Futebol Copa Sul-Americana

Atlético-MG joga mal, mas vence Juventud em casa e respira na Sul-Americana

O Atlético Mineiro conquistou sua primeira vitória na Sul-Americana, mas passou longe de convencer. Diante do Juventud de las Piedras, adversário de pouca expressão e que vive momento ruim no Campeonato Uruguaio, o Galo precisou sofrer até os minutos finais para vencer por 2 a 1 na Arena MRV. O gol salvador de Cassierra, já aos 44 do segundo tempo, evitou um resultado que aumentaria ainda mais a pressão sobre a equipe.

Depois da derrota na estreia para o Puerto Cabello, o cenário era de obrigação total. Jogando em casa, com elenco superior e diante de um rival teoricamente acessível, a expectativa era de domínio amplo e vitória tranquila. O resultado veio, mas a atuação deixou sinais claros de que o time ainda está longe do nível esperado.

Com a vitória, o Atlético assume momentaneamente a segunda colocação do grupo, mas pode perdê-la caso o Cienciano vença o Puerto Cabello no jogo que fecha o grupo. O Galo volta as suas atenções para o Brasileirão, onde enfrenta o Coritiba fora de casa.

O jogo

Desde o início, o Atlético teve mais posse de bola e assumiu a responsabilidade do jogo. O Juventud se posicionou em bloco baixo, fechando espaços e apostando em uma postura reativa. Isso já era previsível, e o desafio do Galo seria encontrar soluções diante de uma defesa fechada. O problema é que a equipe mostrou lentidão na circulação, pouca criatividade entrelinhas e dificuldade para acelerar no momento certo.

Faltou repertório ofensivo. O time rondava a área, mas criava pouco. As jogadas por dentro não encaixavam, e os cruzamentos apareciam sem grande perigo. Mesmo com superioridade territorial, o Atlético não transformava posse em chances claras. Esse tipo de cenário costuma expor um problema recorrente: ter a bola não significa controlar o jogo se ela circula sem objetividade.

Ainda no primeiro tempo, houve expectativa por um possível pênalti em Cauã Soares, mas o VAR identificou falta atleticana na origem da jogada. O lance simbolizou a dificuldade da equipe em construir oportunidades limpas. Quando não conseguia entrar na área em condição real de finalizar, o time dependia de lances isolados.

O alívio veio apenas aos 43 minutos da etapa inicial. Cuello fez boa jogada e encontrou Bernard atacando o espaço nas costas da defesa. O camisa atleticano mostrou categoria para tocar na saída do goleiro e abrir o placar. Foi um gol importante não apenas pelo resultado parcial, mas porque evitava que a ansiedade do estádio aumentasse ainda mais no intervalo.

Mesmo em vantagem, o desempenho não transmitia segurança. O Atlético vencia, mas sem controlar emocionalmente a partida. E isso ficou evidente logo no começo do segundo tempo.

O Juventud voltou mais adiantado, pressionando a saída de bola. Em vez de administrar o jogo com tranquilidade, o Galo cometeu um erro grave. Everson falhou na construção curta, a jogada se desenrolou rapidamente e Facundo Pérez apareceu para finalizar no canto e empatar. Um gol totalmente evitável, nascido de desatenção e tomada de decisão ruim.

A partir dali, o ambiente mudou. O Atlético sentiu o impacto. A torcida ficou impaciente, e o time passou a jogar pressionado pela necessidade de vencer e pelo medo de novo tropeço. Tecnicamente, a equipe caiu. Os passes ficaram mais apressados, os movimentos menos coordenados e a construção ofensiva virou tentativa no improviso.

Esse talvez tenha sido o ponto mais preocupante da noite: a reação emocional ao empate. Times maduros conseguem absorver um gol sofrido sem se desorganizar. O Atlético, por vários minutos, fez o oposto. Ficou nervoso, precipitado e vulnerável.

O Juventud percebeu isso e se acomodou com o empate. Sem se expor demais, esperava um erro brasileiro para contra-atacar. Não tinha volume ofensivo constante, mas entendeu o jogo. Já o Galo empurrava na base da vontade, sem a fluidez necessária.

Nos minutos finais, a partida virou quase um ataque contra defesa. O Atlético se lançou à frente, acumulou presença na área e aumentou a pressão. Nem sempre com qualidade, mas com insistência. E foi justamente essa insistência que foi premiada.

Aos 44 do segundo tempo, Cuello recebeu pela direita e levantou na área. Cassierra atacou o espaço e desviou de cabeça no canto, marcando o gol da vitória. A explosão nas arquibancadas foi menos de festa e mais de alívio. O time escapava de um empate muito frustrante e somava três pontos fundamentais na tabela.

Atlético não convence, mas vitória dá respiro importante

Na classificação, a vitória recoloca o Atlético na disputa e dá respiro no grupo. Mas o placar não apaga os problemas apresentados. Contra adversários mais fortes, uma atuação nesse nível pode custar caro.

Individualmente, Bernard foi decisivo ao abrir o placar e oferecer mobilidade. Cuello participou diretamente dos dois gols e foi importante pela direita. Cassierra apareceu no momento crucial. Por outro lado, a equipe como conjunto ainda oscilou demais.

Eduardo Domínguez sai com o resultado que precisava, porém com trabalho claro pela frente. O time precisa evoluir na criação contra defesas fechadas, reduzir erros técnicos e ganhar estabilidade emocional durante os jogos. Competições continentais exigem regularidade, não apenas arrancadas de última hora.

No fim, o torcedor leva os três pontos e o alívio imediato. Mas também leva a percepção de que, para sonhar mais alto na Sul-Americana, o Atlético terá de jogar muito mais do que mostrou diante do Juventud.

(Foto: Pedro Souza/Atlético-MG)