A Aston Martin está prestes a iniciar uma nova fase na temporada 2026 da Fórmula 1. Depois de atravessar um dos períodos mais difíceis desde sua entrada na categoria, a equipe confirmou que levará para o GP da Hungria uma aguardada atualização completa do AMR26, conhecida internamente como versão “B” do carro. A expectativa é que o novo pacote aerodinâmico represente o primeiro passo de um plano maior para recuperar competitividade na segunda metade do campeonato.
Após um GP da Bélgica marcado por um desempenho abaixo das expectativas e por uma punição de 20 posições no grid para Fernando Alonso, a equipe de Silverstone vê a próxima etapa como uma oportunidade para mudar o rumo da temporada.
Aston Martin finalmente terá atualizações para os dois carros
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas equipes ao introduzir um grande pacote de atualizações durante a temporada é a produção de peças suficientes em fibra de carbono. Em muitos casos, apenas um dos pilotos recebe o novo equipamento inicialmente, enquanto o outro precisa continuar utilizando a especificação antiga.
Segundo o diretor de operações de pista da Aston Martin, Mike Krack, esse não será o caso da equipe na Hungria. De acordo com o dirigente, a fábrica trabalhou intensamente nas últimas semanas para garantir que tanto Fernando Alonso quanto Lance Stroll tenham acesso ao novo conjunto de atualizações. “Confiamos que teremos dois carros disponíveis na Hungria. Tudo indica que sim.”
A confirmação representa um alívio para a equipe, que até agora disputou toda a temporada utilizando praticamente o mesmo pacote aerodinâmico apresentado nos testes de pré-temporada, realizados no Bahrein. Enquanto as equipes rivais introduziam constantes evoluções em seus carros, a Aston Martin acabou perdendo competitividade ao longo do campeonato.
Equipe admite que viveu seis meses extremamente difíceis
Mike Krack reconheceu que os primeiros meses de 2026 foram particularmente complicados para toda a estrutura da Aston Martin. Segundo ele, a equipe enfrentou um longo período sem conseguir reagir ao avanço dos concorrentes, situação que impactou diretamente os resultados obtidos nas corridas. “Foram seis meses muito difíceis para todos. Estamos ansiosos para voltar a competir.”
A declaração resume o sentimento interno da equipe após uma primeira metade de temporada marcada pela estagnação técnica. Sem grandes atualizações desde o início do campeonato, o carro deixou de acompanhar a evolução apresentada pelas demais equipes do grid.
Agora, a expectativa é que o novo pacote aerodinâmico permita reduzir essa diferença e recolocar a Aston Martin em uma posição mais competitiva.
Hungria será o primeiro teste da nova filosofia do AMR26
O GP da Hungria foi escolhido como palco para a estreia do novo carro por reunir características consideradas ideais para avaliar o comportamento do pacote aerodinâmico. O circuito de Hungaroring possui curvas de baixa e média velocidade, poucas retas longas e exige um carro eficiente principalmente em termos de chassi e equilíbrio aerodinâmico.
Por isso, a equipe acredita que a pista será um importante laboratório para verificar se a nova filosofia de desenvolvimento realmente entrega os ganhos esperados. Segundo Krack, existe grande expectativa dentro da Aston Martin para finalmente colocar o novo projeto na pista. “O futuro parece promissor. Estamos contando os dias para a Hungria.”
O desempenho apresentado na próxima etapa deverá indicar se a equipe encontrou um caminho para iniciar sua recuperação ainda nesta temporada.
Plano de recuperação terá uma segunda etapa após as férias da Fórmula 1
A atualização prevista para a Hungria representa apenas a primeira parte da estratégia elaborada pela Aston Martin para tentar salvar sua campanha em 2026. Caso o novo pacote aerodinâmico funcione conforme o esperado, a equipe pretende introduzir uma importante atualização na unidade de potência no GP da Holanda, em Zandvoort, logo após a pausa de verão da Fórmula 1.
Segundo informações do paddock, o novo motor da Honda deverá concentrar esforços na correção de dois dos principais problemas identificados ao longo da temporada: o gerenciamento do MGU-K e a perda de desempenho causada pelo esgotamento prematuro da bateria nas retas, situação que ficou evidente durante o GP da Bélgica.
Como a unidade de potência da Honda foi identificada como a menos competitiva do grid atual, a fabricante japonesa recebeu autorização para utilizar o mecanismo da FIA conhecido como ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), que permite um desenvolvimento adicional dentro das regras do teto orçamentário.
A expectativa da Aston Martin é que a combinação entre o novo pacote aerodinâmico apresentado na Hungria e a evolução da unidade de potência prevista para Zandvoort permita elevar significativamente o desempenho do AMR26.
Se as duas etapas do plano produzirem os resultados esperados, a equipe acredita que terá condições de reagir na segunda metade da temporada e voltar a disputar posições mais competitivas no grid, encerrando um período de seis meses marcado por dificuldades técnicas e pela perda gradual de desempenho em relação aos principais adversários.
Foto: Reprodução / Cidadania Italiana



