Balogun virou o principal assunto da classificação dos Estados Unidos às oitavas de final da Copa do Mundo. Embora a seleção tenha derrotado a Bósnia e Herzegovina e garantido apenas sua segunda vitória em um mata-mata de Mundial, a expulsão do atacante dominou completamente o pós-jogo e provocou uma onda de críticas à Fifa. O lance polêmico, aliado ao regulamento da entidade, deixou jogadores, comissão técnica e torcedores indignados.
Afinal, além da contestação sobre o cartão vermelho, os norte-americanos descobriram que sequer existe a possibilidade de recorrer da decisão durante a competição. Para muitos, trata-se de uma regra ultrapassada, principalmente em um torneio que conta com tecnologia de ponta e revisões em vídeo praticamente em tempo real.
Pochettino questiona expulsão e descobre regra durante coletiva
Logo após o apito final, Mauricio Pochettino não escondeu a irritação com a decisão da arbitragem envolvendo Balogun.
Na visão do treinador, o atacante disputava uma bola normal de jogo e não teve qualquer intenção de atingir o adversário, tornando exagerada a expulsão.
“Nunca é cartão vermelho. Nunca houve intenção de pisar no jogador.”
Em seguida, Pochettino levantou uma dúvida que rapidamente ganhou repercussão.
“Deveria ser possível recorrer desse cartão vermelho…”
Poucos instantes depois, jornalistas presentes na coletiva explicaram ao treinador que isso simplesmente não é permitido pelo regulamento da Copa do Mundo.
Segundo as normas da Fifa, toda expulsão gera automaticamente suspensão para a partida seguinte. O mais curioso é que os órgãos disciplinares da entidade até podem aumentar a punição para dois ou três jogos, mas não têm autorização para reduzi-la ou anulá-la.
A descoberta aumentou ainda mais a frustração da delegação americana.
Tyler Adams resume o sentimento dos Estados Unidos
Se Pochettino preferiu argumentar sobre a interpretação do lance, Tyler Adams foi muito mais direto ao comentar a situação.
“Típico da FIFA.”
A frase do meio-campista repercutiu rapidamente e sintetizou o sentimento dos Estados Unidos após a partida.
O desconforto vai além da expulsão de Balogun. O principal alvo das críticas é a ausência de qualquer mecanismo que permita revisar um possível erro de arbitragem depois do encerramento do jogo.
Em diversas competições nacionais existe a possibilidade de recurso em casos excepcionais. Na Copa do Mundo, porém, essa alternativa simplesmente não existe.
Como aconteceu a expulsão de Balogun
O lance ocorreu durante o segundo tempo da partida contra a Bósnia e Herzegovina.
Na disputa pela bola, Balogun acabou acertando a panturrilha do zagueiro Tarik Muharemovic com as travas da chuteira.
Inicialmente, o árbitro brasileiro Raphael Claus não interpretou a jogada como passível de expulsão.
Entretanto, a equipe do VAR formada por Juan Soto, da Venezuela, Nicolas Gallo, da Colômbia, e Jerome Brisard, da França, recomendou a revisão do lance.
Após assistir às imagens no monitor, Claus mudou sua decisão e mostrou cartão vermelho direto para Balogun.
Segundo a arbitragem, a entrada foi considerada uma jogada de força excessiva, colocando em risco a integridade física do adversário.
Debate sobre o VAR aumenta após o lance
Embora a imagem congelada do contato realmente seja forte, muitos especialistas entendem que ela não representa fielmente a dinâmica da jogada.
Pochettino insistiu que Balogun jamais tentou atingir o defensor de maneira intencional. Para o treinador, foi uma dividida comum, daquelas que acontecem diversas vezes ao longo de uma partida, mas cujo ponto de contato acabou sendo infeliz.
Outro aspecto passou a ser bastante discutido após o confronto.
As diretrizes da IFAB, órgão responsável pelas regras do futebol, orientam que replays em câmera lenta sejam utilizados principalmente para confirmar fatos objetivos, como posição da bola ou do jogador.
Já para analisar intensidade e força de uma entrada, a recomendação é que a avaliação aconteça prioritariamente em velocidade normal.
No entanto, Raphael Claus recebeu uma sequência de imagens em câmera lenta e quadros congelados antes de alterar sua decisão.
Para muitos analistas, esse tipo de replay pode aumentar visualmente a gravidade do lance e influenciar a interpretação do árbitro, gerando decisões diferentes daquelas que seriam tomadas observando a jogada em velocidade real.
Lance de Messi aumenta questionamentos
A polêmica envolvendo Balogun ganhou ainda mais força por causa de um episódio ocorrido poucos dias antes.
Na vitória da Argentina sobre a Argélia, Lionel Messi protagonizou uma entrada bastante semelhante sobre Aïssa Mandi.
Na ocasião, o VAR revisou o lance, mas decidiu não recomendar qualquer cartão ao camisa 10 argentino.
A comparação rapidamente tomou conta das redes sociais e da imprensa internacional.
Questionado sobre os dois episódios, Pochettino respondeu que, em sua opinião, nenhum deles deveria resultar em expulsão.
Ainda assim, o treinador deixou uma reflexão importante.
Se a entrada de Balogun foi considerada suficiente para um cartão vermelho, seria coerente que o lance envolvendo Messi recebesse exatamente a mesma interpretação.
A falta de uniformidade nas decisões voltou a colocar o uso do VAR e os critérios da arbitragem no centro das discussões durante a Copa do Mundo.
Ausência pesa para os Estados Unidos nas oitavas de final
Além da discussão sobre arbitragem, a expulsão representa um enorme prejuízo esportivo para os Estados Unidos.
Balogun vinha sendo um dos principais destaques da equipe de Mauricio Pochettino ao longo da competição e se consolidou como uma das principais referências ofensivas da seleção.
Agora, o atacante será obrigado a cumprir suspensão justamente nas oitavas de final, quando os norte-americanos enfrentarão a Bélgica, em Seattle.
A ausência obriga Pochettino a reformular completamente o setor ofensivo no momento mais decisivo da campanha.
Independentemente da opinião sobre o lance, o episódio reacendeu um debate importante sobre o regulamento da Copa do Mundo. Em uma competição equipada com tecnologia de ponta, dezenas de câmeras e revisões instantâneas, cresce o questionamento sobre a falta de um mecanismo que permita corrigir possíveis erros evidentes após o encerramento das partidas.
Para Balogun, a discussão pouco muda o cenário imediato. O atacante cumprirá suspensão e verá do lado de fora aquele que seria, até aqui, o jogo mais importante de sua carreira. Já para a Fifa, a polêmica reforça um debate que promete continuar muito além desta edição da Copa do Mundo.
Foto: Reuters