Eduardo Domínguez - Atlético Mineiro
Futebol Brasileirão Copa Sul-Americana

Atlético Mineiro sofre pane, mas tem caminhos para evoluir

O empate contra o Juventude de Las Piedras, fora de casa, esfriou rapidamente a empolgação criada pelo Atlético Mineiro após a vitória no clássico diante do Cruzeiro. A sensação entre os torcedores é de ilusão interrompida: quando parecia que o time havia encontrado um rumo na temporada, o resultado no Uruguai, pela Copa Sul-Americana, trouxe novamente dúvidas sobre o desempenho coletivo e o modelo implementado por Eduardo Domínguez.

Ainda assim, o cenário está longe de ser considerado “terra arrasada”. Nos últimos três jogos, o Galo saiu na frente em duas partidas e perdeu apenas uma delas. Além disso, a equipe mostrou capacidade criativa e conseguiu gerar situações de perigo. O principal problema, neste momento, parece estar no equilíbrio do sistema.

Equilíbrio no meio-campo segue como problema

Foto: Pedro Souza/Atlético-MG

 

Eduardo Domínguez implementou um esquema com três zagueiros e dois volantes, mas o modelo ainda não consegue sustentar o ritmo das partidas.

A linha defensiva costuma ser formada por Lyanco, Ruan Tressoldi e um terceiro nome, alternando entre Junior Alonso e Vitor Hugo. Apesar da segurança numérica atrás, o sistema vem apresentando dificuldades tanto na saída de bola quanto na sustentação física ao longo dos jogos.

No meio-campo, Maycon e Alan Franco são os nomes mais utilizados, mas a dupla não consegue manter intensidade constante durante os 90 minutos. Para compensar isso, Bernard e Alan Minda acabam recuando para auxiliar na recomposição, o que compromete diretamente a produção ofensiva da equipe.

A presença de um terceiro meio-campista poderia oferecer maior equilíbrio ao setor, reduzindo o desgaste defensivo dos pontas e permitindo uma circulação de bola mais organizada.

O Atlético Mineiro não é o Estudiantes

Atlético-MG
AGIF

 

Desde sua chegada, Eduardo Domínguez despertou expectativa justamente pelo trabalho realizado no Estudiantes de La Plata. Em partes, o treinador tenta reproduzir conceitos semelhantes no Atlético Mineiro — mas o contexto é completamente diferente.

No time argentino, os zagueiros tinham maior capacidade de construção e sustentavam melhor a saída de bola. Já no Galo, a equipe depende excessivamente das conduções de Renan Lodi e de Ruan Tressoldi para iniciar as jogadas.

Além disso, o estilo físico e direto que marcou o Estudiantes não encaixa naturalmente neste elenco do Atlético. O Galo tem dificuldades para competir em intensidade contra adversários mais rápidos e fisicamente fortes, sobretudo quando pressionado sem a bola.

O resultado é um time que até consegue criar ofensivamente, mas que ainda parece desconfortável dentro da própria proposta de jogo.

Atlético Mineiro na temporada

O Atlético Mineiro volta a campo no domingo (10/05), às 16h, para enfrentar o Botafogo, no Nilton Santos, pela 15ª rodada do Brasileirão 2026.

Será mais uma oportunidade para que a equipe mostre evolução — ou para que aumentem os questionamentos sobre um modelo que, até agora, ainda não entregou a consistência esperada.

Créditos da foto de capa: Divulgação/Atlético Mineiro