Eduardo Domínguez Atlético-MG
Futebol

Atlético-MG apresenta mudanças promissoras na estreia de Eduardo Domínguez

Eduardo Domínguez não teve condições ideais em sua estreia no Atlético-MG antes de definir vaga nas semifinais contra o América-MG em confronto que se desenhou mais equilibrado do que o esperado no Campeonato Mineiro. Por outro lado, a experiência de um treinador vencedor na Argentina acabou pesando no fato do Galo avançar à decisão contra o Cruzeiro, com uma análise que pode ser expandida para quais mudanças táticas foram feitas de forma imediata pelo ex-comandante do Estudiantes.

Atlético-MG avançou à final com apenas três treinos de Domínguez

Mesmo com tempo limitado, Domínguez implementou conceitos claros de sua filosofia com um 4-4-2 tático, tendo Everson; Preciado, Ruan, Alonso e Renan Lodi na defesa; um meio-campo com Maycon e Alan Franco dando sustentação para Scarpa e Victor Hugo criarem. Na frente, Hulk e Reinier foram os escolhidos, em um cenário no qual o Atlético dominou a posse de bola. Porém, houve muita circulação periférica e dificuldade de infiltrar no bloco baixo do Coelho. A equipe abusou de cruzamentos e chutes de média distância, parando na organização defensiva adversária.

Alberto Valentim também merece méritos pela montagem de sua linha de cinco jogadores na defesa com uma estrutura muito sólida com Maguinho, Nathan, Emerson Santos, Rafael Barcelos e Artur. Isso tirou o espaço de Hulk e obrigou o Atlético a jogar pelos lados, onde o América tinha superioridade numérica. Além disso, o time mandante foi perigoso nos contra-ataques com Willian Bigode e Paulo Victor, mas o goleiro Gustavo (junto com o sistema defensivo) garantiram o zero no placar, levando o jogo exatamente para onde o América queria: os pênaltis.

Depois de ambos os sistemas táticos se anularem, as individualidades apareceram, e Everson foi o grande nome do Atlético na partida defendendo duas penalidades (de Eduardo Person e Felipe Amaral) e, com personalidade, convertendo a cobrança final que classificou o Galo para a grande decisão. O Atlético de Eduardo Domínguez mostrou que terá uma saída de bola mais qualificada com Renan Lodi e Maycon, mas ainda precisa de um choque ofensivo para não depender tanto de Hulk.

Como o Atlético-MG deve pensar o jogo decisivo contra o Cruzeiro?

Com um jogo de transição e a imposição física, Eduardo Domínguez precisara furar um Cruzeiro que sofre poucos gols (apesar de tantas críticas em torno de Tite). Para o Atlético furar essa barreira, Domínguez precisará de muita mobilidade de Gustavo Scarpa, pois se o meia ficar estático na direita, será dominado pela dobra de marcação que o Tite adora fazer com o lateral e o extremo voltando.

Além disso, Tite é obsessivo com o posicionamento em bolas paradas, um velho problema no atual elenco do Galo com diferentes técnicos. No próprio jogo de volta das semifinais, o Atlético de Domínguez mostrou certa fragilidade defensiva nesse quesito contra o América-MG, e o Cruzeiro pode decidir a final em um escanteio ou falta lateral, onde a organização ofensiva do Tite costuma ser notável.

Por fim, com Lucas Romero sendo utilizado como um jogador que equilibra as linhas do Cruzeiro na formação tática, as situações de Reinier e Hulk serão dificultadas, pois ambos não encontrarão os espaços nas costas dos zagueiros.

Imagem: Divulgação