A Áustria também resolveu fazer parte das grandes história da Copa do Mundo, antes mesmo da estreia ocorrer. Depois de 28 anos longe da competição, o país finalmente retornou ao principal do futbeol internacional. O empate por 1 a 1 contra a Bósnia e Herzegovina, no dia 18 de novembro de 2025,foi simplesmente vital para essa realidade, considerado uma libertação, um alívio coletivo de uma geração inteira que só conhecia a seleção austríaca mundialista por vídeos antigos.
Na época em que a Áustria disputou o Mundial pela última vez, se tratava de simplesmente 1998, onde a internet era pouco falada, e o foco de muitos era o DVD. Agora, em 2025/2026, o time liderado por Ralf Rangnick volta renovado, confiante e com um estilo que tem feito barulho na Europa.
E, convenhamos, voltar em grande estilo é sempre mais interessante.
A campanha que reconectou a Áustria com seu passado vencedor
A Áustria simplesmente jogou mais, correu mais e foi mais consistente que os rivais, não é atoa que foi a líder do Grupo H das Eliminatórias, para deixar clara a sua superiodade sobre os demais presentes. Com 19 pontos, somou seis vitórias, um empate e apenas uma derrota, no caso os austríacos ainda fecharam o ciclo com um saldo de gols impressionante: 23 marcados e apenas 5 sofridos.
Com um jejum de 6 Copas do Mundo como ausência, a hipotética seleção de Ralf Ragnick resolveu dar frutos, e agora, fica muito mais fácil de elogiar. Assim como diversas histórias do futebol, essa não podia faltar emoção também. O jogo decisivo teve bastante, é claro. A Bósnia precisava vencer e até abriu o placar com Haris Tabakovic logo aos 12 minutos em Viena.
Com certeza o pior dos choques para a torcida austríaca que deve ter soltado aquele famoso suspiro de preocupação e nervosismo. Mas depois de terem dado tempo para Ragnick trabalhar, sua equipe resolveu dar as caras de fato, não entrou em desespero. E foi recompensada. Aos 77 minutos, Michael Gregoritsch apareceu como herói, para empatar após rebote na trave. Foi o gol que selou a vaga e devolveu a Áustria ao planeta Copa.
A Bósnia até ficou a um gol da classificação direta, mas agora terá que encarar a repescagem, que está lotada de tubarões. Enquanto isso, a Áustria, já pode começar a pesquisar os melhores caminhos para Canadá, México e Estados Unidos.
Ralf Rangnick: o cérebro do renascimento austríaco
Um nome bem conhecido no futebol europeu, Ralf Ragnick recebeu a oportunidade de orquestrar um projeto com a Áustria. E hoje, ele tem espaço para ter os créditos em suas mãos, depois de ter revolucionado na Bundesliga, um breve trabalho no Manchester United, e conquistado o título de “guru do gegenpressing”. Desde que assumiu a seleção, em 2022, Rangnick não apenas organizou a casa, ele conseguiu transformar a mentalidade da equipe.
É muito difícil ver um trabalho ganhar corpo, porque existe a necessidade por resultados imediatos, ainda mais quando é na visão dos torcedores. Só que, ver as melhores, os pontos postiivos do grupo, é um ótimo caminho para se segurar, e assim as coisas se desencadearam. Hoje, a Áustria é capaz de mostrar intensidade, agressividade e ser extremamente sincronizada quando não tem a bola em seus pés.
Sabe pressionar alto, recuperar a bola no campo ofensivo e trabalhar bem nas transições rápidas. É um time que hoje, sabe exatamente o que fazer em campo, e que executa com disciplina. Não ficou só no papinho: sob Rangnick, a seleção chegou às oitavas da Euro 2024 após vitórias marcantes sobre Polônia e Holanda. Agora, com a classificação para a Copa, o projeto atinge seu auge.
Alaba, Sabitzer, Laimer e a espinha dorsal que sustentou o sonho
A Áustria tem algo bem interessante: um elenco equilibrado entre experiência e juventude, dá pra colocar nos termos da Seleção Brasileira, só não dá para comparar com o nível de talento, é claro. Para asfaltar a ideia, David Alaba, o capitão, voltou de lesão e recuperou sua liderança natural. Ele dita ritmo, orienta posicionamento e passa uma serenidade que qualquer treinador gostaria de ter.
Os dois bons jogadores da Bundesliga, Marcel Sabitzer e Konrad Laimer ocupam o coração do time no meio-campo. Sabitzer traz qualidade técnica e chegada na área, enquanto Laimer representa pureza rangnickiana: intensidade, pressa, pulmão infinito, no Bayern de Munique, o segundo citado é capaz de atuar como um coringa, em diversos lugares diferentes.
O peso da história e a chance de um novo capítulo
Algo que abrilhanta a história da Áustria é o fato de já terem feito bonito no passado. Foi terceira colocada em 1954 e quarta em 1934, épocas de ouro em que o país estava entre as potências mundiais.
A questão é que, o século XXI foi duro demais. Desde 1998, participação zero em Copas. Eliminações rápidas em Euros. Desconfiança. Instabilidade.
Essa classificação para 2026, portanto, é mais do que um retorno físico ao torneio, é um resgate emocional. É a chance de retomar competitividade, recuperar orgulho e construir algo duradouro.
O que esperar da Áustria na Copa do Mundo 2026?
A meta oficial é clara: chegar ao mata-mata do mundial. Não há espaço para encher linguiça demais, mas também nada de achar que vai só pra ocupar uma vaga, dá para ter uma expectativa interessante nos austríacos. A Áustria sabe que tem elenco, estilo e treinador para competir, e normalmente, a seleção é capaz de nivelar com fortes equipes, então, dá para sonhar um pouquinho.
E quem conhece Rangnick sabe que ele não vai aos EUA, México e Canadá só para escrever o nome na lista de presença. Vai para incomodar. Em um Mundial ampliado, com mais espaço para surpresas e mais jogos equilibrados, a Áustria pode muito bem repetir, ou até ultrapassar, campanhas recentes de seleções emergentes. Basta transportar para a Copa o mesmo caráter mostrado nas Eliminatórias.
E, se isso acontecer, não se surpreenda se ouvir por aí: “Olha a Áustria aí outra vez!”
Foto: Divulgação/Seleção Austríaca