Mikel Arteta, técnico do Arsenal. Foto: Getty Images
Futebol Premier League

Arsenal encontra no Chelsea exemplo que pode ajudar projeto de Arteta; entenda

O Arsenal vive um dos melhores momentos da era moderna do clube. Depois de anos longe das grandes disputas, os Gunners voltaram a frequentar a elite do futebol europeu e hoje aparecem novamente como protagonistas tanto na Premier League quanto na Champions League. O trabalho de Mikel Arteta transformou completamente o ambiente no Emirates Stadium e recolocou o clube entre os gigantes do continente.

Enquanto isso, o Chelsea atravessa uma realidade totalmente diferente. Desde a chegada do grupo BlueCo, o clube londrino acumulou investimentos bilionários, trocas de treinadores e temporadas decepcionantes. Os Blues passaram a maior parte dos últimos anos longe da briga pelos principais títulos e ainda tentam encontrar estabilidade esportiva.

Mesmo assim, existe um ponto específico em que o Arsenal pode — e talvez deva — olhar para o rival com atenção: a capacidade de vender jogadores e arrecadar dinheiro no mercado da bola. Apesar da enorme diferença entre os momentos esportivos dos dois clubes, o Chelsea continua sendo referência quando o assunto é negociação de atletas.

O Arsenal evoluiu bastante em contratações nos últimos anos. O clube acertou em nomes importantes, fortaleceu o elenco e criou uma base competitiva capaz de disputar títulos em várias frentes. Porém, a diretoria ainda apresenta dificuldades claras na hora de negociar saídas e maximizar valores de venda.

Arsenal ainda falha em negociações importantes

A questão financeira no futebol moderno se tornou fundamental até mesmo para clubes gigantes da Premier League. Com regras cada vez mais rígidas relacionadas ao Fair Play Financeiro e ao controle de gastos, vender bem passou a ser tão importante quanto contratar corretamente.

Nesse cenário, o Arsenal ainda deixa muito dinheiro escapar. O exemplo mais recente envolve Jakub Kiwior. O zagueiro polonês foi negociado em definitivo com o FC Porto após período de empréstimo, mas os valores da operação geraram críticas nos bastidores.

O clube inglês acertou a venda por cerca de 17 milhões de euros fixos, com possibilidade de bônus adicionais. O problema é que o valor ficou abaixo da avaliação de mercado do jogador. Em determinado momento da última temporada, Kiwior chegou a ser avaliado em mais de 35 milhões de euros.

Para um clube que pretende investir pesado novamente no mercado, perder margem financeira em negociações assim pode fazer diferença importante. O Arsenal acompanha jogadores caros como Julián Álvarez, Anthony Gordon e Valentino Livramento. Todos exigiriam investimentos elevados.

O problema não é apenas a venda de Kiwior. Historicamente, o Arsenal apresenta dificuldades enormes para negociar atletas por valores altos. O dado mais curioso talvez seja o fato de Alex Oxlade-Chamberlain continuar sendo a maior venda da história recente do clube após deixar Londres rumo ao Liverpool em 2017.

Desde então, poucos jogadores renderam cifras realmente expressivas aos cofres do Arsenal. Emile Smith Rowe e Eddie Nketiah foram negociados por bons valores recentemente, mas ainda assim existe enorme diferença quando comparado ao desempenho financeiro de rivais diretos.

Chelsea virou especialista em gerar receita

Mesmo vivendo temporadas turbulentas, o Chelsea conseguiu transformar o mercado de vendas em uma das suas principais qualidades administrativas. O clube londrino arrecadou cifras gigantescas negociando jogadores considerados excedentes ou fora dos planos.

A lista impressiona. Kai Havertz foi vendido justamente ao Arsenal por cerca de 75 milhões de euros. Mason Mount deixou Stamford Bridge rumo ao Manchester United por quase 68 milhões. Conor Gallagher foi negociado com o Atlético de Madrid, enquanto Ian Maatsen e Christopher Nkunku também renderam valores importantes.

O caso de Noni Madueke chama ainda mais atenção. O atacante foi vendido ao próprio Arsenal por cerca de 56 milhões de euros, em uma operação considerada excelente financeiramente pelos dirigentes do Chelsea.

Essas vendas ajudaram diretamente o clube a manter equilíbrio dentro das regras financeiras, além de permitirem novos investimentos no elenco. Mesmo errando bastante nas contratações, o Chelsea continua conseguindo recuperar parte importante do dinheiro gasto.

E é justamente esse tipo de estratégia que o Arsenal ainda não conseguiu dominar totalmente. O clube contrata bem, monta elencos fortes e hoje possui um dos trabalhos esportivos mais sólidos da Europa. Porém, ainda precisa aprender a transformar jogadores negociáveis em ativos altamente lucrativos.

Arteta quer manter Arsenal competitivo por muitos anos

A realidade do futebol atual obriga clubes vencedores a serem eficientes em praticamente todas as áreas. Não basta apenas vencer dentro de campo. Gestão financeira, valorização de elenco e inteligência de mercado passaram a ser peças fundamentais para manter projetos vencedores no longo prazo.

O Arsenal sabe disso. O clube cresceu muito desde a chegada de Arteta, tanto esportivamente quanto estruturalmente. Hoje existe um elenco jovem, valorizado e competitivo. Porém, para manter esse ciclo por muitos anos, a diretoria precisará melhorar o desempenho nas negociações de saída.

Os rivais ingleses conseguem gerar receitas enormes com jogadores que muitas vezes nem possuem protagonismo absoluto nos elencos. Isso oferece margem para reinvestimentos constantes sem comprometer tanto o orçamento.

No caso do Chelsea, essa estratégia acabou virando uma espécie de salvação financeira em meio ao caos esportivo. Já o Arsenal vive situação oposta: um time forte dentro de campo, mas ainda com dificuldades para explorar totalmente o mercado de transferências.

Se conseguir corrigir esse detalhe, o clube londrino pode dar mais um passo importante rumo ao topo definitivo do futebol europeu. Porque hoje, no futebol moderno, vender bem também faz parte do caminho para conquistar títulos.