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Aston Villa aposta em Goretzka: o que deu errado no Bayern e o que o alemão pode entregar na Premier League?

O Aston Villa foi ao mercado para buscar experiência e encontrou um nome que, há alguns anos, estaria longe de ser associado a uma transferência sem custos. Leon Goretzka, campeão da Champions League, heptacampeão alemão e figura importante da seleção da Alemanha durante boa parte da última década, deixou o Bayern de Munique após oito temporadas e agora terá um novo desafio na Premier League.

A chegada do meio-campista de 31 anos acontece em um momento de mudanças profundas no Villa Park. O clube perdeu jogadores importantes durante a janela, como Ezri Konsa, Morgan Rogers, Youri Tielemans e Lucas Digne, enquanto Amadou Onana sofreu uma grave lesão no joelho e só deve retornar aos gramados no próximo ano.

Ou seja: Unai Emery precisava reforçar o meio-campo. E, em vez de buscar apenas mais uma promessa, decidiu adicionar um jogador que já disputou praticamente tudo o que existe para disputar no futebol europeu.

Mas a contratação também levanta uma pergunta inevitável: se Goretzka acumulou tantos títulos e experiências no Bayern, por que ele terminou sua passagem pelo gigante alemão como reserva e saiu de graça?

De peça fundamental a jogador dispensável

Durante muitos anos, Goretzka foi praticamente sinônimo do meio-campista moderno. Alto, forte, técnico e capaz de aparecer na área adversária, ele parecia ter encontrado a fórmula perfeita para ser um dos grandes nomes da posição.

Quando chegou ao Bayern em 2018, vindo do Schalke, o alemão rapidamente se encaixou no time. Ao lado de Joshua Kimmich, formou uma parceria importante no meio-campo e participou diretamente de uma das fases mais vitoriosas da história recente do clube.

Foram 312 partidas, 51 gols, sete títulos da Bundesliga e, principalmente, a Champions League conquistada em 2020. Em determinado momento, Goretzka era considerado um dos melhores box-to-box do futebol mundial.

O problema é que o futebol não costuma esperar ninguém.

As lesões começaram a atrapalhar sua continuidade, mesmo que Goretzka nunca tenha sofrido uma sequência longa de problemas físicos devastadores. Foram pequenas interrupções, recuperações e períodos fora justamente em momentos importantes. Aos poucos, aquela explosão física que fazia dele um jogador tão diferente começou a perder impacto.

E, enquanto Goretzka enfrentava dificuldades para manter a regularidade, novos nomes começaram a aparecer.

A ascensão de Aleksandar Pavlovic foi especialmente importante nesse processo. Formado na base do Bayern, o jovem meio-campista passou a oferecer ao time uma alternativa mais dinâmica e adaptada às exigências do novo projeto.

A chegada de Vincent Kompany também mudou o cenário. Goretzka até conseguiu recuperar espaço em alguns momentos, mostrando novamente a característica que sempre marcou sua carreira: a capacidade de lutar por uma vaga.

Bayern tentou vender, mas Goretzka decidiu ficar

A situação ficou ainda mais curiosa porque o Bayern não escondeu, nos últimos anos, que aceitaria negociar Goretzka caso aparecesse uma proposta adequada.

Em 2024, por exemplo, o meio-campista recusou a possibilidade de uma transferência por empréstimo para o Galatasaray. Seus altos salários também dificultavam outras negociações, já que Goretzka não demonstrava disposição para aceitar uma redução significativa nos vencimentos.

O resultado foi um daqueles casos relativamente comuns no futebol moderno: clube querendo vender, jogador querendo permanecer e, no fim, ninguém encontrando uma solução.

Goretzka cumpriu seu contrato e deixou o Bayern como agente livre.

Aos 31 anos, ele chegou ao mercado esperando despertar o interesse de grandes clubes europeus. Houve conversas concretas com o Milan, mas a negociação não avançou. No fim, foi o Aston Villa que apareceu como destino.

Talvez não tenha sido a primeira opção imaginada por Goretzka no início do verão. Mas, olhando para o contexto, a mudança para a Premier League pode ser exatamente o que ele precisava.

