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Bahia campeão! De virada, Tricolor conta com dois gols de Jean Lucas e conquista título estadual diante do Vitória

Na tarde deste sábado (07), Bahia e Vitória protagonizaram mais um clássico válido pela final do Campeonato Baiano, em duelo de jogo único realizado na Arena Fonte Nova.

O Esquadrão de Aço, que teve a melhor campanha da competição estadual na primeira fase, eliminou a Juazeirense pelo placar de 4 a 2 nas semifinais – Rogério Ceni repetiu a mesma formação do duelo, apenas com Nícolas Acevedo entrando no lugar do lesionado Caio Alexandre.

Já o Leão da Barra, segundo colocado na primeira fase, venceu o Jacuipense nas penalidades máximas na fase semifinal, com Lucas Arcanjo sendo protagonista ao defender duas cobranças. A única mudança no time em comparação ao último confronto no estadual foi a entrada do jovem Edenílson no lugar de Matheusinho, e de Nathan Mendes no lugar de Caíque, expulso na semi.

Em um confronto onde o Vitória teve o domínio no primeiro tempo, o Bahia conseguiu a reviravolta após o intervalo com ótimas mexidas de Rogério Ceni, com Jean Lucas fazendo os dois tentos do título e Nícolas Acevedo se tornando um dos destaques atuando fora de posição.

Primeiro tempo melhor do Vitória: muita qualidade na transição ofensiva

O time do Vitória teve um bom início de partida – logo aos três minutos, Ramon teve uma boa oportunidade ao chutar cruzado de fora da área e forçar Ronaldo a fazer uma defesa com a ponta dos dedos. Pouco depois, Renato Kayzer recebeu na marca do pênalti e cabeceou, com a bola passando muito próxima do travessão.

O plano de jogo da equipe de Jair Ventura foi muito bem executado e com características ofensivas muito interessantes. Com uma linha de três defensores (Nathan, Camutanga e Edu), o Leão contava com seus alas (Ramon e Edenilson) atuando de maneira muito avançada, enquanto Baralhas e Martínez eram vitais na transição ofensiva da equipe surgindo como elemento surpresa.

A transição ofensiva, inclusive, foi realizada de maneira impecável pelo Vitória, e graças à qualidade criativa e visão de jogo de Matheuzinho. Apesar de Jair Ventura ter montado sua equipe já esperando um domínio do Bahia na posse de bola, o que vimos em campo foi o Leão ficando mais com a bola e forçando o time adversário a tentar ligações diretas de maneira exagerada, sempre buscando Ademir na direita.

Falhas de marcação levam ao gol do Leão, e Bahia perde a cabeça

E sem muitas surpresas, o ótimo desempenho do Vitória resultou no primeiro gol do confronto. Após recuperação de bola na defesa, Martíenz encontrou Matheuzinho saindo em velocidade pelo meio – o camisa 10 carregou a bola e encontrou Ramón realizado a passagem pela esquerda – de primeira, o ala deu um toque sutil para Baralhas, que apenas completou para o gol.

O gol expôs uma dificuldade nítida de marcação do Bahia na intermediária – os laterais (Juba e Ramon Gomez) marcavam o meio-campo do Leão, deixando Jean Lucas e Everton Ribeiro para realizar o primeiro combate contra os alas do Vitória e forçando os zagueiros Mingo e Gabriel Xavier para revezar entre “perseguir” o ala e ficar para marcar Renato Kayzer na pequena área. Desta forma, no lance do tento rubro-negro, ninguém fez o combate à Matheuzinho, que teve muita liberdade para avançar.

E as coisas ficaram ainda mais complicadas para o time do Ceni após o gol do Leão. Com pouquíssima criatividade no ataque, que dependia muita da individualidade de Ademir. Ramón e Edenílson conseguiam recompor de maneira excelente, e o Bahia perdia amplitude, encontrando dificuldade para criar pelas alas ou tentar chegar na linha de fundo e encontrar um cruzamento para William José. No entanto, o maior problema foi emocional.

Com faltas e reclamações frequentes perante a arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, o mental do Bahia começou a se tornar um problema. Primeiro, Roman Gómez, que fez uma partida totalmente desastrosa, cometeu duas faltas desnecessárias (a segunda “beirando” uma agressão) e recebeu o cartão amarelo. Depois, ao reclamar de um possível pênalti não marcado, Ademir também foi amarelada. Na saída para o intervalo, Éverton Ribeiro também reclamou da arbitragem.

Mudanças cirúrgicas colocam o Bahia de volta na decisão

Mas seja qual foi a instrução que Rogério Ceni passou para seus jogadores no vestiário, o ânimo e o mental do Esquadrão de Aço mudou completamente no retorno para o segundo tempo. No entanto, tudo começa na parte tática: o treinador sacou Ademir e Goméz, ambos amarelados, para as entradas de Erick e Kike Oliveira. Erick, volante, se posicionou no meio-campo no lugar de Nicolás Acevedo, que passou a jogar no lugar de Román Goméz.

Foi a prova concreta da necessidade de entender o momento e as particularidades de cada atleta dentro de uma formação tática. Goméz estava muito abaixo em níveis técnicos e mentais, enquanto Ademir, além de ser bem marcado, se frustrou rapidamente quando viu que teria poucas oportunidades por seu setor. As mudanças não apresentaram apenas “ar fresco”, mas a correção total de uma faixa do campo que contribuiu negativamente para diversos fatores do jogo tricolor na primeira etapa.

E bastaram apenas 10 minutos para o Bahia chegar ao empate, em jogada criada justamente pelo lado direito. Acevedo trabalhou com Kike e o camisa 5 fez o cruzamento em direção ao segundo poste. Em um movimento cirúrgico, William José se “desprendeu” da marcação e subiu sozinho para cabecear em direção ao centro da área, com Jean Lucas completando para o fundo do gol.

Acevedo na lateral: o “match” inesperado e o gol do título

O Esquadrão de Aço passou a ter domínio total do confronto após o empate, criando principalmente pelo lado direito. Apenas 9 minutos depois, surgiu a virada. Novamente, pela direita. Desta vez, a jogada foi ainda mais bem trabalhada – Gabriel Xavier fez um belo lançamento para Kike Oliveira, que, diferente de Ademir, se sente muito confortável jogando de costas para a linha de lateral, conseguindo progredir no limite entre o marcador.

De virada, Bahia supera o Vitória e é campeão invicto do Campeonato Baiano

Kike carregou a bola para a linha de fundo e esperou a ultrapassagem de Nicolas Acevedo, que acabou sendo um dos nomes desta final após um primeiro tempo apagado em sua função de origem. Em uma linda jogada, o uruguaio venceu a marcação de Ramón, chegou na linha de fundo e fez o cruzamento rasteiro – William José fez o corta-luz e Jean Lucas balançou as redes novamente.

Tentando chegar ao gol na pressão, Jair Ventura fez uma mudança que demorou bastante para ser executada: a saída de Erick e Kayzer para as entradas de Cantalapiedra e Marinho. No entanto, já era tarde demais, e em uma inversão de papéis em relação à primeira etapa, o Vitória passou a perder a cabeça, enquanto o Tricolor conseguiu administrar a vantagem.

Marinho até conseguiu criar boas chances – a principal dela já nos acréscimos, após receber um passe de Matheuzinho. O camisa 7 deu um belo toque de primeira para Fabra, que finalizou cruzado, mas viu Ronaldo fazer a defesa e sacramentar o triunfo do Bahia.

Resultado: Bahia 2 – 1 Vitória 

Foto principal: Rafael Rodrigues/EC Bahia