O ginasta brasileiro Arthur Nory foi às lágrimas depois das classificatórias da ginástica artística masculina, onde perdeu o embalo na sua acrobacia mais difícil e foi eliminado da disputa da barra fixa nas Olimpíadas de Paris. Nory repete o que aconteceu em Tóquio em 2021, onde o campeão mundial de 2019 viu escapar das mãos o sonho de ir a uma final olímpica do aparelho em que é especialista. O ginasta de 30 anos chorou e desabafou, se antecipando às críticas:
“É difícil. É tristeza, é felicidade de saber que consegui chegar aqui. Foi muito difícil o processo. Acho que as lágrimas já falam muito por mim. A gente tem um propósito. O pior não é o que pensam ou falam de mim. Eu sei o que é. O pior é como me sinto. Eu me sinto muito mal. Isso é pior do que qualquer coisa que venham me criticar. Eu já sabia quando falhei ali que isso me machuca muito mais”.
“É por a cabeça no lugar. É só o tempo. Sei a força que tenho para me levantar. Quanto mais apanho, mais dá vontade de me levantar. A gente tem um propósito. Vou levantar e dar a cara para bater. Não vou perder meu brilho, minha felicidade e minha paixão por esse esporte” – disse Nory.
Medalhista olímpico do solo na Rio 2016, o ginasta de 30 anos afirmou que pretende seguir na modalidade e tentar a classificação para Los Angeles 2028, quando vai ter 34 anos. Quer ajudar o Brasil a ter uma equipe completa, como nos Jogos do Rio e de Tóquio:
“Já estava pensando nisso desde antes. Eu vou continuar. Não vou deitar. Até o fim. Estou muito chateado, mas não acabou. Sei que a cada ciclo fica mais difícil, sei o que já passei. Todo mundo que acompanha o esporte sabe o quanto eu sou martelado, uma expectativa muito grande, mas nada vai apagar a história que a gente fez e que continuo fazendo com muito orgulho de representar o país. Não acabou. Sei o quão forte somos para buscar esse objetivo que é uma final olímpica de barra”.
COMO FOI A PROVA DE NORY?
Neste sábado (27), Nory apresentou uma série de elevada nota de dificuldade (6,0 pontos), mas sofreu uma falha grave no Liukin, um voo difícil em que dá uma pirueta por cima da barra fixa. Ele se recuperou na série, mas conseguiu apenas 12,900 pontos, ficando longe da final:
“Eu estava seguro. Essa é a série que eu venho fazendo há um bom tempo. É uma série forte, para disputar. Foi o dia, o momento. Fui para ficar em cima, fui para fazer a série e não descer do aparelho. Fui para cima até demais do aparelho, peguei muito perto. Tentei arrumar, mas estava desequilibrado. Segui até o fim já sabendo que a nota compromete. Ainda não tenho muito o que processar. É só sentir e chorar no momento”.
(Foto: Reprodução/ SporTV)
