O Bahia não precisa mais vencer sempre da mesma forma
O Bahia talvez tenha descoberto uma das características mais importantes para quem pretende terminar o Brasileirão brigando na parte de cima da tabela: a capacidade de vencer mesmo quando a partida não segue exatamente o roteiro planejado.
Contra o Remo, na Arena Fonte Nova, o Tricolor teve um primeiro tempo de imposição, criou oportunidades e abriu o placar com Jean Lucas. Depois do intervalo, porém, o cenário mudou. O time perdeu parte do controle, desperdiçou chances que poderiam ter transformado a vitória em goleada e permitiu que o adversário permanecesse vivo até os minutos finais.
Ainda assim, ganhou. E esse detalhe diz muito sobre o momento vivido pela equipe de Rogério Ceni.
O Bahia chegou a 11 partidas sem perder, alcançou a quarta vitória consecutiva e terminou a 27ª rodada dentro do G-4, com 46 pontos. Mais importante do que a posição na tabela, entretanto, é perceber que o time vem ampliando seu repertório.
Nem sempre será possível controlar os 90 minutos
Existe uma diferença importante entre uma equipe que domina uma partida inteira e outra que sabe sobreviver quando o domínio desaparece.
O Bahia ainda precisa evoluir nesse aspecto, porque não foi perfeito contra o Remo. Depois de um primeiro tempo em que teve mais controle e construiu boas oportunidades, o Tricolor não conseguiu transformar a superioridade em uma vantagem confortável.
As chances perdidas mantiveram o jogo aberto.
E, quando uma equipe deixa de matar uma partida que poderia estar resolvida, passa a correr riscos. Foi exatamente o que aconteceu. O Remo ganhou espaço, o Bahia precisou conviver com um jogo mais incômodo e a vitória só ganhou contornos definitivos nos acréscimos, com o pênalti convertido por Luciano Juba.
Pouco depois, Vitor Bueno ainda diminuiu para os visitantes, deixando os instantes finais mais tensos.
O Bahia, porém, já tinha feito o suficiente para garantir os três pontos. Essa capacidade de atravessar diferentes momentos de uma mesma partida é um sinal de maturidade.
O time de Ceni aprendeu a ganhar de maneiras diferentes
O crescimento do Bahia não está apenas na sequência de resultados. Está também na forma como esses resultados estão sendo construídos.
Pouco antes de enfrentar o Remo, o Tricolor havia vencido o Bragantino por 3 a 2 fora de casa, em uma virada que representou sua quinta vitória dessa maneira no Brasileirão. Naquele momento, o Bahia estabeleceu a maior sequência invicta de sua história nos pontos corridos.
São contextos diferentes. E justamente por isso o momento merece atenção.
O Bahia consegue reagir quando precisa, consegue competir fora de casa e também consegue transformar uma partida de domínio em uma vitória apertada quando não aproveita todas as oportunidades que cria.
Contra o Remo, não foi uma atuação para colocar em uma moldura. Foi uma atuação para colocar na conta. E, em uma competição longa, isso vale muito.
Há um Bahia mais maduro aparecendo
Rogério Ceni tem motivos para comemorar, mas também sabe que o time ainda precisa melhorar. O próprio treinador já tratou a disputa pelas primeiras posições como uma corrida “ponto a ponto” até o fim, especialmente diante da sequência pesada que o Bahia terá pela frente.
Esse talvez seja o principal teste da equipe daqui em diante.
Porque o Bahia já mostrou que consegue jogar bem. Já mostrou que pode competir contra adversários fortes. Já mostrou capacidade de reação. Agora começa a demonstrar algo que costuma separar boas campanhas de campanhas realmente relevantes: a capacidade de vencer mesmo sem atuar no seu melhor nível.
É isso que transforma uma sequência positiva em uma campanha consistente.
O time não precisa necessariamente estar brilhante para pontuar. Precisa saber reconhecer o momento de acelerar, o momento de controlar e, principalmente, o momento de proteger uma vantagem.
Contra o Remo, houve espaço para questionamentos. O Bahia poderia ter resolvido antes, criou oportunidades suficientes para isso e deixou o adversário acreditar até o fim. Mas também houve uma resposta importante: quando a partida ficou desconfortável, o resultado não escapou.
O G-4 deixou de ser apenas uma possibilidade
Com 46 pontos e na quarta posição, o Bahia voltou à zona de classificação direta para a fase de grupos da Libertadores. A vantagem para o sexto colocado também dá ao Tricolor uma margem importante neste momento da competição.
Isso não significa que o Bahia esteja garantido em lugar algum. Pelo contrário.
A sequência pela frente será pesada, com confrontos contra Athletico-PR, Palmeiras, Mirassol, Flamengo, Santos, São Paulo e Cruzeiro. O próprio Ceni reconhece que a disputa será apertada até o fim.
Mas é justamente por isso que a vitória sobre o Remo ganha valor.
Em uma reta final equilibrada, os grandes confrontos podem definir posições, mas são os jogos em que uma equipe precisa confirmar o favoritismo que ajudam a construir uma campanha de G-4. O Bahia fez isso.
Sonhar alto agora é consequência, não exagero
Ainda é cedo para colocar o Bahia como candidato a qualquer coisa maior do que aquilo que a tabela permite neste momento. Mas também já não faz sentido tratar a presença do Tricolor na parte de cima como uma surpresa passageira.
Há consistência por trás disso. São 11 jogos sem derrota, quatro vitórias consecutivas e uma equipe que encontrou diferentes formas de pontuar.
O mais interessante, porém, está na evolução do comportamento competitivo.
O Bahia não precisa mais de uma atuação perfeita para vencer. Contra o Remo, foi superior em boa parte do jogo, mas sofreu com o próprio desperdício e precisou lidar com um segundo tempo mais complicado. Ainda assim, encontrou uma maneira de sair de campo com os três pontos.
Esse é o tipo de vitória que pode parecer menos impressionante individualmente, mas costuma ganhar importância quando a temporada chega ao fim.
O Bahia está no G-4 porque joga bem. Mas pode permanecer nele porque está aprendendo a vencer mesmo quando não joga tão bem. E talvez seja exatamente aí que esteja a maior razão para o torcedor tricolor sonhar alto no Brasileirão.
Foto: Divulgação/Bahia



