A contratação de Bradley Barcola representa um passo importante para o Liverpool na reconstrução de seu ataque após a saída de Mohamed Salah. O acordo pelo francês foi firmado nesta quinta-feira (27) e dá aos Reds uma peça de alto nível para renovar o setor ofensivo. Ainda assim, a chegada do atacante não encerra uma questão que acompanha o clube desde o início da janela: quem ocupará, de fato, o espaço deixado pelo egípcio no lado direito?
A resposta não é tão simples. Barcola é um jogador de enorme talento, mas construiu boa parte de sua carreira atuando pela esquerda. É justamente por isso que, mesmo com o acordo encaminhado, o Liverpool continua procurando alternativas para a ponta direita.
A busca por um sucessor de Salah ganhou diferentes capítulos durante o verão europeu. Victor Muñoz foi contratado no início da janela, enquanto Ibrahim Mbaye, também do PSG, Yankuba Minteh, do Brighton, e Ismaïla Sarr, do Crystal Palace, apareceram como possibilidades para a posição.
O caso de Sarr foi o mais recente. O Liverpool apresentou uma proposta de 68 milhões de dólares (50 milhões de libras), mas o Crystal Palace recusou a investida e não demonstrou interesse em negociar o atacante. O clube londrino também rejeitou duas ofertas do Galatasaray.
A dificuldade em encontrar um jogador para a posição não é exatamente uma surpresa. Durante anos, Salah foi uma certeza para o Liverpool. O egípcio não apenas ocupava a ponta direita, mas concentrava uma parte enorme da produção ofensiva da equipe, combinando velocidade, drible, criação e capacidade de chegar à área.
Substituí-lo diretamente seria praticamente impossível. O desafio dos Reds, portanto, não deveria ser encontrar um novo Salah, mas reconstruir o setor de maneira que a ausência dele seja compensada coletivamente.
Barcola resolve uma parte do problema
O francês oferece velocidade, capacidade de condução e qualidade no um contra um, além de poder atuar pelos dois lados do campo. Sua chegada aumenta consideravelmente o repertório ofensivo de Andoni Iraola e dá ao treinador uma alternativa de alto nível para o ataque.
Mas existe uma questão de encaixe. Barcola é mais confortável pelo lado esquerdo, onde o Liverpool já possui outras opções. Cody Gakpo e Rio Ngumoha também têm preferência pelo setor, enquanto Victor Muñoz pode desempenhar a função, apesar de não ser um ponta-direita de origem.
Na estreia da Premier League contra o Newcastle United, por exemplo, Rio Ngumoha e Victor Muñoz foram utilizados pelo lado direito. O cenário expõe uma carência que já estava evidente antes mesmo da contratação de Barcola: o elenco possui jogadores capazes de atuar naquela faixa, mas poucos especialistas na posição.
Isso explica por que o Liverpool continuou procurando nomes como Minteh e Sarr mesmo com Barcola cada vez mais próximo de Anfield.
A questão não é simplesmente ter mais um atacante. É encontrar alguém capaz de ocupar o corredor direito com naturalidade e oferecer ao time uma ameaça diferente daquela existente pelo lado esquerdo.
O mercado fecha portas para o Liverpool
Antes de chegar a Sarr, o Liverpool já havia esbarrado nas exigências do Brighton por Yankuba Minteh. Os Seagulls chegaram a estabelecer uma avaliação de aproximadamente 108,7 milhões de dólares (80 milhões de libras) pelo atacante, valor considerado elevado pelos Reds.
Minteh, assim como Sarr, possui uma característica que interessa particularmente ao Liverpool: é um jogador acostumado a atuar pela direita.
Ibrahim Mbaye também continua sendo uma alternativa. O senegalês é visto como um possível sucessor de Salah justamente por sua preferência pelo setor. O problema novamente está no preço. O PSG teria estabelecido uma avaliação de 81,6 milhões de dólares pelo jovem.
Diante da necessidade crescente, o Liverpool pode acabar reconsiderando sua postura e aceitar um investimento mais alto por Mbaye. O clube, afinal, não está apenas buscando uma opção para compor elenco, mas tentando encontrar uma peça capaz de participar da reconstrução de um ataque que perdeu seu principal jogador.
Matias Fernandez-Pardo, do Lille, é outra alternativa já associada ao clube. O belga pode atuar em diferentes posições do setor ofensivo, característica que agrada ao Liverpool, embora não existam tantos indícios concretos de que uma negociação esteja próxima.
Na Itália, Francisco Conceição, da Juventus, apareceu como uma possibilidade ainda incipiente. Takefusa Kubo, da Real Sociedad, e Johan Bakayoko, do RB Leipzig, também já foram relacionados ao Liverpool em janelas anteriores.
Rayan seria a solução mais cara

Entre as possibilidades, Rayan talvez seja o nome que mais se aproxima do perfil procurado. O brasileiro do Bournemouth atua pelo lado direito, tem capacidade de desequilibrar no um contra um e vem ganhando protagonismo no futebol inglês.
O problema, novamente, é financeiro. Rayan possui uma cláusula de rescisão de 176,7 milhões de dólares (130 milhões de libras), que será ativada em janeiro de 2027. Investir uma quantia desse tamanho neste momento seria uma decisão bastante agressiva, especialmente depois de o Liverpool já ter movimentado valores consideráveis no mercado.
Por isso, a tendência é que os Reds precisem encontrar um equilíbrio entre qualidade, preço e necessidade imediata.
A contratação de Barcola, nesse sentido, pode até diminuir a pressão. O Liverpool agora possui mais uma peça capaz de desequilibrar no ataque e pode distribuir melhor a responsabilidade criativa entre seus jogadores.
Mas isso não muda a realidade de que o lado direito ainda carece de uma referência natural.
O pós-Salah começa com mais de um jogador
A saída de Salah obrigaria o Liverpool a pensar em uma solução diferente. Durante anos, o egípcio foi responsável por uma combinação difícil de reproduzir: volume de gols, assistências, criação e presença constante na área.
Nenhum jogador disponível no mercado conseguiria simplesmente assumir tudo isso. Barcola, portanto, não precisa ser o novo Salah. Nem deveria. O francês pode representar justamente o início de uma mudança de modelo, na qual o Liverpool deixe de depender tanto de um único jogador para produzir pelo lado direito. O problema é que, até agora, o clube ainda não encontrou a peça complementar.
O acordo com Barcola é uma demonstração clara de que os Reds entenderam a necessidade de renovar seu ataque. Só que a janela de transferências está chegando ao fim e as opções para a ponta direita estão cada vez mais caras ou difíceis de viabilizar.
Minteh já foi recusado. Sarr também. Mbaye custa caro. Rayan seria um investimento gigantesco. Outras alternativas ainda não passam de possibilidades.
O Liverpool avançou bastante na reconstrução de seu ataque com Barcola. Mas, se a intenção é realmente preencher o vazio deixado por Salah, ainda falta uma peça. E talvez essa seja justamente a parte mais complicada da sucessão do egípcio: o Liverpool não precisa encontrar um novo Salah. Precisa encontrar uma nova maneira de jogar sem ele.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Getty Images.



