Austin Reaves vale o máximo? Lakers devem pensar duas vezes
Basquete NBA

Austin Reaves vale o máximo? Lakers devem pensar duas vezes

Austin Reaves viveu mais uma temporada sólida e provou ser um jogador importante para os Lakers. Após lesão no oblíquo, ele voltou a tempo de ajudar na primeira rodada contra o Houston Rockets e teve média de quase 21 pontos e 7 assistências contra o Oklahoma City Thunder. No Jogo 4, registrou 27 pontos, 7 rebotes e 6 assistências em 43 minutos. Números respeitáveis para um jogador que chegou à NBA sem ser draftado.

No entanto, com Reaves prestes a recusar a opção de US$ 14,9 milhões e entrar em free agency irrestrita, surge a pergunta inevitável: quanto ele realmente vale? E, principalmente, quanto os Lakers podem e devem pagar por ele?

Mercado aponta para contrato máximo, mas realidade é outra

Reaves deve receber ofertas próximas do máximo para jogadores com menos de seis anos de experiência (25% do teto salarial). Com o teto projetado em US$ 165 milhões para 2026/27, isso significa salário inicial acima de US$ 41 milhões. Em quatro anos, o contrato poderia chegar a US$ 177 milhões fora de Los Angeles. Os Lakers poderiam oferecer cinco anos e até US$ 239 milhões.

Números impressionantes para um jogador que, em duas temporadas seguidas, superou 20 pontos e 5 assistências com 60% de true shooting. Ele está no seleto grupo ao lado de Shai Gilgeous-Alexander, Nikola Jokić e Giannis Antetokounmpo. Mas esses números escondem limitações importantes.

Reaves é criador eficiente, bom finalizador e arremessador perigoso. No entanto, defensivamente é um problema grave. Sua presença ao lado de Luka Dončić cria um backcourt lento e vulnerável em transições e marcações individuais. Nos playoffs, foi alvo constante de ataques adversários. Os Lakers precisaram de ajustes constantes para compensar suas falhas defensivas.

Não vale o máximo e o dinheiro pode ser melhor usado

Pagar Reaves o máximo seria um erro estratégico. Ele é bom, mas não é estrela de elite. Seu impacto não justifica comprometer quase um quarto do teto salarial por cinco anos. Com Dončić já ocupando grande parte da folha, os Lakers precisam de alas defensivos, um center confiável e versatilidade. Um contrato máximo para Reaves limitaria drasticamente essas contratações.

O espaço de US$ 48 milhões é ouro. Pode ser usado para absorver salários em trocas, trazer alas 3&D como Quentin Grimes ou Herb Jones, ou investir em um pivô mais sólido que Ayton. Manter Reaves por valor próximo ao máximo compromete o equilíbrio do elenco. Dončić precisa de defensores ao seu redor, não de outro criador que repete funções.

Reaves tem valor real para os Lakers. Sua química com Dončić é evidente e ele eleva o ataque. Mas “valor” não significa “máximo”. O mercado pode inflacionar seu preço por escassez de guards criadores em free agency. Os Lakers não precisam entrar nessa briga. Uma extensão mais moderada (quatro anos, cerca de US$ 120-140 milhões) seria justa e deixaria espaço para melhorias.

O futuro dos Lakers vai além de Reaves

Rob Pelinka e JJ Redick precisam pensar no projeto de longo prazo. Dončić é o centro do time. Reaves é peça importante, mas não intocável. Se o preço subir demais, uma sign-and-trade pode ser considerada, embora Dončić prefira mantê-lo. O ideal é equilibrar: manter Reaves por valor razoável e usar o resto do espaço para reforçar defesa e garrafão.

A offseason é sobre construção. Os Lakers têm picks (25º em 2026, 2031 e 2033) e espaço para montar um contender de verdade. Pagar Reaves o máximo seria repetir erros do passado: priorizar familiaridade em vez de necessidade. Reaves merece um bom contrato, mas não um que comprometa o futuro do projeto Dončić.

Os Lakers precisam decidir se constroem para vencer agora ou esperam até 2027. Qualquer que seja o caminho, Reaves deve ser parte da equação, mas não o centro dela. O dinheiro é finito. Melhor usá-lo onde realmente faz diferença: defesa, tamanho e versatilidade.

Reaves é um bom jogador. Mas nem todo bom jogador merece contrato máximo. Os Lakers precisam ter visão clara. O título não virá com sentimentalismo.

Foto: NBA.