O contundente depoimento de Paulo Autuori após o rebaixamento do Athletico-PR, constataram o terrível momento vivido pelo clube em seu centenário. Com muitos anos de área técnica e atualmente dirigente esportivo, o diretor técnico assumiu a responsabilidade dos resultados negativos do Furacão e traçou um cenário com fatores relacionados à queda no Brasileirão da Série A.
— Já participei de campanhas vitoriosas e este é um momento extremamente difícil. Como treinador que fui a vida inteira, estou acostumado aos vários momentos. Como nesse momento é normal personificar um culpado, sou eu aqui. Pode colocar tudo em cima de mim. Este é um momento extremamente difícil para todos nós, mas tudo tem uma causa. É isso que precisamos entender — disse.
Autuori reconheceu que a falta de estabilidade na comissão técnica, com a troca de treinadores desde o início do ano, foi um dos principais pontos que fizeram do Athletico um grupo frágil e com pouca identidade. Além disso, o dirigente citou falhas no aspecto mental e tático da equipe como cruciais para o fracasso em 2024.
— Erramos, senão não estaríamos nessa situação. Na minha opinião, o maior erro, foram as mudanças nas lideranças (treinadores) e não conseguimos formar um grupo. Mais do uma equipe, um grupo. Você atinge objetivos quando se tem grupo forte e quatro pilares são importantes para isso: físico, técnico, tático e mental. Falhamos muito no aspecto mental. Não tivemos força mental e a competência tática para atingir os objetivos — declarou.
Autuori assume responsabilidade pelo Athletico, mas compartilha a culpa
Diante da bronca pesada que sentiu junto ao Furacão após a derrota para o Atlético-MG em Belo Horizonte e certamente terá no retorno para o Paraná, Paulo Autuori destacou também que a falta de experiência de alguns jogadores, somada à pressão de um ano considerado especial, pode ter contribuído para esse final melancólico. Contudo, o dirigente declarou que a responsabilidade deve ser compartilhada por todos os envolvidos no processo, incluindo a comissão técnica, o grupo de jogadores e a direção athleticana.
— As coisas não acontecem no final. Tivemos como equipe muitas oportunidades de ficar em uma situação tranquila. Não fomos competentes para isso. Momentos em que tivemos em nossas mãos e não tivemos a competência necessária para fazer as coisas da melhor maneira possível — completou.
Depois de uma temporada iniciada com Juan Carlos Osorio, que acabou demitido em março e foi substituído por Cuca, o Athletico tornou-se uma verdadeira panela de pressão sobre treinadores após o brasileiro pedir demissão em setembro, e ser substituído pelo uruguaio Martín Varini, demitido em setembro após conquistar apenas uma vitória. Com Lucho González, o Furacão atuou em 14 partidas e obteve um retrospecto de 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, fechando o ano com um rebaixamento após 12 anos de afastamento da Série B.
Em 2025, com Lucho ou não, o Athletico tem como principal missão a volta para elite. Antes disso, o time terá pela frente o Campeonato Paranaense, no qual busca o tricampeonato consecutivo, e a Copa do Brasil.