O Bahia chegou no Pará com todas as condições de confirmar seu favoritismo diante do Remo e entrar na Data Fifa mantendo a invencibilidade após oito rodadas no Brasileirão, mantendo firme o ritmo intenso para mostrar que o Tricolor de Aço pode enfim brigar pelo título nacional sob a administração do Grupo City. Porém, ninguém esperava que os comandados de Rogério Ceni sofressem uma dura derrota de 4 a 1 no Mangueirão, deixando um sinal de alerta para a sequência da temporada, principalmente em relação à falta de confiança após o gol sofrido.
Bahia deixou a concentração ruir duante o jogo
O Bahia começou a partida exatamente como se esperava de um time que vinha invicto e organizado. A equipe de Rogério Ceni controlou o jogo nos primeiros 30 minutos com posse qualificada, circulação paciente e ocupação racional dos corredores laterais, conseguindo abrir o placar com Everaldo.
A estrutura ofensiva era baseada em um 4-2-3-1 que buscava superioridade entrelinhas, com meias aproximando para gerar triângulos e acelerar a progressão. O Remo, por sua vez, marcava em bloco médio, tentando fechar o centro e induzir o adversário às laterais, mas o problema tricolor não foi tático, foi comportamental. Após o 1 a 0, a equipe perdeu agressividade sem bola, recuou linhas e deixou de pressionar a saída adversária. Como o próprio Ceni apontou depois, houve uma queda brusca de intensidade e confiança ainda no primeiro tempo.
Essa mudança foi decisiva: ao abdicar do controle territorial, o Bahia permitiu que o Remo crescesse emocionalmente e passasse a jogar no campo ofensivo. A reação dos paraenses começou com um ajuste simples, mas eficaz: aumento da pressão no corredor central e maior agressividade na segunda bola. O time de Léo Condé passou a encurtar espaços entre linhas e a acelerar transições logo após recuperações.
O empate com Vitor Bueno, já nos acréscimos do primeiro tempo, simboliza essa mudança, uma equipe mais vertical, atacando com mais gente e aproveitando a desorganização defensiva rival. Sem a mesma proteção do meio-campo, a defesa do Bahia passou a ser exposta com frequência, especialmente em bolas diretas e infiltrações rápidas.
Na volta do intervalo, o Remo elevou ainda mais o ritmo. A equipe adotou uma postura claramente reativa-ofensiva: linhas compactas, recuperação rápida e transições em poucos toques. O destaque foi Gabriel Taliari, autor de dois gols em sequência no início da etapa final, explorando exatamente o espaço entre zagueiros e volantes, setor que o Esquadrão de Aço não conseguiu recompor.
O terceiro gol consolidou o cenário: o Bahia se desorganizou estruturalmente, alongou o time e passou a oferecer contra-ataques constantes. Além disso, o aspecto psicológico se tornou determinante. Após perder um pênalti (momento-chave citado por Ceni na coletiva), a equipe definitivamente saiu do jogo.
A lição que fica para o Bahia
Se o Brasileirão costuma ser um campeonato de regularidade, a partida no Mangueirão deixa uma lição clara: organização sem consistência mental não se sustenta, e a intensidade bem aplicada pode mudar completamente um jogo em poucos minutos. Essa é a lição que fica para o Bahia, um time que ainda precisa aprender a sustentar controle emocional e estratégico.
Imagem: AGIF



