O Bahia conquistou o 51º título do Campeonato Baiano ao empatar com o Vitória por 1 a 1 neste domingo (23), no Estádio do Barradão, em Salvador, em uma final marcada por muita confusão. Claudinho abriu o placar para o time da casa, mas Kayky igualou o marcador no último lance da partida. Esse título representa o primeiro troféu de Rogério Ceni no comando do Esquadrão de Aço desde sua chegada ao clube, em setembro de 2023.
Na primeira partida da final, o Bahia venceu o Vitória por 2 a 0, na Arena Fonte Nova, o que lhe permitia até perder por um gol de diferença no jogo de volta. Com um placar agregado de 3 a 1, o Tricolor garantiu a taça estadual. Agora, a equipe se prepara para desafios ainda maiores: além do Campeonato Brasileiro e da Copa do Nordeste, o Bahia disputará a CONMEBOL Libertadores, estando no Grupo F, ao lado de Internacional, Nacional-URU e Atlético Nacional-COL.
Apesar da conquista, Rogério Ceni não terá muito tempo para comemorações. O Bahia volta a campo já nesta quarta-feira, contra o Ceará, em partida atrasada da Copa do Nordeste, às 19h (horário de Brasília), na Arena Fonte Nova. No próximo domingo (30), às 20h, o time enfrenta o Corinthians, também em Salvador, pela estreia no Brasileirão.
Como foi o jogo da final entre Vitória e Bahia?
O primeiro tempo foi truncado, com muitas faltas e cartões amarelos para ambos os lados. O Vitória tentou pressionar, mas criou poucas chances reais de gol. Logo aos 7 minutos, Ademir quase abriu o placar para o Bahia, após passe de Éverton Ribeiro. Nos minutos finais da etapa inicial, o Vitória cresceu e assustou o goleiro Marcos Felipe. Aos 31, Wellington Rato finalizou após rebote, mas a defesa afastou. Aos 43, Matheusinho cabeceou no travessão, na melhor oportunidade do primeiro tempo.
Na segunda etapa, o Vitória foi para o tudo ou nada. Aos 13 minutos, Janderson cabeceou forte e obrigou Marcos Felipe a fazer uma grande defesa. O mesmo aconteceu aos 16, com outra cabeçada perigosa do atacante. Após esse início intenso, o jogo perdeu ritmo, com as equipes promovendo substituições.
O duelo voltou a ganhar emoção no fim. Aos 38 minutos, Claudinho marcou um belo gol para o Vitória ao cruzar a bola na área, que acabou entrando direto no gol. Aos 47, o VAR chamou o árbitro Wilton Pereira Sampaio para revisar um lance de possível expulsão de Cauly, do Bahia. Após a revisão, o jogador foi expulso por atingir Lucas Halter no rosto, sem bola.
O clássico ficou ainda mais tenso. Aos 50 minutos, uma confusão generalizada envolveu jogadores reservas dos dois times, resultando em troca de socos. O volante Baralhas foi expulso, mas, após revisão do VAR, o cartão vermelho foi cancelado. Após nove minutos de paralisação, o jogo recomeçou, com o Vitória pressionando desesperadamente, enquanto o Bahia tentava se segurar. No último lance, um contra-ataque mortal resultou no gol de Kayky, decretando o empate e o título do Bahia.
Após o apito final, mais confusão tomou conta do gramado, com jogadores e comissões técnicas trocando empurrões. Com o clima quente, o árbitro encerrou a partida, e o Bahia celebrou seu 51º título estadual.
A trajetória de Rogério Ceni no Bahia
O título teve um sabor especial para Rogério Ceni, que completou 101 jogos à frente do clube justamente na final. Após ser vice-campeão baiano em 2024, o treinador finalmente conquistou seu primeiro troféu pelo Esquadrão de Aço.
Ceni chegou ao Bahia em setembro de 2023 com a missão de evitar o rebaixamento para a Série B – objetivo que cumpriu com sucesso. Desde então, teve altos e baixos, incluindo a classificação do time para a Libertadores, um feito inédito após 36 anos. Na fase preliminar, eliminou The Strongest (Bolívia) e Boston River (Uruguai), garantindo vaga na fase de grupos da competição continental.
A conquista do Campeonato Baiano 2025 coroa sua trajetória no clube, especialmente por ter sido em cima do maior rival, dentro do Barradão. O Bahia, agora, se consolida ainda mais como o maior campeão estadual, ampliando a vantagem sobre o Vitória, que tem 30 títulos.

Os números de Ceni no comando do Bahia
Desde a chegada do Grupo City ao Bahia, Ceni se tornou o segundo técnico da gestão, sucedendo Renato Paiva, que venceu o Baianão de 2023. Após a final contra o Vitória, o treinador atingiu 101 jogos à frente do clube, com 53 vitórias, 18 empates e 29 derrotas, alcançando 58,4% de aproveitamento.
Na campanha do Baianão 2025, Ceni não comandou o time nas três primeiras rodadas, pois a equipe principal estava em pré-temporada na Espanha. No seu retorno, levou o Bahia a uma sequência invicta nas seis rodadas finais da fase de grupos.
Nas semifinais, o Tricolor perdeu para o Jacuipense por 2 a 1 na Fonte Nova, mas deu o troco com uma goleada de 5 a 0 no jogo da volta. Na final, bateu o Vitória por 2 a 0 no primeiro jogo e segurou o empate por 1 a 1 no Barradão para confirmar a conquista.
Com essa campanha sólida, Rogério Ceni se consolida como o técnico mais longevo do Bahia no século XXI, e agora busca novos desafios, incluindo a disputa da Libertadores e do Brasileirão.
(Foto: Divulgação/EC Bahia)