração) e, por isso, tem sido desfalque no elenco do Fluminense.
Arias se reinventa

Sem a principal mente criativa do meio-campo tricolor, Arias surgiu como uma alternativa interessante para a função de camisa 10. O colombiano gosta de trabalhar com a bola nos pés, mas suas características estão longe das de Ganso. Ele sempre se destacou pela força física, velocidade e técnica, sendo um jogador que encara os duelos e se impõe no campo.
Enquanto um evita o choque e resolve as jogadas com passes precisos, o outro não hesita em disputar cada dividida. Apesar dessas diferenças, a adaptação de Arias tem sido bem-sucedida. O meia não se intimida e, diante da nova responsabilidade, tem acionado seus companheiros em boas condições para finalizar.
Na temporada de 2025, ele se destaca como um dos principais criadores do futebol brasileiro, acumulando impressionantes 45 passes decisivos. A vantagem para o segundo colocado no quesito não é pequena: são nove passes a mais que Raphael Veiga e bem à frente de Memphis Depay, terceiro na lista com 28.
O Fluminense vive um momento difícil, mas a bola continua chegando aos pés dos jogadores responsáveis por decidir. Com a demissão de Mano Menezes, o clube deve seguir um novo caminho, especialmente com o iminente retorno de Ganso aos gramados. Arias, então, voltará a atuar ao lado do camisa 10, assumindo um papel de suporte e equilíbrio na equipe.
Apesar do protagonismo de Cano, artilheiro do time, e de Ganso, cérebro da equipe, não se pode ignorar o atleta mais consistente entre eles. Esse “Big 3” do Fluminense tem muita qualidade, mas é essencial reconhecer que Jhon Arias entrega muito mais do que geralmente lhe é atribuído.
Além dos passes decisivos, é difícil definir uma posição exata para o colombiano. Se necessário, ele carrega todo o meio-campo nas costas. Sem Ganso, Arias tem atuado em todas as áreas do setor e lidera o ranking de jogadores da Série A com mais duelos ganhos em 2025: são 124. O segundo da lista, Paulo Henrique (lateral-direito do Vasco), tem 112, seguido por Erick Pulga, do Bahia, com 107.
No quesito protagonismo, os números falam por si: são 43 faltas sofridas, sendo o jogador mais caçado do campeonato. Ele tem 10 faltas a mais que Raphael Veiga (segundo colocado) e Estêvão, também do Palmeiras (terceiro).
Como já foi dito, a campanha do Fluminense está longe de ser boa, mas sem Jhon Arias entre os titulares, a situação poderia ser bem pior.
Foto: Lucas Merçon / Fluminense