O que Goretzka pode oferecer ao Aston Villa?

Apesar da queda de protagonismo no Bayern, seria exagero tratar Goretzka como um jogador sem utilidade. O Aston Villa está contratando alguém com um currículo que poucos jogadores do elenco possuem.

São 73 partidas pela seleção alemã, participação em grandes torneios internacionais e experiência em jogos decisivos de Champions League. E essa experiência pode fazer diferença em um elenco que perdeu algumas de suas principais referências.

Dentro de campo, Goretzka continua sendo um meio-campista versátil. Pode atuar como segundo volante, jogar em uma função mais avançada e até aparecer próximo da área para aproveitar uma de suas maiores qualidades: o tempo de chegada.

Ao longo da carreira, o alemão construiu bons números como goleador para um jogador de meio-campo. Sua altura e capacidade física também o tornam uma arma em bolas aéreas, tanto ofensivamente quanto defensivamente.

Em uma Premier League conhecida pela intensidade, isso pode ser útil. O problema é justamente descobrir quanto daquela intensidade Goretzka ainda consegue oferecer.

Experiência não garante vaga

O Aston Villa não contratou apenas Goretzka para entregar uma vaga automática no time titular. A concorrência existe, e Unai Emery também conta com Johan Manzambi, jovem meio-campista suíço de 20 anos que chamou atenção na Bundesliga.

Manzambi possui características parecidas em alguns aspectos: é alto, atua de área a área e tem uma capacidade atlética que, naturalmente, hoje parece superior à de Goretzka.

Essa comparação ajuda a explicar o momento da carreira do alemão.

Durante muito tempo, Goretzka era o jogador jovem, físico e moderno que representava o futuro do futebol alemão. Agora, ele chega ao Aston Villa como o veterano que precisa usar inteligência, experiência e posicionamento para compensar uma possível perda de explosão. E talvez esse seja justamente o maior desafio.

Na última Copa do Mundo, Goretzka teve participação limitada pela Alemanha. Foram apenas três aparições e 96 minutos em campo. Julian Nagelsmann o utilizou principalmente como opção no banco, uma realidade que já havia se tornado comum no Bayern.

Agora, com Jürgen Klopp no comando da seleção alemã, o meio-campista também terá uma motivação extra para recuperar espaço internacional.

Nova chance, mas sem promessas

A transferência para o Aston Villa pode representar uma espécie de reinício para Leon Goretzka.

Ele deixa um Bayern onde, apesar de sua insistência em lutar por espaço, parecia claro que não fazia mais parte dos planos para o futuro. Em Birmingham, encontrará um clube ambicioso, um treinador reconhecido por recuperar jogadores e uma necessidade real no meio-campo.

Ao mesmo tempo, não existe garantia de sucesso.

A Premier League cobra intensidade em praticamente todas as rodadas. O próprio Goretzka destacou a diferença entre disputar alguns grandes jogos ao longo da temporada na Bundesliga e enfrentar adversários fortes com frequência na Inglaterra.

Ele sabe, portanto, que chegou a um campeonato onde não haverá muito espaço para nostalgia.

O Aston Villa está recebendo um jogador extremamente experiente, vencedor e tecnicamente qualificado. Mas também um atleta que passou os últimos anos perdendo espaço, convivendo com problemas físicos e vendo uma geração mais jovem assumir o protagonismo.

A grande questão será descobrir qual Goretzka desembarcou na Premier League.

Se ainda houver combustível para mostrar parte daquele meio-campista dominante dos tempos de Bayern, o Villa pode ter encontrado uma excelente oportunidade de mercado. Se a queda física for mais significativa do que o clube imagina, a contratação pode acabar sendo apenas uma tentativa de adicionar um currículo pesado ao elenco.

De qualquer forma, uma coisa é certa: depois de oito anos no Bayern, Goretzka precisava sair da zona de conforto. No Aston Villa, ele terá a chance de provar que sua história no futebol de elite ainda não terminou.

Agora, resta saber se o alemão chegou à Inglaterra para escrever um novo capítulo ou apenas para tentar estender os últimos parágrafos de uma carreira que, até aqui, já foi bastante vencedora.

Foto: Reprodução/Aston Villa